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Misterion
MGMC
- I. Prolegômenos à Relação entre o Logos Encarnado e as Formas Cultuais Helênicas
- Investigação da problemática fundamental proposta por Clemente de Alexandria sobre a possibilidade de explicar o Mistério do Logos através de imagens familiares ao mundo grego, estabelecendo um leitmotiv para a compreensão da pedagogia divina na história.
- Dialética entre a continuidade histórica e a ruptura ontológica, onde o cristianismo antigo utiliza a terminologia das religiões de mistério para expressar a novidade absoluta do Evangelho, evitando tanto o sincretismo simplista quanto o isolamento cultural absoluto.
- Análise da recepção da linguagem paulina e patrística que, entre os séculos II e V, absorveu correntes da religiosidade helênica para transfigurá-las sob a luz da Revelação, permitindo que o homem grego encontrasse no seio da Igreja a plenitude das suas aspirações latentes.
- Confronto entre a essência interna do cristianismo — o Mistério outrora oculto e agora revelado aos santos (Col 1,26) — e as formas externas dos cultos pagãos, definindo o limite entre a apropriação terminológica e a integridade do dogma cristão.
- II. A Vitória do Novo Mistério sobre a Decadência das Religiões de Salvação Antigas
- Crítica da apologética cristã, exemplificada em Firmicus Maternus, que celebra o triunfo do Mistério da Cruz e do Batismo sobre os ritos arcaicos, como o transporte do pinheiro morto nos mistérios frígios de Átis, agora substituído pelo madeiro da vida.
- Rejeição das práticas de preceitos e incantações que tentavam misturar o nome de Cristo com fórmulas mágicas pagãs, reafirmando a exclusividade do senhorio de Cristo e a pureza do culto em espírito e verdade.
- Apelo de Clemente de Alexandria aos helenos, personificados na figura do velho adivinho Tirésias, instando-os a abandonar o serviço de Dioniso para encontrar no Cristo o verdadeiro guia que devolve a visão aos cegos e a estabilidade aos que vacilam.
- Função do Mistério Cristão como o porto final para a inquietação religiosa da Antiguidade, onde os símbolos da “morte e ressurreição” das divindades agrárias e solares encontram sua realização histórica e transcendente na Páscoa do Logos.
- III. A Transfiguração do Simbolismo e a Cura da Alma no Espaço Eclesial
- Desenvolvimento da psicoterapia sobrenatural no cristianismo primitivo, onde a Igreja não apenas adota os nomes dos mistérios, mas os preenche com uma eficácia sacramental que visa a regeneração total da condição humana e a divinização pela graça.
- Substituição da busca por conhecimentos esotéricos e ritos de iniciação obscuros pela clareza do Logos, que se oferece como o verdadeiro alimento da imortalidade, superando a degradação animal e elevando o fiel à dignidade da vida angélica.
- Integração das imagens de luz e trevas, cativeiro e libertação, no contexto da iniciação batismal, tratando o Sacramento como o mistério supremo que encerra a busca milenar da alma humana pela unidade e pelo repouso eterno em Deus.
- Conclusão sobre a soberania do cristianismo que, ao “batizar” o pensamento grego, não se submete à cultura, mas a assume como um pedestal para a manifestação da Verdade, tornando-se o herdeiro legítimo de toda a nostalgia espiritual da humanidade.
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