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Pérola preciosa

PARÁBOLAS EVANGÉLICAS — A PÉROLA PRECIOSA (Mateus 13:45-46)

Outrossim, o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas; E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a. (Mateus 13:45-46

Orígenes: Comentários sobre Mateus

É nas palavras de toda espécie, que proclamam a verdade e contêm as pérolas, que deves buscá-las, e as ostras engravidadas, por assim dizer, do orvalho do céu e procriando, sob a ação do alto, a palavra de verdade, devem ser os profetas, estas belas pérolas que, segundo o texto citado, busca o mercador. O chefe da coleção de pérolas, cuja descoberta permite àquela de todas as outras, é a pérola de grande preço, o Cristo de Deus, o logos superior aos textos preciosos e aos pensamentos da lei e dos profetas, cuja descoberta permite alcançar facilmente todo o resto. A palavra do Salvador se dirige a todos seus discípulos, como a mercadores, que não somente buscam belas pérolas, mas as têm descoberto e adquirido, na passagem onde se diz: «Não jogues as pérolas diante dos porcos!». Que seja aos discípulos que são destinadas estas palavras, isso decorre do início da passagem: «Face às multidões, subiu a montanha; se assentou e seus discípulos se aproximaram dele». É com efeito na sequência deste texto que é dito: «Não deis o que é santo aos cães, não jogues as pérolas diante dos porcos!» Pode-se portanto dizer que aquele que não tem pérolas, nem a pérola de grande preço, não é o discípulo do Salvador (que nos ensina a buscar) as belas pérolas e não aquelas cuja a cor é sombria, enfarruscada — tais são as doutrinas dos heterodoxos —, pois elas não nascem face ao Levante, mas face ao Poente ou ao Norte, se é preciso utilizar também estes detalhes que explicam a diversidade que descobrimos entre as pérolas nascidas em lugares diversos. Talvez as doutrinas sujas e as heresias envelopadas «nas obras da carne» são estas pérolas sombrias, nascidas nas águas estagnantes e privadas de toda beleza.

Jerônimo: Comentário sobre Mateus, Livro II (11,2- 16,12) (contribuição e tradução de Antonio Carneiro)

É também semelhante o reino dos céus à um homem negociante querendo boas pérolas; encontra também uma preciosíssima pérola foi e vendeu tudo que tinha e comprou-a (Mateus 13:45). Em outras palavras o que acima foi dito. Boas pérolas que queria são a lei e os profetas. Ouça Marcion, ouça Maniqueu, boas pérolas são a lei e os profetas e conhecimento do Antigo Testamento, é também a única pérola preciosíssima: a Ciência do Salvador e sua sacramentada paixão e o arcano da ressurreição.

Como o homem negociante que encontrou, semelhante ao apóstolo Paulo, todo mistério da lei e dos profetas e antigas observâncias, nas quais vivera sem culpa, os dispensa como purgação e quinquilharia para fazer negócio lucrativo com Cristo. Não porque encontrando nova pérola seja condenação das pérolas antigas, seja que a comparação com ela toda gema preciosa fica inferior.

Jacob Boehme

Busque essa nobre pérola; ela vale mais que todo este mundo reunido, e jamais se separará de ti. Onde está a pérola, aí também estará teu coração. Não é necessário, nesta vida, que busques mais o paraíso, a bem-aventurança e a delícia celestial; busca somente a pérola e, quando a encontrares, terás encontrado o paraíso e o reino do céu. Perscrutaram-se muitas obras-primas da literatura, esperando encontrar a alta e profunda sabedoria de Deus, a pérola da compreensão do homem; mas nada se pôde encontrar daquilo que a alma anelava. Encontraram-se apenas contradições e, às vezes, constatou-se que era proibido continuar buscando, ignora-se por qual razão; a não ser que fosse pelo ressentimento que significa que outros vejam ou encontrem. Por tudo isso, a alma se agitou e se encheu de dor e angústia, como mulher em trabalho de parto; e isto continuou em vão até que se conseguiu entender o sentido das palavras de Cristo, quando disse: “Deveis nascer de novo, se quereis conhecer o reino de Deus”. Isto, a princípio, confundiu. Supôs-se que isto não podia ser realizado neste mundo, mas somente quando se tivesse saído dele. E então a alma se angustiou, cobiçando a pérola; mas, submetendo-se, pôde enfim obter a joia. Portanto, escrever-se-á para comemorar isto e para dar uma luz aos que buscam. Porque Cristo disse: “Ninguém acende uma luz e a põe debaixo de um alqueire, mas sobre o candelabro, e ela ilumina todos os que estão na casa”. Com este fim é que ele dá a pérola da divina sabedoria e conhecimento aos que a buscam: com o objetivo de que eles a deem para acalmar a ânsia dos buscadores, como recomendou encarecidamente. Evelyn Underhill — Confissões de Boehme

Como estamos mergulhados na carne e sangue terrestres, neste mar de sofrimento, e nos transformamos numa natureza terrestre, onde estamos encerrados na obscuridade da reflexão, a mente não para de questionar sobre o seu verdadeiro lugar e para onde está destinada a ir. Ela sempre diz: Onde então está Deus? Quando poderei ver a Sua face? Onde estará a minha nobre pérola? Onde está o Filho da virgem? Não posso vê-lo! Como posso desejar aquilo que não sou capaz de ver? Certamente, O anseio e O desejo, mas não posso ver nada em que meu coração possa repousar. Estou sempre como uma mulher que ficaria feliz ao dar à luz; como ficaria feliz ao ver meu fruto, prometido por meu Deus! A mulher deseja dar à luz, continuamente, um dia após o outro, de manhã e ao entardecer, de dia e de noite; na privação, aguarda o momento em que a estrela da manhã surgirá, trazendo repouso à alma; ocorre com a alma, o mesmo que ocorre com a mulher, que entra em trabalho de parto, que sempre espera pelo sinal de seu fruto, com ânsia e desejo. (Encarnação de Jesus Cristo)

“Nem o dinheiro, nem as posses mundanas, nem a ciência, nem a Autoridade, nada disso trará a vós o doce descanso do paraíso, que só pode ser atingido através do nobre conhecimento de si mesmo. Lá poderás vestir tua alma; trata-se da pérola que não é devorada pelas traças, e que nenhum ladrão pode levar. Busque-a, e encontrarás um nobre tesouro”. (Three Principles, IX.1).

Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 76

Maurice Nicoll: Tesouro Oculto

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