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DEUS TRANSCENDENTE

Christophe Andruzac: RENÉ GUÉNON, A CONTEMPLATION MÉTAPHYSIQUE ET L'EXPÉRIENCE MYSTIQUE

A experiência nos revela que de uma maneira por assim dizer universal a inteligência humana vai utilizar um certo número de procedimentos artísticos para melhor se exprimir. O mais corrente é o emprego do superlativo, em seguida o recurso à hipóstase. Um outro procedimento consiste na utilização da negação — especialmente a negação dos modos de ser ligados ao mundo corporal: se dirá do Ser Primeiro (descoberto pela Sabedoria Metafísica finalizando a Noções Filosóficas) ou de Deus (conhecido e adorado nas tradições religiosas) que é in-finito, i-material, in-temporal, im-penetrável por nossa inteligência, etc. Mas a inteligência é capaz — a experiência revela abundantemente — de utilizar um procedimento artístico ainda mais elaborado (logo mais distante da experiência imediata, do «bom senso»): negar pura e simplesmente no Ser Primeiro (ou em Deus — não diferem senão segundo nossa maneira de conhecer) os modos de ser que lhe são específicos para melhor pôr em valor sua transcendência, o que leva a considerar que o divino é tanto mais afastado de seus próprios modos de ser que nossa inteligência está afastada da plena penetração e da expressão adequada destes modos de ser. É muito precisamente este esforço da inteligência conduzido em uma perspectiva contemplativa que designamos pelo termo técnico de «Sabedoria Apofática». Este procedimento sendo muito amplamente disseminado nas doutrinas do Oriente, assinalemos simplesmente alguns autores ocidentais característicos: Dionísio o Areopagita, Plotino, Mestre Eckhart.


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É possível distinguir dois aspectos na divindade: o Deus oculto e o Deus revelado. Deus em sua transcendência absoluta — ou na terminologia de nosso autor, «Deus de Seu lado» — escapa totalmente a nosso entendimento. Nós não podemos O nomear de nenhum Nome, e mesmo a designação de En-Sof In-finito), não dá conta de sua essência. Pois em verdade o Deus transcendente é não somente in-finito, sem fim, mas igualmente sem começo. Em o designando por En-Sof, queremos significar que a compreensão que Dele temos não é jamais senão um começo — não há fim para uma visão humana de conceber o Infinito.

«A essência do En-Sof é dissimulada mais que todo segredo e não se deve nomeá-lo com nenhum Nome, nem mesmo YHWH (Tetragrama)». Nossa concepção de Deus se limita a Sua associação ao mundo — «Deus de nosso lado» —, tal como Ele se revela a nós através do mundo dos Sefirot, aquele da Emanação. A essência absoluta de Deus nos escapa na medida mesma onde ela se revela.

A oração se compreende a partir deste paradoxo, a partir da contradição que opõe «Deus de nosso lado» — e deste ponto de vista tentamos ascender a hierarquia dos mundos — e «Deus de Seu lado», que permanece não afetado pelo fato de sua associação aos mundos. Apesar da relatividade de nossa linguagem tomada emprestada a nossa experiência, nossa oração pode e deve ser exclusivamente dirigida a En-Sof, o Infinito em seu absoluto. A orientação de nosso coração deve ser dirigida para En-Sof, em se referindo à vontade divina de se associar aos mundos.

Neste segundo estado, é de nossa experiência de um Deus ligado aos mundos, cuja força é ativa mas oculta, que partimos para nos elevar a partir dela para a visão infinita do Deus Transcendente.

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