No conhecimento racional, um dos elementos determinantes, necessários para que o conhecimento sensível tenha lugar, desaparece.
O meio (medium) deixa de desempenhar um papel.
A razão vai diretamente a seu objeto.
Não resta, portanto, mais do que examinar o papel respectivo dos dois termos: o sujeito e o objeto, e, uma vez mais, ver-se-á quão grande é o papel do sujeito.
É este último quem raciocina, quem compreende, quem julga.
Mas o juízo está no que julga (judicium est in judicante), não no que é julgado (non in judicato), e ninguém negará que o juízo não é subjetivo.
O que parece bom ou mau a um lhe parece o contrário a outro, etc.
Além disso, ninguém negará que o juízo ou o pensamento é uma atividade; é preciso, com efeito, que a razão dê seus passos, compare, analise, preste atenção, conte, calcule.
É preciso também que a razão contenha já em si os elementos necessários que o raciocínio e a compreensão pressupõem.
Quando se nos fala de algo, não são os sons das palavras que nos comunicam as noções das coisas.
Para compreendê-los, é preciso saber de antemão o que as palavras significam.
Quando se nos explica algo que ainda não conhecemos, somos nós mesmos que, com os elementos que possuímos, construímos um sentido, um juízo, um pensamento.
Somos, portanto, nós quem conferimos um sentido determinado às palavras: por isso, várias pessoas que leem um mesmo texto o compreendem de maneira diferente.
É o sentido que elas introduzem na leitura que é diferente.
Se fosse o objeto o único ativo no ato do conhecimento racional, todo o mundo estaria sempre de acordo e não haveria tantas polêmicas sobre a interpretação das Escrituras, tantas discussões e heresias como agora.