Maistre admite que, embora nada nos falte para a salvação, o mesmo não ocorre do lado dos conhecimentos divinos, antecipando revelações futuras e admitindo formalmente a ideia de esoterismo como ensinamento parcial reservado a um pequeno número de iniciados.
Deus não se interditou de toda nova manifestação, e há o direito de escrutar os mistérios e buscar além do dogma estrito um conhecimento aprofundado.
Maistre crê em leis mais ou menos incognoscíveis e em ações secretas que se operam “no mundo sem nosso conhecimento”, em vez de invocar o acaso.
O Mémoire inédito a Brunswick é inteiramente baseado na tese esotérica.
Maistre se considera, em suas relações com os franco-maçons e os místicos de seu tempo, sempre como um iniciado — e mesmo como um iniciado superior, tendo ultrapassado o terceiro grau, cujo objetivo supremo é a ciência do homem com seus “conhecimentos sublimes”.
Afirma saber dizer, sem revelar os mistérios, “mil coisas perfeitamente claras para os adeptos e totalmente ininteligíveis para o restante dos homens.”
Nos escritos publicados por ele há apenas discretas alusões à tradição oculta e à sua própria iniciação.
Mesmo nos papéis pessoais, ele segue o conselho de seus “irmãos” e o de Platão, e jamais confia à escrita os arcanos reservados.
O pecado contra o espírito, aquele para o qual não há perdão, é a apostasia absoluta — o blasfemo puro do iniciado que, após ter recebido dons e conhecimentos supra-celestes, torna-se adversário de Deus por um princípio de ódio contra a verdade.
“O homem que tiver desconhecido o
Pai e falado contra o
Filho ainda pode experimentar a misericórdia divina, mas não haverá graça para o inimigo do espírito.”