A criação dessas entidades consistiu em uma emanação de energias e de seres racionais, semelhantes a Deus e ao mesmo tempo distintos Dele, os quais devem apenas a Ele suas vidas e felicidades.
Cada um dos espíritos foi criado para ser o porta-voz da divindade, pronunciando incessantemente as palavras Amor, Verdade, Sabedoria, Bondade, Justiça e Harmonia.
Todos os
anjos são definidos como virtutes coelestes ou potentiae coelestes.
O recebimento de ideias por parte dessas entidades ocorre por intermédio de objetos não submetidos a mudanças.
Esse processo se realiza não pela mediação dos sentidos que percebem um fenômeno, mas por meio do espírito que percebe verdades.
O
anjo permite a entrada em si daquilo que é durável, repelindo o que é sujeito a alterações.
Os
anjos possuem uma visão simultânea das coisas que os seres humanos só conseguem visualizar de forma sucessiva, de modo que o homem pode ver o que está no mundo dos espíritos, mas o
anjo vê o que está na luz e no espírito de Dios.
As ideias de todas as perfeições possíveis estavam destinadas, desde a origem, a se realizarem nos
anjos, para os quais a atividade própria, a vontade, a inteligência e a memória constituíam uma única e mesma faculdade.
A compreensão desse panorama revela como o pensamento eterno preenche cada espírito com uma deliciosa felicidade que um dia pertencerá aos
bem-aventurados, da qual somente um espírito pode fruir no espírito, sem poder expressá-la por palavras sensíveis.
Houve um tempo em que existia apenas luz, a noite não se seguia ao dia e a luz não gerava um fogo devorador.
A possibilidade do fogo e da noite existia naquele momento, embora não estivesse realizada.
Luz e fogo formavam uma mesma coisa, sendo as inteligências os receptáculos da luz e os tipos da imagem luminosa manifestada.
A tarefa desses seres consistia puramente em deixar agir em si mesmos a divindade, que é a fonte da luz.
Lúcifer, receptáculo de todas as energias espirituais e portador da luz da imagem luminosa divina, era o próprio centro da bondade de Deus e o espelho sobre o qual se depositava plenamente a impressão de Sua luz para agir novamente sobre os outros seres.
Deus movia suavemente Sua luz no seio desse universo luminoso, pois Sua bondade e Seu amor suavizavam o fogo devorador de Sua essência.
O que
Lúcifer recebia da fonte de luz era puro e devia ser comunicado por ele, consecutivamente, aos demais espíritos.
A finalidade de
Lúcifer era postar-se no centro da unidade para servir de meio — ou seja, para impedir que a luz se transformasse em fogo e queimasse a criatura.
Questiona-se qual ser, mesmo angélico, seria puro diante de Deus, ou quem seria capaz de contemplá-Lo se Sua bondade não abrandasse o fogo devorador.
O princípio original divino, considerado como energia primeira, age somente segundo uma ordem eterna e imutável.
As outras energias podem agir de acordo com a ordem ou contra ela, sendo classificadas como boas ou más, embora as primeiras sejam consideravelmente mais poderosas do que as segundas.
Essas energias constituem os espíritos que obedecem às leis eternas da natureza, leis estas que também podem ser conhecidas pelo sábio, permitindo-lhe entrar em relações com espíritos que obedecerão aos seus comandos, sendo essa a perspectiva com a qual se deve considerar a magia, com a dignidade que lhe é de direito.
A percepção direta que se pode ter desses espíritos talvez seja unicamente uma questão de perspectiva, conjecturando-se, ao citar Asmus, que um dia será encontrada a lente que permitirá olhar diretamente para o reino dessas entidades.
Nos Esclarecimentos sobre a Magia, aceita-se guiar o leitor com a condição de que este tente penetrar com um coração sincero no mundo dos espíritos, visto que o comércio dos homens com seres superiores integra a alta ciência.
Esses seres e energias espalhados fora do homem não se manifestam senão por suas ações, de acordo com a receptividade humana.
Os espíritos cercam a humanidade e, da mesma forma que os elementos sustentam o corpo, eles sustentam as forças espirituais da alma e se assimilam ao ser humano, sempre prontos a conceder suas influências benéficas.
Apenas o zelo pelo reino da verdade torna o homem capaz de conhecer as possibilidades desses espíritos.
Deus enviou aos homens, em todos os tempos, tais agentes celestes, que se mostram sempre prontos a servir ao ser humano por participarem de modo muito terno do seu destino.
Graças a esses agentes, o homem pode rejuvenescer e participar da vida do infinito.
A contemplação dos
anjos é possível desde este mundo terrestre, fato sobre o qual a escritura fornece as provas mais formais.
Para alcançar tal estágio, faz-se necessário purificar-se e caminhar com sinceridade nos caminhos do senhor.