A inteligência desprovida de pureza não constitui inteligência autêntica.
O aprofundamento da liturgia deve ocorrer sob o aspecto ritual, cujos pontos mais altos se encontram na oblação, na consagração e na comunhão.
O ritual litúrgico constitui um conjunto vivo em que cada gesto, por mais insignificante que pareça, carrega a significação da totalidade, de forma análoga à presença integral da alma no menor cabelo de um ser vivo.
O conhecimento da própria tradição judeo-cristã em sua integridade representa o único meio legítimo para alcançar o sentido mais profundo da liturgia.
A afirmação sobre a legitimidade do meio não visa limitar o campo de pesquisa, mas impedir que a investigação seja encerrada nos limites estreitos da mera erudição.
A comparação de símbolos e ritos com outras tradições, como a da Índia, do mundo grego-romano ou do Islã, serve apenas para satisfazer a curiosidade.
O acúmulo de conhecimentos resultantes dessas comparações históricas não contribui para a inteligência da própria tradição.
A tradição possui em si mesma todas as possibilidades de conhecimento real, termo que designa a união entre sujeito e objeto.
O conceito de conhecimento real define-se de forma mais clara como conhecimento unitivo.
O método regular baseia-se na equivalência entre a palavra regra e o rito, além do sentido etimológico de metahodos como o caminho que conduz para além.
O método adotado garante a virgindade e a fecundidade da inteligência no campo tradicional.
A inteligência humana, quando desvinculada da inteligência divina, reduz-se a uma forma caricatural.
A inteligência necessita estar inserida em um corpo tradicional para não se desumanizar.
A tradição garantiu a autenticidade de todo o ensinamento dos Padres e Doutores da Igreja.
Platão e Aristóteles, entre outros pensadores, figuram como elos de uma tradição real, mesmo quando associados ao platonismo ou ao aristotelismo.
A discussão sobre influências históricas entre tradições mostra-se inviável, pois essas trocas ultrapassam o plano factual e ocorrem em nível esotérico e incontrolável pelo exterior.
O aprofundamento nesse domínio revela a unidade originária das diferentes tradições, o que difere de um mero intercâmbio de ideias.
A tese de uma influência do platonismo ou do neoplatonismo sobre a tradição hebraica é considerada superficial, pois existe a possibilidade de uma influência em sentido inverso.
O alfabeto grego originou-se de uma tradição semita, conforme demonstra a análise das letras.
A comparação com o alfabeto hebraico indica que este possui uma hieroglifia própria, em que cada letra tem um significado específico da língua hebraica.
Os nomes que os gregos atribuem às suas letras foram emprestados do alfabeto hebraico, embora tenham perdido o significado original.
A comunicação em períodos antigos ocorria de maneira mais fácil e consistia em uma união no ser, diferenciando-se de uma troca de bens materiais.
O termo inteligência significa ler graficamente o interior, indicando uma interioridade de ordem ontológica e não psicológica.
O ato próprio da inteligência é unitivo por implicar a união real entre sujeito e objeto, além de se reportar ao Um contido na noção de universal, que é o sentido verdadeiro do termo católico.
O objeto próprio do ato da inteligência católica é o universal, que expressa a ideia de que o alcance do núcleo transcendente às realidades singulares permite referi-las ao universal, portador da inteligibilidade das coisas.
A relação com o Um na tradição rabínica exige um movimento de ida e retorno, de descida e subida, expresso pelas noções de bênção, ou berakah, e de retorno, ou teschubah.
O termo hebraico para bênção carrega em si a palavra bara, que significa criar.
A bênção faz com que as coisas existam, enquanto a resposta do retorno, que constitui o amém das coisas, faz com que elas se conformem ao seu ser na inteligência divina.
A concepção de uma metafísica cristã depende da referência contínua a uma metafísica judaica.
A inteligência ritual enfrenta a dificuldade de o rito constituir um gesto-símbolo com suporte no sensível, enquanto a inteligência se situa além do sensível.
O ato de inteligência funciona como o prolongamento do rito, que por ser gestual é movimento.
O movimento iniciado no sensível prolonga-se analogicamente no ato de inteligência, cujo significado de ler no interior sugere a penetração do exterior para o interior.
Na tradição hebraica, esse movimento ascendente permite que a inteligência alcance a inteligência divina, denominada binah.
A inteligência salva o gesto de sua pura temporalidade para fixá-lo na duração própria do intelecto, que está acima do tempo e recebe o nome de eviternidade.
O idioma hebraico constitui a língua sagrada da tradição judéo-cristã, elemento necessário a toda tradição integral.
As línguas grega e latina atuais não possuem as qualidades suficientes para receber a designação de língua sagrada.
O hebraico está subjacente nos
Evangelhos, nas cartas de
São Paulo e no Apocalipse de São João.
O conteúdo da língua sagrada transparece na linguagem teológica dos Padres da Igreja.
A liturgia cristã apoia-se de modo integrante no hebraico, evidenciando uma continuidade perfeita em que os ritos cristãos se aproximam dos ritos e símbolos judaicos.
A eliminação de gestos e expressões linguísticas na reforma litúrgica decorre da ignorância quanto ao sentido dos ritos e da língua sagrada.
A busca por adaptação ao homem moderno esteriliza a inteligência e elimina o sagrado, substituindo-o por uma religiosidade horizontal.
A liturgia torna-se inexistente quando se adapta a um humanismo fechado, pois sua essência envolve a elevação e a adaptação às realidades divinas.
O conceito de humanismo estreita-se ao ponto da desumanização, caracterizada pela incapacidade do homem de ler o interior e pela adaptação ao que há de desumano em si mesmo.
A adaptação seria um ato heroico se houvesse a consciência de que se trata de uma descida aos infernos da qual o homem deve ser retirado rapidamente.
O drama consiste na tentativa de persuadir o homem de que o seu inferno corresponde ao paraíso.
O símbolo e o rito situam-se no plano ontológico do ser, agindo como algo superior a um mero auxílio para a compreensão de realidades.
A abordagem da inteligência na perspectiva judéo-cristã remete ao conceito de inteligência divina na tradição judaica, oposto a uma projeção psicológica e antropomórfica.
A compreensão da inteligência divina a partir da tradição auxilia na libertação da inteligência humana em relação aos preconceitos psicológicos contemporâneos.
A inteligência divina é denominada binah na tradição judaica e procede da sabedoria eterna.
A inteligência divina comporta-se como a esposa em relação ao esposo, que é a sabedoria, ou chokmah.
O termo chokmah é chamado de pai, enquanto binah, a inteligência, é chamada de mãe.
A noção de maternidade encerra as virtualidades criadoras, situando a inteligência divina no nível ontológico como a vida do mundo vindouro.
A presença da tradição judaica na liturgia cristã manifesta-se no credo por meio da afirmação sobre a crença na vida do mundo vindouro.
A expressão mundo vindouro situa o judeu consciente no espaço materno da inteligência divina.
A distância entre o homem moderno e o judeu praticante do aspecto ritual mostra-se quase infinita.
A criatividade no contexto tradicional significa a participação na criatividade divina, afastando-se da mania inventiva contemporânea.
A distância entre o exégeta moderno e o judeu instruído evidencia-se na passagem bíblica que afirma que a sabedoria edificou a sua casa e entalhou as suas sete colunas.
O exégeta moderno interpreta a passagem dos Provérbios de forma poética e ornamental, sem extrair proveito espiritual ou mensagem para os fiéis.
Essa atitude mascara um desprezo frequente em relação à maior parte da palavra de Deus.
A frase bíblica sobre a casa da sabedoria insere o judeu instruído no próprio coração de Deus em termos rituais, e não psicológicos.
O termo binah significa inteligência e também edifício, enquanto a raiz bin significa meio ou entre.
A afirmação de que a sabedoria construiu uma casa indica que a inteligência decorre da sabedoria.
Da casa decorrem as sete emanações, ou sephiroth, que formam o princípio e o arquétipo de todas as coisas.
Tudo emana dessa casa e a ela deve retornar, sendo ela a morada do pai.
A palavra transforma-se em gesto e rito, que constitui o único método legítimo na liturgia.
A legitimidade da criatividade depende da fidelidade ao conteúdo da palavra divina e à tradição.
As antinomias contemporâneas derivam da ignorância humana, que deve ser reconhecida com humildade por pastores e fiéis.
O texto evangélico de Lucas adverte os doutores da lei por terem retirado a chave da gnose, impedindo a entrada daqueles que a buscavam.
O versículo deve inspirar temor e servir como núcleo para o senso de responsabilidade.
O versículo sobre a chave da gnose situa-se no nível do símbolo, método válido para alcançar uma teologia verdadeira.
A chave representa o eixo do mundo, a letra vav, o homem em sua totalidade que une o céu e a terra, ou o Cristo como o único Adão perfeito visto sob o modo místico.
O símbolo e o rito libertam o homem do subjetivismo, do racionalismo e dos modos históricos ou filosóficos.
As antinomias entre ação e contemplação, ou silêncio e palavra, perdem o sentido diante da realidade do rito e da palavra tradicional.
O rito constitui uma ação contemplativa.
A palavra apresenta-se repleta do silêncio divino, sendo esse o motivo do dom da fala ao homem.
Fora dessa perspectiva, a palavra transforma-se em fonte de discórdia e barulho semelhante ao das armas.
A palavra vista sob o ângulo tradicional atua como comunhão, e não apenas como comunicação.
A inteligência de caráter tradicional introduz o homem na sabedoria, enquanto a inteligência profana é capaz apenas de produzir cientistas.
O mundo contemporâneo prioriza a formação de cientistas em detrimento do conhecimento ritual.
Meios sociais de trabalhadores e artesãos sofrem de complexo de inferioridade e sacrificam-se para que os descendentes escapem de seu meio de origem.
Essa atitude ignora o rito e o gesto que realizam o homem em sua totalidade de ser espiritual.
O ofício de oleiro manifesta um aspecto profundamente tradicional que ultrapassa as intenções ecológicas ou marginais atribuídas aos jovens que o praticam.
O interesse pela olaria corresponde a uma busca pela dimensão real do homem.
A sociedade atual revela-se marginal em relação ao que constitui verdadeiramente o ser humano.
O jovem percebe que o gesto conduz a um saber prático que viabiliza a vida, distante das abstrações.
A exposição de conceitos metafísicos e cosmológicos permite identificar as raízes do ofício de oleiro.
O gesto do oleiro funciona como o símbolo e o análogo do gesto daquele que formou o homem e fez dele uma forma.
O aspecto formal constitui a revelação e a apresentação do informal, que representa o lugar da sabedoria insondável.
Ser forma significa ser sustentado por essa sabedoria, o que torna o homem um mistério.
A vocação para o ofício consiste no eco silencioso da voz que criou a luz no início do mundo.
Ouvir essa voz transforma o homem em um instrumento musical perfeito.
A terra representa a matéria essencial para o oleiro, tornando necessário o estudo de seu simbolismo tradicional.
O início do livro do Gênesis utiliza dois termos distintos para designar a terra: haaretz e haadamah.
Nos primeiros capítulos, aretz indica as virtualidades de baixo, contrapostas às virtualidades de cima chamadas de céu, ou haschamaim.
O termo aretz aplica-se enquanto não se trata do homem cultivador.
O texto bíblico pontua que a divindade não havia feito chover sobre a terra, aretz, e não havia homem para cultivar o solo, adamah.
Uma exalação subia da terra, aretz, e umedecia a superfície do solo, adamah.
O termo adamah difere do solo físico atual, assim como os céus do Gênesis diferem do céu observável na atualidade.
A noção de semelhança remete ao Zohar, que ensina que a terra foi tomada debaixo do trono glorioso e sagrado.
O livro de Rabi Yessa, o Velho, afirma que a terra foi retirada do santuário, que representa uma terra de cima.
O Zohar menciona, a respeito de Adão, a imagem de um homem sobre o trono em Ezequiel.
A divindade é designada sob o nome de Adão por constituir a síntese e a perfeição de todas as coisas.
Esse contexto explica a ordem bíblica para fazer o homem à imagem e semelhança divina.
O termo aretz é utilizado no primeiro capítulo do Gênesis por indicar que a terra encontrava-se em potência na divindade.
A diferenciação entre os dois primeiros capítulos do Gênesis não decorre de fontes eloístas e javistas, mas de mundos distintos.
O primeiro capítulo trata da criação, o mundo de beriah, que representa a concepção do mundo no princípio.
O segundo relato refere-se ao mundo de yetsirah, ou mundo da formação, que funciona como a revelação do conceito contido no princípio.
Na estrutura rabínica, a emanação mais baixa de um mundo superior coincide com a mais alta do mundo inferior.
Essa interconexão garante a continuidade e a presença mútua entre os quatro mundos: o azilútico, o de briah, o de yetsirah e o de asiah, que é o mundo da ação.
O princípio é imanente em tudo, excluindo a ideia de distanciamento.
O conceito de segredo atua como um fator mais unificador do que a continuidade temporal.
A continuidade envolve a ideia de exterioridade, em que o ontem deixa de existir no hoje e este ainda não constitui o amanhã.
A tradição rabínica expressa a unidade por meio do termo Dia Um, frequentemente traduzido de forma exterior como primeiro dia.
A formação do homem a partir da poeira do solo introduz a noção de segredo associada à poeira, denominada aphar em hebreu.
As alusões no livro de Jó ao homem que escava uma mina não se referem a uma descida subterrânea física em busca de tesouros, mas a um movimento em direção ao alto.
A raiz gar significa praticar uma abertura estreita.
A expressão traduzida como longe das habitações é interpretada por Ezra de Gerona como a partir do ponto de jorramento.
O manuscritor de Oxford utiliza o termo miqedem, significando a partir do Oriente ou primordialmente.
É preferível seguir o manuscrito a aceitar a correção que propõe a palavra fonte.
A análise do termo terra em Jó sugere uma potencialidade ligada ao local de início da palavra e do impulso da vontade.
Desse ponto procede a suficiência de todas as coisas, a fonte de vida e a satisfação das necessidades dos seres superiores e inferiores.
O pão compreendido nesse sentido é traduzido na Vulgata por São
Jerônimo como pão supersubstancial.
O Livro Bahir atribui ao verbo criar um primeiro complemento implícito que representa a totalidade das necessidades do Todo antes da menção a Elohim.
A tradição de Gerona vincula as necessidades do Todo à segunda emanação, chokmah, e Elohim à terceira, binah.
O minerador mencionado no livro de Jó representa o homem em busca da sabedoria, que encontra ninhos de safira e poeira de ouro.
O trono do Altíssimo é feito de safira, e a poeira de ouro corresponde à luz que procede da sabedoria.
O homem foi formado a partir dessa poeira de luz antes da queda.
A condenação divina que determina o retorno do homem à poeira não significa o aniquilamento final.
A morte funciona como sacrifício e transformação.
Pela medida do julgamento, a poeira do solo recuperará a sua natureza de poeira de luz, base do mistério da ressurreição.
O exercício de um ofício, como a olaria, atua como um ato profético que prefigura a transformação da terra pós-queda na terra anterior à queda.
O plural da palavra poeira em hebreu pode ser pronunciado como aphereth e designa o chumbo.
A doutrina tradicional indica que o chumbo oculta o grande tesouro da sabedoria, relacionando-se com a afirmação de que o Senhor fundou a terra pela sabedoria.
O chumbo recebe o nome místico de tudo por esconder o sistema do universo inteiro.
A figura geométrica do chumbo alquímico é composta por um círculo inferior e quatro elementos cujos ângulos coincidem em um só ponto, indicando a origem do quaternário nos elementos, letras ou mundos.
No chumbo estão ocultos os quatro elementos dos sábios: o fogo ou enxofre, o ar que separa as águas, a água e a terra.
O cálculo numérico do termo associado ao Nome Santo resulta no valor correspondente à palavra chumbo.
O planeta correspondente a Saturno deriva da palavra repouso, ou shabbath, princípio onde se oferece o descanso.
A grande obra não consiste na transformação do chumbo em ouro, mas em um despojamento que permite localizar o ouro oculto pelo chumbo, que atua como casca.
O mesmo princípio aplica-se às letras, em que a sabedoria é encontrada no silêncio interior de cada caractere.
Nos mundos, o despojamento visa encontrar a fonte comum no mundo vindouro.
O conceito de transformação deve indicar o superamento da forma para alcançar o informal simbolizado por chokmah.
A passagem entre formas exige a continuidade da matéria-prima, enquanto a transformação tradicional supõe uma matéria-prima de cima que reside na sabedoria e constitui o segredo.
A terra de baixo constitui a matéria-prima marcada pela quantidade, ao passo que a terra de cima representa a matéria-prima marcada pela qualidade.
O simbolismo do torno, principal ferramenta do oleiro, conecta-se ao termo hebraico yotzer, que designa aquele que dá forma.
O vocábulo sugere a correspondência entre o ofício e o mundo de yetsirah, ou mundo da formação.
O torno é denominado abenaïm, forma dual que indica duas pedras: uma pedra em cima e outra embaixo.
A pedra de baixo liga-se a malkuth por ser movida pelos pés.
A pedra de cima corresponde ao trono do Deus Altíssimo, talhado em relação ao mundo de yetsirah, vinculando a pedra ao paraíso e à terra de cima.
O torno do oleiro equivale numericamente ao termo jardineiro, possuindo o valor de cento e três.
O termo obra no texto de Jeremias corresponde a malakah, derivado de malak, que significa
anjo.
A obra tradicional atua como meio de realização espiritual para reintegração no estado primordial, considerado angélico para o Adão primordial.
O termo abenaïm também designa a pedra utilizada para o parto pelas mulheres de Israel, relacionando o nascimento físico à segunda birth da reintegração.
A realização da obra no torno confunde-se com a realização do próprio homem.
A menção ao oleiro por seis vezes no texto de Jeremias corresponde às seis emanações do edifício.
A obra e o homem constituem um edifício indissociável.
O termo vaso possui consonância com a palavra cálice e tem o valor numérico de sessenta, indicando a presença da plenitude das emanações em cada parte do edifício vivo.
O vocábulo deriva de uma raiz que expressa a totalidade na unidade, cujo valor de cinquenta se relaciona ao retorno em direção à unidade em binah.
O valor de sessenta para a palavra vaso indica o retorno através da porta estreita que dá acesso à sabedoria simbolizada pela letra yod.
O conceito inclui a ideia de ocultamento e segredo, pois o todo é mantido pela presença secreta da sabedoria.
O segredo representa o vinho contido no cálice.
O estudo da lei envolve uma ordem interior associada à beleza e ao ato de girar ao redor para examinar.
A interpretação do texto sobre a entrega do espírito nas mãos divinas relaciona as mãos à Árvore da Vida no Zohar.
A lei é denominada Árvore da Vida, e sua meditação constante exige mais do que uma atividade puramente cerebral.
O Zohar compara a noite à árvore do mal que estende os seus ramos.
O estudo constitui a adesão pela qual o sábio retira o sustento da Árvore da Vida.
As mãos do Senhor na oração noturna correspondem à Árvore da Vida, povoada por
anjos que instruem o espírito.
O número de dedos nas duas mãos representa as dez emanações, em que a mão direita associa-se à ação e à emanação malkuth, e a esquerda liga-se a binah, conforme analogia no Cantique dos Cânticos.
A estrutura das mãos reproduz as letras do Nome Sagrado e do grande semblante.
As duas mãos unidas significam a integração do todo no Um, onde a mãe universal serve de porta para a sabedoria e para a coroa.
O simbolismo fundamenta o mistério do coroamento da Virgem em seu sentido escatológico.
O simbolismo das mãos unidas em relação ao Nome Sagrado baseia-se na contagem das falanges.
A contagem a partir do polegar resulta no número treze para cada mão, valor que expressa a unidade.
As duas mãos somam vinte e seis, valor numérico do Nome Sagrado.
No rito da elevação das mãos, a escrita por extenso das quatro letras resulta em vinte e oito letras, correspondendo às vinte e oito falanges visíveis.
As falanges dos polegares carregam a letra he escrita por extenso.
A elevação das mãos por Moisés durante a batalha contra Abimeleque determinava a vitória de Israel.
O número vinte e oito corresponde também à palavra hebraica para força.
As mãos funcionam como os dois pratos da balança suspensa ao princípio, onde os pratos equivalem à letra kaph e o princípio à letra yod, resultando no valor cinquenta ligado ao retorno e à justiça.
A união gráfica das letras forma a palavra boca, indicando que a mão fala.
A leitura das mãos afasta-se da adivinhação vulgar e reúne o sistema planetário no interior da mão.
O monte sob o polegar corresponde a Vênus; o do indicador, a Júpiter; o espaço intermediário, a Marte; o do dedo médio, a Saturno; o do anular, ao Sol; o do mínimo, a Mercúrio; e o monte inferior oposto, à Lua.
O paralelo entre as mãos e os planetas demonstra a ligação entre o macrocosmo e o microcosmo.
A definição de arte abrange toda obra manual humana como a imitação da natureza em sua operação.
A visão tradicional do trabalho liberta o homem do estado de não-lugar, que define o inferno e a pura existência individual.
O Inferno de Dante retrata os homens amarrados de costas, impossibilitados de contemplar um semblante.
O isolamento representa a existência bruta do indivíduo que se dissolve em multiplicidade pura, conforme a menção demoníaca sobre ser legião.
O termo Belzebu significa o deus das moscas, que se multiplicam sobre a corrupção.
Os gestos cotidianos e as danças sagradas encerram segredos nas posições das mãos e dos dedos.
As mãos e os dedos desempenham papel análogo na liturgia.
As mãos do celebrante correspondem ao Nome Sagrado indicado por dois yodin.
O rito da elevação das mãos e da bênção preserva o sentido no rito cristão, exigindo que o sacerdote estenda as mãos de modo que uma face olhe para a outra.
As dez emanações estão presentes em cada mão porque o valor de yod é dez.
O sacerdote une as mãos ao concluir a oração na unidade do
Espírito Santo para operar essa unidade.
O antigo ritual prescreve o uso das duas mãos para indicar ação ou repouso ao manusear o cálice ou o missal, mantendo uma das mãos no altar ou sobre o coração.
O gesto de unir o indicador e o polegar após a consagração, desaparecido no novo missal, possui justificativa simbólica além do respeito material pelas espécies.
Os dedos desenhavam os caracteres do nome divino Shaddai, em que o polegar indica o yod, o indicador sugere o daleth e os demais dedos formam o schin.
A leitura inversa do nome remete à mão que produz as três colunas da árvore das emanações.
O yod representa a sabedoria e o daleth constitui a porta ou a mãe que gera as outras emanações.
A mão relaciona-se ao conhecimento real na atividade laboral, na arte e na liturgia.
O termo hebraico para conhecer é composto pelas palavras mão e olho.
A mão vê e o olhar toca, configurando um conhecimento ontologicamente concreto que une o conhecedor e o conhecido.
Propõe-se a abertura das portas da inteligência divina a todos, e não a um grupo restrito de eruditos.
O ensinamento proposto pertence à tradição e pode ser assimilado por pastores.
A vivência intensa da tradição transforma o ser além da argumentação racional, gerando palavras e comportamentos que encontram o Absoluto na função de mediador.
A redução da inteligência à dimensão psíquica gerou confusão no campo da vida espiritual no mundo moderno.
A mentalidade contemporânea falha em distinguir o psíquico do espiritual, ao contrário das tradições grego-romanas e da tradição hebraica.
A tradição hebraica divide a alma em três níveis: nephesh, o princípio vital imediato; ruach, que rege o domínio psíquico e a razão; e neshamah, que constitui o Espírito.
A imagem de um triângulo representa a estrutura, onde a base é nephesh, o conteúdo interno é ruach e o vértice superior é neshamah.
A tradição grega adota os termos
psyche,
pneuma e nous, enquanto a latina utiliza anima, spiritus e mens.
São Paulo diferencia o homem espiritual do homem psíquico na Primeira Carta aos Coríntios, afirmando que o homem psíquico não acolhe o que é do Espírito de Deus.
O entendimento do texto paulino requer o alinhamento das analogias vocais dessas três tradições.
O conceito de nó noético descreve duas entidades distintas que se enlaçam de forma recíproca.
Evita-se a aproximação puramente fonética entre nous e dar nós, embora ocorra uma imbricação real.
O nous não constitui apenas um nível superior para contemplar o que está abaixo.
O nous representa o topo e o local de encontro, de modo semelhante ao encontro de Moisés com a divindade no topo do Monte Sinai, marco inicial da história humana.
O vértice não encerra apenas o esforço de subida, mas inaugura um novo começo.
A reflexão sobre o dilema entre abolição e conversão indica que, na tradição judaica, ver a Deus equivale a morrer.
O nous funciona como um nó em cuja complexidade não se separa a contribuição de cada corda.
O enlace manifesta a união entre o espírito criado e o espírito incriado.
A separação das cordas atende apenas ao conforto lógico, mas destrói a síntese do nó.
O abraço ocorre de modo íntimo por não se tratar de um nó físico.
O nó constitui o ponto transcendente onde o infinito se faz presente como interpresença.
A fronteira entre o criado e o incriado oculta-se no segredo, espaço que pode ser denominado supraconsciente.
As palavras de Cristo a Pedro sobre o poder de ligar e desligar na terra e no céu transcendem o âmbito jurídico e correspondem ao nó noético de neshamah.
O nome Petrus possui origem hebraica e significa aquele que abre, associando-se à entrega das chaves por Cristo.
O conceito de leitura tradicional afasta-se da mera apreensão racional de dados.
O verbo ler em hebreu significa também criar, invocar, encontrar e ir em direção a algo.
Transpor a inteligência para o contexto hebraico significa ingressar no coração das coisas.
O ato de inteligência atualiza a voz oculta sob a letra no interior do leitor.
A leitura do Nome de Deus significa ingressar no espaço do Nome e torná-lo presente no coração.
Ler no interior significa descobrir o Nome Sagrado de Deus em cada palavra e letra.
A realização espiritual consiste no desdobramento do Nome em cada indivíduo, movendo-o da existência literal em direção ao Ser.
A expressão bíblica sobre o arrependimento divino indica a absorção do Nome Divin na sua origem, onde o homem pecador não está.
As tradições compartilham ideias idênticas, mas diferem nos métodos de realização espiritual, que constitui o núcleo de toda tradição.
O conceito de leitura correlaciona-se aos conceitos de escrita e de livro.
O termo livro em hebreu deriva da raiz escrever, que expressa um movimento descendente, enquanto o ato de ler enfatiza um movimento ascendente.
A leitura inversa do termo remete à ideia de casa e ao seio materno em binah, oferecendo a dimensão da segunda birth.
A análise gráfica de letras específicas aponta para o sentido de princípio.
Outro termo para escrita, sepher, oculta a raiz para bacia ou taça e implica o ato de contar.
Na tradição judaica, não há diferença essencial entre o nome e a letra, pois nomear significa inserir o objeto na ordem universal em relação com o Um.
O conhecimento pleno de um objeto ocorre apenas quando este atinge o estatuto de Ser no movimento da existência.
A frase de Cristo no fim do mundo sobre não conhecer os condenados explica-se por essa estrutura.
A ruptura de relações humanas expressa-se comumente pela frase sobre não conhecer mais o outro.
A passagem bíblica que afirma que o homem conheceu sua esposa baseia-se na noção de união real.
A expressão sobre meditar na lei relaciona-se diretamente com o amor à lei no
Salmo cento e dezenove.
O verbo amar em hebreu possui o valor numérico de treze, equivalente à palavra Um.
Afirmar o amor à lei significa unificar-se com ela.
O termo thorah constitui a palavra-chave da espiritualidade judaica e traduz-se como lei, ensinamento ou instrução.
A menção ao ensinamento materno nos Provérbios designa binah, a inteligência divina.
O conceito de instrução carrega as ideias de estruturação e construção.
Instruir não significa transmitir teorias racionais, mas estabelecer um aspecto ontológico ligado à edificação.
A instrução atua como o ato de dar à luz em um edifício de pedras vivas.
O judaísmo estabelece a distinção entre a tradição escrita e a tradição oral.
A lei escrita corresponde a binah, e a lei oral liga-se a chokmah, a sabedoria.
O termo boca em hebreu representa o vaso que oculta a primeira letra do Nome Sagrado.
A lei oral constitui um ensinamento secreto que flui da sabedoria.
A raiz do termo thorah significa ordem, turno, maneira e gênero, enquanto o verbo correspondente significa girar e examinar.
O termo supera o aspecto jurídico e indica uma ordem interior de caráter orgânico que conduz ao Um.
Estudar a lei significa ordenar-se no interior dessa estrutura que manifesta a beleza.
A beleza é denominada tiphereth, centro das dez emanações correspondente ao coração.
Tiphereth representa o equilíbrio onde os contrários se dissolvem na harmonia ligada ao amor.
O termo em aramaico significa touro, sentido compartilhado pela letra aleph, que resume o Nome Sagrado de valor vinte e seis.
A leitura inversa conecta-se aos conceitos de roda e rito.
O rito define-se como o reconhecimento da ordem e o ordenamento das coisas na beleza.
A inversão do termo thorah expressa o conceito de ordem gerada pela mãe universal, exigindo a leitura correta para a reintegração.
A leitura reversa da letra aleph por extenso revela o sentido de segredo e ocultamento.
A beleza constitui o irradiar perceptível do segredo em cada coisa pela presença de seu princípio.
A passagem do
Salmo cento e dezenove pede a abertura dos olhos para a contemplação das maravilhas que fluem da lei.
O ordenamento inerente à beleza projeta as coisas da existência bruta para o domínio do Ser, onde são conhecidas e relacionadas com o Todo no princípio.
A inteligência insere o homem no espaço onde ele se torna conhecido e conhecedor, integrado na harmonia.
O conhecimento equivale ao nascimento, transformando o homem naquilo que ele conhece.
O símbolo não se reduz a um sinal para a razão descobrir uma realidade oculta.
O símbolo constitui o fruto que nutre e realiza o homem renascido.
A transição do exterior para o interior exige uma iniciação que retire o véu e conceda a capacidade de conhecer.
O conhecimento opera onde as realidades se implicam organicamente e são nutridas pela seiva da sabedoria.
O símbolo deve atuar como alimento para o crescimento do homem novo.
As coisas contêm seu princípio e são carregadas por ele no espaço denominado pardes, ou pomar, pela tradição rabínica.
O homem é plantado como árvore no pomar que o nutre.
A tradição rabínica divide o alimento em leve, simbolizado pelo leite, e sólido, simbolizado pelo pão e pela carne.
O ingresso no pardes requer a saciedade por meio do pão e da carne.
Distinguem-se dois jardins: o inferior, ou de neshamah, e o superior, ou de chokmah.
A doutrina é simbolizada pelo alimento partido e distribuído.
A expressão partir o pão equivale a estudar e meditar, e o verbo comer significa também saber e conhecer.
A comida sólida utiliza a mesma raiz para designar o pão e o corpo ou carne.
O valor numérico do termo indica que o Um está presente nas seis últimas emanações.
A névoa de luz desce da sabedoria para a inteligência e para a bondade.
A fonte em kether gera valores numéricos associados ao conceito de escala.
O número três manifesta-se no seis como expressão do Um.
Os astros criados no quarto dia manifestam a luz primordial, e os quatro primeiros dias correspondem à névoa de luz da qual kether é a fonte.
O número gera a ordem interior pela qual cada coisa recebe o seu nome.
Todo nome integra-se no Nome Divino, sentido do pedido para que o Nome seja santificado.
A raiz do termo para pão significa seiva, força ou frescor verdejante.
O adjetivo opõe-se ao estado seco, relacionando-se à parábola de Cristo sobre o destino da árvore verde e do lenho seco.
O princípio explica a maldição de Cristo à figueira sem frutos.
A Epístola aos Hebreus repreende aqueles que necessitam de leite em vez de alimento sólido, apontando que o leite caracteriza a infância espiritual sem experiência na palavra da justiça.
O alimento sólido destina-se aos homens perfeitos ou maduros.
O homem maduro no sentido espiritual une-se ao esposo da emanação malkuth, que é tiphereth.
São Paulo refere-se a essa união espiritual ao classificar o mistério do matrimônio como grande.
O modelo simbólico constitui a função essencial da inteligência na busca pelo conhecimento real.
O
Evangelho de São João omite o relato da instituição eucarística presente nos sinóticos, inserindo em seu lugar o lava-pés e a oração sacerdotal.
A opção confere à Eucaristia o caráter de arcano.
Existe uma relação estreita entre pão, carne e corpo.
A ligação entre vinho e sangue constitui um mistério baseado em valores numéricos em que a diferença reproduz o valor do Nome Sagrado.
O silêncio do coração permite a aproximação da Presença no arcano, superando as palavras.
O termo para sangue carrega também o sentido de semelhança.
O
Evangelho de São João apresenta uma progressão que liga a escuta da palavra, o Pão do Céu, o Pão de Deus que desce para dar vida ao mundo e a necessidade de comer a carne e beber o sangue do
Filho do homem para obter a vida eterna e a habitação mútua.
A tradição rabínica identifica a lei como a Árvore da Vida, cuja meditação garante a sobrevivência.
A Cruz constitui a Árvore da Vida à qual Cristo está fixado.
A Cruz liga-se à morte e à ressurreição, e o estudo da lei exige a morte de si mesmo para gerar vida.
A advertência de Cristo aos que examinam as Escrituras sem encontrar a vida ocorre porque recusam a morte de si mesmos, mantendo o estudo na superfície sem ingressar na Presença.
A crítica aplica-se a Nicodemos e aos fariseus quanto ao juramento.
O santuário, o altar e o trono divino representam a Presença e correspondem às emanações malkuth, tiphereth e kether.
A ascensão na árvore das emanações indica que tudo deve se transformar no trono de Deus, base da simbologia verdadeira.
O filho da perdição define-se como aquele que perdeu a Deus ao se situar fora de sua Presença.
A lei representa o amor divino na unidade, e a Cruz constitui a revelação do amor que recapitula todas as coisas, unindo a terra ao céu e destruindo a morte.
É necessário conhecer o simbolismo de binah, sua ligação com a sabedoria e o conteúdo indicado no livro dos Provérbios.
A inteligência é denominada Mãe Universal por ser esposa de chokmah, alcançando fecundidade por meio da ciência, que é a língua de cima.
O termo para a construção da casa pela sabedoria liga-se à raiz de binah, indicando o ato de construir.
A raiz comum significa olhar, saber, conhecer e ensinar, sugerindo uma interioridade focada no meio.
A palavra casa deriva da mesma raiz.
As sete colunas da casa correspondem às sete últimas emanações, sendo as seis primeiras o edifício e a sétima a entrada.
O verbo para o entalhe significa escavar ou fender, surgindo no
Salmo vinte e nove a respeito da voz que corta chamas de fogo.
As colunas foram talhadas pela voz da sabedoria, relacionando-se ao chamado de Isaías para olhar para a rocha de onde houve o corte.
As emanações mantêm unidade profunda com a inteligência e a sabedoria.
O edifício constitui um templo vivo, conforme expressão de São Pedro.
O termo coluna deriva do verbo manter-se de pé, denotando a mesma firmeza da palavra amém.
O número sete possui o significado de jurar e integra o termo para o repouso do sétimo dia.
A passagem dos Provérbios sobre o abate do gado e a mistura do vinho possui sentido sacrificial ligado à imolação.
O sacrifício transforma o animal para integrá-lo ao estado angélique.
O ato corresponde ao retorno do homem vestido com peles de animais para o homem revestido de luz gloriosa.
A mistura do vinho significa a introdução do perfume do Espírito e do sentido secreto, dado que o vinho equivale ao segredo.
O perfume e o óleo designam o Espírito, envolvendo o ato de esmagar ou pilar no almofariz antes de misturar.
O Zohar diferencia o bom vinho, que representa a lei, do mau vinho.
A embriaguez pelo vinho da lei garante a participação no mundo futuro e a ressurreição.
O vinho de cima é chamado de Árvore da Vida, tema que ressurge nas Bodas de Caná quanto ao bom vinho guardado até o fim.
Cristo afirma no
Evangelho que não beberá do fruto da videira até o dia do vinho novo no Reino de seu
Pai, sendo o vinho novo a sabedoria.
As palavras de Cristo explicitam o vínculo entre a Eucaristia e o sacrifício da Cruz pela associação comum ao nome de Árvore da Vida.
A transição da representação para a Presença na Eucaristia mostra-se difícil por barreiras dualistas, exigindo às vezes um ato de fé cega.
A Árvore da Vida funciona como o espaço comum entre os dois elementos.
O texto bíblico aborda a preparação e o ordenamento da mesa.
O termo para a inclusão possui valor numérico idêntico ao termo para concentração e recolhimento, pois a beleza exige o estado permanente de recolhimento.
Mudar a ordem significa criar uma estrutura.
A mesa representa tiphereth, a beleza, fonte da ordem e imagem do altar celeste.
O profeta Malaquias menciona a mesa do Senhor, e Isaías refere-se ao altar aceitável associado a tiphereth.
A raiz do termo para mesa significa estender-se, ação realizada por tiphereth nas seis direções a partir do coração.
O modelo reconduz ao sacrifício da Cruz e à relação entre sangue e vinho.
O termo aplica-se também à árvore que estende suas raízes na inteligência, conforme comentário sobre as macieiras no Cântico dos Cânticos.
O terceiro versículo trata do envio das servas para efetuar o chamado no topo da cidade.
O verbo enviar possui o sentido de carregar de uma ordem decorrente da irradiação da beleza.
As servas designam os
anjos e as emanações, que assumem aspecto feminino ao receber de cima e masculino ao influenciar para baixo.
O chamado utiliza o verbo que significa gritar ou nominar, equivalendo a dar um nome.
As coisas existem na medida em que se incorporam na ordem e na beleza.
A expressão sobre o topo da cidade designa kether no ponto superior e a inteligência na haste.
A composição da palavra para cidade abrange a totalidade da manifestação da palavra pela combinação das letras do alfabeto.
A combinação de letras significa a estruturação divina e a composição na beleza criadora, afastando-se da mera vontade humana.
O conceito de jogo de palavras associa-se ao tom sério dos Provérbios sobre brincar e dançar diante da divindade em todo o tempo.
O jogo e a arte compartilham a gratuidade no movimento do ser que cria sentido.
A dança sagrada representa o ordenamento cósmico.
A ausência de arte e dança sagrada em uma tradição sinaliza sua degeneração.
A tradução comum do versículo sobre o simples de espírito constitui uma leitura superficial do termo hebraico.
São
Jerônimo traduziu o termo como pequenino ou criança pobre.
A expressão hebraica aponta também para a mãe binah.
A separação gráfica indica o distanciamento da criança em relação à mãe, situando-a na base da árvore das emanações.
O verbo indica o abandono de um local para aproximação de outro, assemelhando-se ao conceito de retorno.
O termo abrange a noção de instruir ligada à inteligência.
O convite para deixar a base em direção à mãe baseia-se em um termo que encerra as duas letras he do Nome Sagrado, representando a subida da base para o topo.
A ausência de coração define aquele que ainda não alcançou a beleza no espaço do coração.
Nesse ponto localizam-se os trinta e dois caminhos da sabedoria.
A mesa preparada corresponde à beleza, para onde o necessitado é convidado a fim de se saciar e participar da ordem interior alimentada pela sabedoria.
A voz da sabedoria faz-se ouvir apenas na inteligência.
A palavra da sabedoria constitui o princípio criador que reitera a existência humana.
O quinto versículo utiliza um termo impeditivo traduzido como uma ordem de movimento, mas que constitui o imperativo para dar à luz, sugerindo o segundo nascimento.
Comer e pão compartilham a raiz para sustento, guardando a ideia de seiva oculta na árvore.
A raiz surge em termos para palavras secretas, reforçando o aspecto ontológico da palavra além dos limites psicológicos.
Pedro questiona a Cristo sobre para onde ir, visto que ele possui as palavras de vida eterna, ideia que ressurge na afirmação de que quem escuta a palavra tem a vida eterna.
O verbo beber possui significados ligados a fundamento, coluna e ao número seis.
O número seis abrange os dias da criação, as direções espaciais, o homem-coluna e a totalidade da criação contida na leitura do Gênesis.
A contagem a partir do termo inicial resulta em seis palavras encadeadas no primeiro versículo do Gênesis.
Elohim constitui o irradiar do inefável expresso pelo número seis, estruturando o que está no alto e abaixo.
O fundamento situa-se no alto como raiz da luz e das águas.
O Zohar aponta que as palavras luz e água repetem-se cinco vezes no Gênesis.
O nome do terceiro filho de Adão significa equivalente ou restituição, por ter recebido a permissão de ingressar novamente no paraíso ou pomar.
O ato de beber designa-se por um termo correlato.
A análise da pedra fundamental revela equivalência numérica com a palavra jardim.
A pedra é empregada como Nome Divino no Gênesis sob a designação de Pedra de Israel.
A pedra fundamental constitui a laje localizada no Santo dos Santos.
O Zohar identifica essa pedra com o trono na visão da carruagem celeste.
A pedra na qual se baseia o Santo dos Santos representa o centro do universo.
A passagem do Zohar vincula as palavras sobre o trono de safira à pedra fundamental que serve de centro ao mundo em Jerusalém.
A pedra sela o trono sagrado acima das quatro figuras da carruagem e identifica-se com a pedra erguida por Jacó como casa de Deus.
O monumento serviu de ponto inicial para a criação do universo e base para a edificação do santuário.
A ação de beber exige a inversão do cálice, posicionando o que estava abaixo na parte superior.
O cálice funciona como símbolo do homem que forma a tríade com o céu e a terra, servindo de imagem do universo.
As antigas rubricas determinavam que o sacerdote posicionasse a mão abaixo do nó do cálice para comungar.
A mão indica o princípio, sua potência e o ato de conhecer.
Segurar o cálice abaixo do nó, que marca a divisão das águas, faz com que o princípio ou sabedoria descenda até a base.
A inversão necessária para beber indica que a base reintegrou o topo na sabedoria.
O modelo fundamenta a afirmação paulina sobre beber do cálice até a vinda do Senhor, indicando uma finalidade que supera a cronologia pela presença imediata da consumação.
Cristo afirma que quem crê não terá sede e promete à samaritana que a água ofertada extinguirá a sede de forma permanente, transformando-se em fonte para a vida eterna.
O termo para sede compartilha a raiz com o verbo beber.
A sede refere-se às coisas do mundo ou aos maus vinhos segundo o Zohar.
São Colombano pondera que a sede jamais será aplacada por se tratar da fonte da sabedoria no Verbo de Deus, onde se escondem os tesouros da ciência.
O consumo da fonte gera o desejo de beber eternamente por sua suavidade.
O sexto versículo ordena o abandono da infância espiritual para viabilizar a vida e a caminhada na senda da inteligência.
O abandono da pobreza espiritual significa deixar a base para subir pelo eixo central em direção à inteligência.
O processo aclara-se ao grafar o Nome Sagrado com dois daleth, onde o inferior indica a porta baixa e a emanação malkuth.
O eixo central conduz ao daleth superior, porta de ingresso na sabedoria.
O valor numérico do verbo caminhar somado aos dois daleth e ao eixo resulta no número quinhentos e quinze, que representa o cumprimento.
O cumprimento significa a vivência real.
O daleth inferior constitui a porta de entrada no edifício, e o superior representa a porta de cima na senda da inteligência.
A tradição rabínica estipula trinta e dos caminhos para a sabedoria, ligados às dez emanações e às vinte e duas letras, sugerindo a noção de coração.
Atribuem-se cinquenta portas à inteligência, número associado ao retorno ao local de origem no seio materno.
A raiz para estender aplica-se à árvore e suas raízes, e a mesa tem seu fundamento na inteligência com o valor de cinquenta.
A soma das cinquenta portas e dos trinta e dois caminhos resulta em oitenta e dois, valor que indica a concentração que contempla a unidade do Nome Sacré na letra correspondente.
A consumação remete à última palavra de Cristo sobre a conclusão da obra.
A declaração sucede à expressão de sede emitida por Cristo.
No ponto de encerramento, a sede de Cristo volta-se para o bom vinho da sabedoria, resumindo o trecho dos Provérbios.