BOON, N. M. Au coeur de l’Ecriture: méditations d’un prêtre catholique. Paris: Dervy-livres, 1987.
A Confissão e a Via da Rigidez
A confissão das faltas por meio da oração do Confiteor sinaliza a aproximação em relação à Inteligência Divina por intermédio da Rigor ou do Julgamento, identificados com a coluna de esquerda e caracterizados como via penitencial.
Atribuição tradicional judaica denomina Binah, a Mãe, também como a Mãe Terrível.
Significado dos vocábulos em língua hebraica associa o termo mãe a uma expressão e o termo terror a outra.
Alusão ao processo ascendente do baixo para o alto manifesta-se no texto do Cântico dos Cânticos.
Passagem bíblica descreve aquela que avança como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol e terrível como uma armada em linha de batalha.
Conveniência ritual determina a complementação do
Salmo Judica me pela confissão humilde dos pecados à medida que ocorre essa aproximação.
O uso da primeira pessoa do singular na confissão demarca uma exceção no conjunto das preces liturgias, visto que o eu constitui a origem do pecado.
Exigência do Retorno, ou Teshubah, fundamenta-se na libertação da prisão representada pelo eu.
Ponto mais alto da Confissão concentra-se nos termos latinos mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.
Alteração promovida pela tradução francesa abreviou o triplo reconhecimento para uma fórmula única indicativa de que o indivíduo verdadeiramente pecou.
Edição latina do Missal de Paulo VI preservou a formulação tríplice original.
Questionamento indaga se o erro dos franceses foi considerado dotado de fraca raiz no eu ou se operou a mentalidade de que nem tudo provém de culpa própria.
Semelhança de comportamento liga a reação francesa à fala primordial de Adão e à conduta manifestada pelas crianças.
Tendência corrente projeta a responsabilidade das faltas sobre os outros.
O rito antigo de Pio V reunia um conjunto determinado de figuras sagradas ao redor da Confissão, incluindo Maria sempre Virgem, o arcanjo São Miguel, São João Batista e os apóstolos Pedro e Paulo.
A Maternidade de Maria e a Presença de Cristo
A perspectiva teológica do Magistério da Igreja define a Virgem Maria, em sua condição de Mãe do Salvador, como o Sacramento ou a Revelação fecunda da Misericórdia Divina.
Prática de rogar o perdão das faltas direciona-se legitimamente a Ela, denominada Refúgio dos Pecadores por sua qualidade sacramental.
Doutrina do Mistério da Assunção atesta a incorruptibilidade corporal da Virgem, decorrente da ausência de pecado original ou atual, e a permanência de sua Maternidade.
Alcance da Maternidade de Maria ultrapassa o marco histórico do nascimento de
Jesus e abrange a totalidade da humanidade inserida no Corpo Místico de Cristo.
Atribuição do título de Dispensadora de Todas as Graças não configura substituição ao
Filho, tido como Mediador Único.
Concepção inadequada de muitos cristãos tende a reduzir a graça à condição de objeto.
Definição essencial da graça traduz-se como a Presença de Cristo sob variadas modalidades.
Vinculação vital e ontológica liga permanentemente a Maternidade da Virgem a essa Presença Crística.
A designação teológica de Maria como a Esposa do
Espírito Santo estabelece que a fonte de toda Graça opera de modo indissociável da ação de sua consorte.
Geração da Graça resulta da união entre o Esposo e a Esposa, constituídos pelo
Espírito Santo e Maria sempre Virgem.
Significado profundo do título de sempre Virgem expressa a total docilidade e disponibilidade em face do Espírito.
Causa da Virgindade corpórea repousa na referida docilidade, espelhando o estado primordial e perfeito do homem anterior à queda.
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A eficácia sacramental depende da atuação contemporânea da Maternidade da Virgem Maria, determinando que nenhuma proclamação senhorial ocorra sem a sua interferência materna.
Celebração da Eucaristia—entendida como a Presença do Cristo Glorioso em sua Pessoa Divina, Alma e Corpo—processa-se como se ocorresse no próprio seio da Virgem Maria.
Efeito da Maternidade atual de Maria assegura a presença Eucarística de Cristo sobre o altar.
Consideração teológica indica que a Maternidade da Virgem assume os murmúrios inefáveis do
Espírito Santo mencionados por
São Paulo para transmutar as preces e fazer Cristo presente como oferenda e Sacrifício Perfeito.
Alcance da prece Mariana equivale a um real enfrentamento para a Vida Eterna, superando as capacidades de apreensão do pensamento ou da imaginação.
Gestação da humanidade vinculada à Igreja do Cristo processa-se no Seio da Virgem Maria por obra conjunta com o
Espírito Santo.
O Lugar Sagrado e a Tradição Rabínica
A investigação da Tradição Rabínica aponta para uma cumplicidade ontológica entre a Mãe de Deus e Binah, a Inteligência Divina, que recebe os nomes de Vida do Mundo Vindouro ou Mãe Universal.
Correspondência da Maternidade da Santíssima Virgem Maria fixa-se em Malkuth, o Reino.
Conceito evangélico do Reino de Deus manifesta-se como o meio vital destinado ao desenvolvimento dos germes da Vida do Mundo Vindouro.
Denominação hebraica do referido espaço central atende pelo vocábulo maqôm, empregado na
Bíblia como Nome Divino.
Relação da palavra maqôm vincula-se à grafia plena da letra quof, cujo sentido exprime o Polo ou Lugar Supremo.
Ilustração do antigo hieróglifo da letra evoca o simbolismo da machada, que representa o Polo.
Representação iconográfica cristã exibe habitualmente São José apoiado sobre uma machada.
Atribuição de papel a São José define-o como iniciador ou Mestre Espiritual de
Jesus.
Escassez de relatos evangélicos sobre José e a sua morte prematura justificam-se por essa função iniciática.
O valor numérico de cento e oitenta e seis pertencente ao termo Maqôm coincide com a soma dos quadrados das quatro letras componentes do Nome Sagrado.
Operação matemática estipula o quadrado de Yod e os valores das demais letras, atingindo o total de cento e oitenta e seis.
Equivalência numérica sintoniza-se com as passagens bíblicas relativas à permanência do Nome no interior do Santuário.
Aplicação do arcabouço simbólico converge integralmente para o Seio da Santíssima Virgem Maria.
Identidade idiomática na língua sagrada funde a palavra representativa de Seio ao termo designativo de Misericórdia.
Propriedade da Língua Sagrada faculta a síntese imediata de conceitos que exigiriam longos discursos em outros idiomas.
O Precursor e o Caminho da Cruz