Não queremos, porém, dizer que a alma seja sem começo: ela tem um, mas apenas segundo a criatura, não segundo a essência; sua essência é desde a eternidade, pois o
fiat Divino a apreendeu no centro da natureza eterna e a trouxe à existência substancial; além disso, com o
a cruz inteira, com o caráter da Santíssima
Trindade, como uma semelhança do triplo espírito da Divindade em que Deus habita; conforme isso ocorre no amor ou na ira, encontra-se na luz ou no fogo: a alma se impregna daquilo em que ela deposita sua imaginação, pois é um espírito mágico, uma fonte em si mesma. É o centro da eternidade, um fogo da divindade no
Pai; não, todavia, na liberdade do pai, mas na natureza eterna: não está antes do ser, mas no ser; a liberdade divina, por outro lado, está fora do ser, mas habita no ser. Pois no ser, Deus é manifesto, e sem o ser não haveria Deus, seria um silêncio eterno sem fonte; mas o fogo é gerado na fonte e do fogo a luz; os dois então se separam e cada um tem sua fonte, a saber, uma furiosa, faminta e sedenta no fogo, e uma doce, amável e dadivosa na luz, pois a luz dá e o fogo toma. A luz dá a doçura que se transforma em substancialidade, a qual é o alimento do fogo, sem o qual ele seria uma fome furiosa e tenebrosa em si mesmo, tal como é um espírito privado da essência da luz, isso se compara a um veneno que desfalece; mas se ele recebe a doçura, ele a atrai para si, habita nela e faz dela seu alimento e seu corpo, ele se impregna e se enche dela, pois a doçura o preenche, de modo que a fome é apaziguada.