A manifestação divina ao povo de Israel por meio de Moisés ocorreu de forma clara e sensível para que a vontade de Deus pudesse ser ouvida e compreendida pela criatura.
Manifestação a partir da invisibilidade, incompreensibilidade e inacessibilidade.
Pronunciamento da frase: Eu sou o Senhor, teu Deus.
O mandamento divino estabelece a exclusividade do culto e da adoração a uma única divindade.
Declaração de ser um só Deus.
Proibição de prestar homenagem ou culto a outros deuses.
Referência aos textos de Êxodo 20:5 e Deuteronômio 6:4.
O texto bíblico descreve a divindade tanto por atributos de rigor quanto por características de extrema benevolência.
Descrição de Moisés sobre o Senhor Deus como um Deus de ira, de ciúme e um fogo devorador.
Descrição em outra passagem sobre Deus como um Deus de misericórdia, cujo espírito é uma chama de amor.
Referência ao texto de Deuteronômio 4:24—31.
As descrições das Escrituras Sagradas apresentam uma contradição aparente ao conciliar a imagem de um Deus de ira e fogo devorador com a de uma chama de amor.
A natureza intrínseca de Deus prescinde de definições conceituais humanas, polaridades ou atributos determináveis.
Impossibilidade de qualificar Deus propriamente como isto ou aquilo, bom ou mau.
Ausência de diferenças, distinções, natureza, criatura, afeição ou qualidades quando considerado em si mesmo.
A divindade não possui inclinação para o bem ou para o mal, visto que nada existe antes dela que possa orientar sua direção.
Deus constitui a imensidão em si mesma, definindo-se como um espaço incompreensível, incomensurável e sem limites.
Caracterização como o Nada eterno.
Ausência de desejo, movimento, afeição ou vontade que direcione a divindade para a natureza ou para a criatura.
A divindade é identificada como o Ser único, sem anterioridade ou posterioridade que possibilite a formação de desejos ou vontades externas.
A criação inteira e o universo estão contidos em uma única e exclusiva vontade divina, que é simultaneamente o Nada e o Tudo.
Deus é o Uno eterno, transcendendo as polaridades de luz, trevas, amor e ira.
A vontade insondável e incompreensível do espaço infinito concentra-se e encontra-se em si mesma, gerando Deus de Deus.
A vontade original e sem princípio gera em si mesma o soberano bem eterno na forma de uma vontade compreensível.
A segunda vontade coeterna representa a sensibilidade e a compreensibilidade da primeira vontade incompreensível.
A estrutura da
trindade divina e as manifestações eternas são definidas por nomes específicos conforme as funções de sua vontade.
Denominação da vontade insondável como
Pai Eterno.
Denominação da vontade concentrada e gerada como
Filho único, sendo o ser do abismo onde o abismo constrói uma base.
Denominação do que procede do
Pai pelo
Filho como Espírito, responsável por fazer emanar a essência divina concentrada em forma de movimento e vida.
Definição do que é concentrado como o ápice do desejo, a plenitude da alegria e a perfeição do Nada eterno.
Identificação daquilo que se desenvolve na eternidade como a contemplação ou a Sabedoria eterna divina.
O Ser Supremo em
Trindade habita em si mesmo de forma absoluta, sem depender de fundos, espaços, termos ou lugares externos.
Existência eterna em seu próprio engendramento, contemplação e Sabedoria.
Caracterização como uma única vontade, uma vida e um movimento sem desejo.
A essência divina carece de dimensões físicas ou temporais, embora esteja presente de maneira sutil e incompreensível em tudo.
Ausência de densidade, sutileza, altura, profundidade, espaço, termo ou tempo.
Atuação invisível e inacessível em todo o universo.
A ação do Deus eterno em si mesmo, fora da natureza e da criatura, assemelha-se à penetração universal da luz solar.
Analogia com os raios do sol que influenciam e fazem vegetar as coisas sem sofrer diminuição em sua luz e calor.
Localização divina no caos de sua própria concentração, na sua Sabedoria, fora de princípios, começos, tempos e lugares.
O Nada eterno concentra-se por meio de seu próprio olhar eterno, o que constitui sua contemplação e Sabedoria, sem que existam duas vontades opostas para o bem e para o mal.
A consideração da Divindade fora da natureza e da criatura revela apenas uma única vontade eterna que se contempla em sua Sabedoria infinita.
A Sabedoria divina atua como o espelho e o princípio primordial de onde derivam todas as potências, cores e maravilhas do ser.
Representação e desenvolvimento de Deus por si mesmo em seu próprio espelho.
Presença de todas as virtudes em medida e peso iguais, sem qualidades ou propriedades divisivas.
Definição da Sabedoria como o primeiro princípio do Ser dos seres, um desejo de desenvolver o algo.
O impulso da Sabedoria divina para manifestar qualidades e propriedades provém exclusivamente da vontade única de Deus, sem causas externas anteriores.
Ausência de propriedades intrínsecas iniciais no doce ciúme da Sabedoria.
Inexistência de causa externa que produza as potências, virtudes e delícias divinas.
Produção dessas qualidades pelo próprio Deus ao introduzir-se na
Trindade como uma concentração de si mesmo.
A imensidão incompreensível possui a si mesma na compreensibilidade e na sensibilidade, estabelecendo o assento onde Deus habita de forma indivisível.
Caracterização desse estado como indissolúvel, sem forma, imagem ou semelhança.
Ausência de elementos anteriores para efeito de comparação.
O centro da imensidão constitui a inteligência eterna da vontade original, estabelecendo uma relação mútua de identificação.
Inexistência de objetos anteriores para a vontade, exceto a própria primeira vontade eterna.
Concentração da primeira vontade exclusivamente no assento por ela formado.
A vontade eterna gera o assento da compreensibilidade em si mesma, definindo a relação de paternidade e filiação.
O
Pai como o princípio de todo ser e origem do assento.
O
Filho como o coração, o assento e a segunda vontade encontrada em si mesma.
A união entre o
Pai e o
Filho em um único assento existencial resulta na emanação do
Espírito Santo a partir dessa concentração.
A vontade única da imensidão desenvolve-se em três efeitos distintos por meio de sua primeira concentração eterna, mantendo-se indivisível.
A primeira vontade eterna exala a potência universal do seu assento para gerar o movimento e a vida divina que caracterizam o Espírito de Deus.
Exalação do centro dos começos na sensibilidade e compreensibilidade.
Analogia com os raios solares que se espalham do centro de seu fogo mágico para manifestar virtude e poder.
Introdução da vontade incompreensível em um fundo compreensível e em movimento.
O Espírito de Deus definido como a terceira progressão, representando a operação e a vida na potência.
A quarta operação ocorre na potência exalada e manifesta-se como o jogo do Espírito de Deus na Sabedoria divina.
Interação do Espírito com as potências emanadas na Sabedoria divina.
Introdução dessas potências em diferentes formas de acordo com a ciência ou o desejo divino.
Criação de uma semelhança da potência geradora divina como uma modelação da Santíssima
Trindade.
Definição dessa imagem representada como a alegria e o deleite da contemplação da Sabedoria divina.
A modelação mágica na Sabedoria divina não corresponde a uma criatura corpórea mensurável, mas representa o princípio espiritual da criação.
A verdadeira imagem de Deus pode ser concebida nessa concentração mágica, servindo de modelo para os
anjos e para a alma humana.
Referência à afirmação de Moisés em Gênesis 1:27: Deus criou o homem à sua imagem.
Interpretação da imagem como a representação divina e espiritual onde tudo é Espírito.
Criação da alma como criatura em sua formação corpórea.
Criação dos
anjos a partir da Sabedoria divina de acordo com a essência divina.
A demonstração sumária da divindade permite compreender o ser de Deus quando situado fora da natureza e da criatura.
Reiteração da frase de Moisés: Eu sou o Senhor teu Deus; eu sou um só Deus.
Apresentação do Santo Nome como Jeová, segundo a linguagem dos sentidos.
Introdução do engendramento divino em uma concentração de sua própria imagem a partir do nada em direção ao centro.
Representação simbólica do Uno eterno pela figura do número 1 inscrito em um triângulo.
Caráter puramente pedagógico da figura geométrica para auxiliar a reflexão da inteligência humana.
A concentração divina possui natureza infinita e indefinível em si mesma, assemelhando-se ao fluxo contínuo de ideias na inteligência do homem.
Ausência de dimensões espaciais, começos ou fins, exceto na introdução da criação pelo desejo divino.
Comparação com a formação imensurável de ideias sucessivas na mente humana.
Distinção de que as ideias humanas derivam majoritariamente da criatura terrestre e da inteligência astral, e não do princípio interior da Sabedoria divina.
Fora da natureza e da criatura, Deus possui estritamente uma única vontade, que consiste no ato de autogerar-se e doar-se.
A vontade de Deus assemelha-se à doação incondicional do sol, que transmite vida e virtude a todas as coisas por meio de seu desejo.
Penetração solar que faz germinar e vegetar tudo o que existe.
Caracterização de Deus como o único Soberano Bem, incapaz de doar algo diferente de si mesmo e do bem.
A divindade em si mesma representa a máxima doçura e humildade, estando totalmente alheia às polaridades do bem e do mal.
Ausência de afecções boas ou más na presença divina, por ser o início de toda vontade e essência boas.
Impossibilidade de penetração do mal até a divindade.
Definição de Deus como um nada para todas as coisas situadas após ele.
Atributos de doçura, beneficência e profunda humildade espiritual.
Existência como um sentimento de Amor e gosto pelo Bem do Amor no doce engendramento.
Percepção harmoniosa de tudo o que é bom.
Todos os sentidos divinos operam em perfeita concórdia e harmonia no âmbito do jogo da Sabedoria e do
Espírito Santo.
A primeira vontade eterna e insondável ama o
Filho por este constituir o coração e o assento da manifestação de sua própria potência.
O
Filho como a concentração encontrada e a potência compreensível do
Pai.
Analogia entre o amor da alma pelo corpo e o amor da vontade concentrada do
Pai por seu corpo espiritual.
O
Filho definido como o Algo divino no qual o Nada eterno ganha existência.
O
Filho personifica a doce humildade da vontade paterna e atua como a expressão e manifestação plena de todos os sentidos divinos.
Dependência existencial do
Filho em relação ao
Pai.
Definição do
Filho como o ápice do desejo, alegria e deleite do
Pai por realizar o toque, o gosto, o olfato, a audição e a visão paternas.
Peso igual de todos os sentidos na Divindade, sem diferenciações internas.
Origem dos sentidos diferenciados no princípio da Natureza, por onde as qualidades e propriedades são separadas.
O
Espírito Santo é identificado como uma chama de amor divino que confere movimento e vida às potências do
Pai e do
Filho.
O texto exorta a humanidade a atentar para as verdades profundas da unidade divina contra as ilusões causadas pelo espírito de Babel.
Alerta contra o obscurecimento promovido pelas trevas e pelas astúcias de
Satanás.
Esclarecimento de que o Deus único não quer nem pode praticar o mal.
Afirmação de que a existência de uma vontade má e de uma vontade boa em Deus implicaria contradição e divisão interna.
Necessidade de uma causa externa anterior para justificar tal contrariedade.
A inexistência de fatores anteriores a Deus impede que a divindade seja movida ou incitada por qualquer elemento externo.
Rejeição da possibilidade de algo mover a divindade, pois esse fator seria anterior e superior a ela.
Consequente divisão interna e necessidade de um começo para o elemento motor.
O Ser Divino Supremo habita unicamente em si mesmo, independente de coordenadas espaciais ou moradas limitadas.
Transcendência em relação a começos, princípios, tempos e lugares.
Afirmação de que a exclusão da Natureza e da Criatura revela Deus como o todo.
A exclusão da palavra formada permite ver o Verbo eterno falante proferido pelo
Pai no
Filho.
Revelação da Sabedoria divina e de sua contemplação oculta na Natureza.
O diálogo aborda a dificuldade humana em conceber a divindade sem o recurso a imagens e sem a percepção do bem e do mal.
Objeção do interlocutor sobre a impossibilidade de anular a Natureza e a Criatura sem reduzir a si mesmo ao nada.
Necessidade humana de modelar a divindade por meio de imagens.
Constatação do bem e do mal no próprio indivíduo e nas demais criaturas.
A proibição divina de criar imagens adverte sobre a natureza não circunscrita de Deus e orienta sua busca para o interior do homem.
Citação da ordem dada a Moisés: Tu não deves te fazer nenhuma imagem do único Deus, nem no céu, nem na terra, nem nas águas, nem em nenhuma coisa.
Recusa de um lugar fixo ou de uma imagem representativa para a divindade.
Orientação para buscar Deus no Verbo formado e proferido no coração humano.
Citação do texto bíblico: O Verbo ou a palavra está perto, na tua boca e no teu coração.
Referência ao texto de Romanos 10:8.
O caminho mais curto e seguro para alcançar a divindade exige a renúncia do homem a si mesmo, às próprias vontades e às ilusões do amor-próprio.
Exigência de morte para o ego e abandono de disputas internas.
Eliminação das falsas imagens impressas pelo amor-próprio.
Abandono de desejos particulares, opiniões e movimentos próprios.
Entrega absoluta à vontade do Eterno Un e ao puro amor divino introduzido após a queda pela encarnação de Cristo.
Encerramento com a fórmula: Assim seja.
O detalhamento teológico visa instruir o leitor sobre a unidade da vontade divina e a origem da distinção entre o bem e o mal.
Esclarecimento de que não há dupla vontade (boa e má) no Deus único fora da natureza e da criatura.
Orientação para limpar a imaginação das representações criaturais ao meditar sobre a Vontade e o Verbo eternos.
Explicação sobre a razão de Deus ser denominado um Deus de ira e inveja em relação ao mal.
Fixação da atenção na natureza eterna como o Verbo formado e manifestado, e na natureza temporal que rege o mundo terrestre.
O plano de exposição seguinte propõe esclarecer a separação de qualidades na potência divina e a origem da contrariedade nas criaturas.
Promessa de fornecer ideias claras sobre o verbo de Deus proferido de suas potências.
Investigação da origem das diferentes qualidades da Natureza e das vontades boa e má.
Análise da necessidade da diferenciação que distingue Deus da Natureza.
Demonstração de como as coisas se articulam na cadeia de inevitabilidade e necessidade.
Explicação sobre o surgimento do mal, da contrariedade e da perversidade no âmbito da criatura.