A alma devota aproxima-se de Deus por meio da absorção silenciosa, rejeitando rituais externos, obras meritórias ou preces ruidosas.
A chamada Coletânea de Sermões Manuscritos foi composta no período entre novembro de 1573 e março de 1574, voltando-se às necessidades espirituais dos leigos.
As especulações teóricas sobre macrocosmo e microcosmo e o uso sistemático de paradoxos ocupam um papel marginal nas pregações da coletânea.
A diferenciação entre o conhecimento humano e o conhecimento divino é apresentada em um sermão estruturado sobre o prólogo do Evangelho de João.
O nascimento divino configura-se como uma realidade acessível exclusivamente por meio da operação da fé.
O Verbo divino atua como o elemento responsável pela iluminação e pela própria criação do ser humano:
Valentin
Weigel assevera que o conhecimento puramente carnal ou externo é incapaz de conferir a bem-aventurança espiritual ao indivíduo.
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A salvação vincula-se à audição e visão internas processadas na dimensão da fé:
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o ver e ouvir externo ou o conhecer de acordo com a carne não torna ninguém bem-aventurado, mas sim o ouvir e ver interno na fé: esse é o verdadeiro para o qual Cristo fala e ao qual toda a escritura nos insta.
A doutrina dos três mundos ou três céus é apresentada em outro sermão da coletânea como o correlato das três tentações ou assaltos promovidos pelo mal.
A exposição detalhada da teoria dos três céus foi postergada pelo autor para inclusão em uma obra subsequente.
A dualidade fundamental entre o plano interior e o plano exterior exerce dominância ao longo de todo o conjunto de sermões.
O pregador adverte a comunidade de que o apego exclusivo à grafia literal e à história externa de Cristo não produz utilidade espiritual, dada a interioridade do reino divino.
A defesa de indivíduos acusados de heresia constitui outro tema de caráter recorrente nas pregações de Valentin
Weigel.
Os sermões fazem alusões diretas a episódios contemporâneos de difamação e rotulagem de pensadores como heréticos ou sedutores.
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A retórica persecutória rotula o dissidente como entusiasta, Schwenkfelder, samaritano ou agente demoníaco:
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Este aqui é um novo herético, um entusiasta, um Schwenkfelder, um sedutor, um samaritano. Ele tem o diabo, faz as pessoas errarem em sua fé, fora com ele! Ele não deixa as coisas permanecerem como estavam com nossos antepassados, ele introduz coisas novas. Exatamente assim Cristo foi sempre perseguido.
O volume traduz e reproduz um dos sermões mais diretos e eficazes de Valentin
Weigel a respeito do princípio da tolerância religiosa.
A Coletânea de Sermões Manuscritos foi interrompida abruptamente após a pregação realizada em 28 de março de 1574, segundo a observação do editor Zeller.
O território da Saxônia foi atingido pela supressão política dos Philippistas ou Cripto-Calvinistas no dia primeiro de abril de 1574.
A reviravolta política repentina vinculava-se a dinâmicas do cenário político internacional da época.
O Massacre da Noite de São Bartolomeu contra os huguenotes em Paris no ano de 1572 despertou simpatias militantes em relação ao Calvinismo.
O oficial da corte imperial Cracow e o professor universitário de Wittenberg Caspar Peucer foram capturados, aprisionados ou submetidos a sessões de tortura.
O trauma decorrente de guinadas doutrinárias motivadas por sucessões dinásticas repetiu-se na Saxônia e em outras terras, gerando amargura e violência.
O princípio de que a religião do governante determina a religião oficial dos súditos passou a vigorar após a celebração da Paz de Augsburg.
A Fórmula de Concórdia de 1577 foi encarada por Valentin
Weigel como mais um cerco do mundo exterior contra a cidadela interna do espírito humano.