O homem é igualmente imagem e semelhança de Deus; é, portanto, livre como Deus mesmo e como o são os anjos.
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De não ser livre, teria resultado uma imagem muito imperfeita de Deus.
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A perfeição do homem enquanto imagem e expressão de Deus não deve fazer perder de vista sua imperfeição essencial como criatura.
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Por sua própria essência, era imperfeito, uma vez que está composto de ser e de nada.
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Já se viu que não tinha nada em si, nada próprio mais do que seu próprio nada.
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Também se viu que não só dependia de Deus em sua essência e em seu ser, mas inclusive que era uma expressão criatural (creatürliches Bild).
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Aí reside seu objetivo e seu papel.
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Havendo-o recebido tudo, não deve tratar de apropriar-se do que não lhe pertence, nem tratar de expressar a si mesma nem de pôr-se diante de Deus como um ser independente.
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Não sendo dela, não deve aspirar a existir para ela.
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A imagem, em resumo, não deve esquecer por que foi feita: a vontade e a liberdade que recebeu de Deus deve, por assim dizer, pô-los a seu serviço e devolver a Deus as perfeições que tenha.
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Precisamente é o contrário do que fez: tratou de apoderar-se para si mesma das perfeições que Deus lhe havia dado.
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Esquecido seu papel enquanto imagem, quis ser em si, por si e para si.
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Mas seu si é o nada; portanto, quis voltar-se para o nada e em lugar de negar o nada e possuir o ser, afirmou o nada e negou o ser.
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Por outro lado, e a dizer verdade, tratou de fazê-lo, porque não o conseguiu realmente.
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Porque, evidentemente, a criatura não pode afirmar-se a se (a partir de si).
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Por isso o mal e o pecado não residem mais do que em sua vontade e não em sua essência.
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Por isso também o pecado não é mais do que um esforço inútil (unnitzer Conat) e não tem nenhuma realidade verdadeira.
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Desde o ponto de vista de Deus, o pecado não existe, o que explica o motivo pelo qual Deus não tinha necessidade de um ato (positivo) de expiação para reconciliar-se com o homem.
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No entanto, por ser um ato da vontade criada, o pecado, desde o ponto de vista do homem, possui uma realidade certa, o que explica a necessidade que tem o homem de reconciliar-se com Deus.
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Não obstante, sublinha-se que, não residindo mais do que na vontade, não sendo mais do que um “acidente” que não pôde macular nem perverter a natureza ou a essência do homem, o pecado não pôde destruir sua liberdade.
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É o que permite ao homem abdicar livremente de sua própria vontade (Eigenwille), destruir em si mesmo o livre-arbítrio (liberum arbitrium), e abandonando-se à vontade divina, realizar livremente o servo-arbítrio (servum arbitrium).
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Nesse abandono de si consiste precisamente a morte espiritual, e como já se sabe, o renascimento no espírito se realiza na e por essa morte.