, como para todos os espiritualistas, resulta difícil conceber o papel e a ação de Cristo segundo as fórmulas tradicionais de expiação e de justificação.
-
Seria, no entanto, inexato opor, como fez A. V. Harless, a concepção do Cristo em nós à do Cristo para nós e dizer que os espiritualistas tratam de suprimir o segundo em benefício do primeiro.
-
Na realidade, do ponto de vista espiritualista, é impossível separar ou mesmo opor o Cristo em nós ao Cristo para nós.
-
Antes, é sua identidade mística que permite ao homem participar da justiça essencial de Deus.
-
O homem nasce em Deus quando Cristo nasce em sua alma e é esse duplo nascimento que o faz reviver toda a História de Adão e Cristo, que o reconcilia com Deus.
-
A História de Adão e Cristo é uma história simbólica.
-
Mas não é menos uma história real, e
Weigel não quer de modo algum atacar o papel histórico de Jesus.
-
Se não reconciliou Deus com o homem “pagando” por este último — com efeito, Deus não tem necessidade de ser aplacado dessa maneira —, ou expiando sua falta — porque Deus, que é a bondade e o amor, não exige expiação —, reconciliou os homens com Deus.
-
Revelou a verdadeira natureza de Deus e mostrou aos homens o caminho que poderá levá-los ao Pai celestial, do qual como Adães se afastaram e que podem alcançar mediante Cristo, participando em sua vida, encarnando-o e expressando-o.
-
Aí reside a autêntica “reconciliação”.
-
É evidente:
Weigel não nega o papel — nem a importância — da História de Cristo.
-
E menos que a
Schwenckfeld a noção da participação mística — à qual se adiciona a da participação pela fé nos sacramentos — não o leva ao monofisismo.
-
O Cristo-Logos é o Homem-Deus, expressão essencial e perfeita da natureza divina.
-
Como tal, é — como já
Schwenckfeld havia ensinado por razões análogas, ainda que não idênticas — um ser espiritual e divino, superior a toda “criatura”.
-
Não é, no entanto, um espírito puro, porque possui essa “carne espiritual” e divina que nós “comemos” na eucaristia e da qual “se alimenta” nosso corpo espiritual.
-
É ela que proporciona uma “participação essencial” na divindade, e quando
Weigel defende o valor do sacramento da eucaristia, o faz por razões que, deixando mesmo um equívoco subjacente, não o aproximam, mas o afastam da ortodoxia luterana.
-
Essa será também a atitude de J.
Boehme.