A doutrina da Palavra de Deus na teologia schwenckfeldiana replica o padrão sacramental, distinguindo uma Palavra interior e uma exterior, correspondentes ao homem interior e ao exterior, sendo a Palavra verdadeira, eterna e natural de Deus o próprio Cristo — espírito e vida —, enquanto a letra externa é “Palavra de Deus” apenas em sentido derivado.
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João 6 — locus escriturístico fundamental para a identificação da Palavra interior com Cristo vivo
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A letra externa — seja escrita na Escritura, pronunciada no sermão ou representada em símbolo, imagem ou sinal — é Palavra de Deus apenas em sentido derivado
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A Palavra interior não é transmitida por meio da exterior e não admite mistura com o externo
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Pode haver comunicação simultânea, com a palavra exterior declarando, anunciando e apontando para a Palavra interior, Cristo
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Função da palavra exterior: “…promessa e sinal dados aos crentes apenas para instrução e garantia de sua carne e do homem exterior, e como lembrete e demonstração da fé interior, assim como deve ser entendida apenas a partir e por meio da fé”
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Cristo como Palavra interior exerce funções espirituais múltiplas: semente que regenera o homem interior; pão ou alimento que nutre a alma renascida; água que lava os pecados do regenerado e apaga a sede de sua alma; espírito, não letra; vida e luz; palavra da cruz
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A atividade de Cristo na esfera espiritual do sacramento e da Palavra é essencialmente idêntica: em sua imediatidade com a alma crente, Cristo é seu próprio meio de graça, e a graça que comunica é ele mesmo
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Grützmacher — estudioso que tratou do locus da Palavra em
Schwenckfeld em Wort und Geist, pp. 158-73
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J. H. Maronier — autor de Het Inwendig Woord (Amsterdam, 1890), que oferece retrato preciso mas não discute suficientemente as diferenças entre
Schwenckfeld, Hans Denk e
Sebastian Franck
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J. Lindeboom — autor de Stiefkinderen van het Christendom que contrasta
Schwenckfeld e Franck com mais precisão
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Reinhold Pietz — autor do estudo mais detalhado sobre o problema, em Der Mensch Ohne Christus (dissertação, Universidade de Tübingen, 1956)
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Agostinho e
Tauler — maiores influências na distinção schwenckfeldiana entre Palavra interior e exterior
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De Cursu Verbi Dei (1527) — tratado fundamental de
Schwenckfeld: “O curso da Palavra de Deus vivo é livre, não se prende ao visível… mas repousa inteiramente no invisível”