Prefácio

François Secret. Kabbalistes chrétiens de la Renaissance

A consagração da ortografia “qabbalah” pelos estudos críticos, renovados pela obra de Gershom Scholem, visa indicar um produto intelectual complexo que vai além do antigo esoterismo judaico.

Uma tradição de estudo erudito manteve a cabala cristã na história das ideias, com obras que vão desde a “Gália Oriental” de P. Colomiés até a “História da Filosofia” de Brucker.

A obra apresentada não pretende responder integralmente à questão fundamental do que é a cabala para os cristãos, limitando-se à idade de ouro do fenômeno.

A cabala cristã desenvolveu-se no século dos Políglotas e dos colégios trilingues, tendo como símbolo o ex libris desenhado por Albrecht Dürer para o humanista Willibald Pirckheimer.

O catálogo de livros hebraicos impressos por Daniel Bomberg, elaborado por Conrad Gesner em 1547, oferece uma ideia do novo mundo que se abria aos cristãos.

A cabala cristã renascentista, seguindo a literatura apologética medieval, reflete a evolução da tradição judaica e adapta seus elementos simbólicos à fé e cultura cristãs.

Pico della Mirandola evoca a atmosfera de reforma e profecia de Savonarola, enquanto Reuchlin abre as portas para a Reforma, e Guilherme Postel reflete a complexidade do século em seu próprio iluminismo.

A organização do panorama histórico adotou uma ordem histórica e temática, classificando os fatos segundo a ordem dos tempos e as relações de causa e efeito.

O panorama apresentado é uma visão geral que futuras explorações deverão precisar e completar.