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Adumbratio Kabbalae Cristianae

DO ESTADO DE CONSTITUIÇÃO MODERNE

O filósofo cristão explica que a escola é então novamente instituída sob outro método — o do Macho e da Fêmea, ou do Influxo e da Recepção — a fim de que os objetos sejam distribuídos segundo divisões menores e os princípios inteligentes não sejam aniquilados.

Pede-se que se fale agora da disposição da matéria in specie, não contradita pela hipótese kabbalística, e o filósofo cristão responde que a matéria foi disposta pelo Princípio primeiro de todas as coisas produzidas, isto é, Adão primeiro ou Messias.

Em seguida, o grau de manifestação divina que se encontrava em Adão primitivo, e nesse estado existia nas classes da Inteligência chamadas Elohim, disse — ou melhor, ordenou — que o Verbo (que é a alma do Messias unida com ele mesmo) agisse (São João, I, 1-2) para que a Luz fosse.

O Firmamento foi então criado: a matéria celeste que estagnava no abismo Hydrogocus foi separada e elevada, para que o globo terrestre, com a água mais grosseira, ocupasse o centro do abismo.

Em seguida, o globo Hydrogocus foi invadido em um de seus hemisférios pela aridez e secura, enquanto as águas eram expulsas para o outro e reunidas em um só lugar; na parte seca, as formas seminais desenvolveram sua natureza vegetativa para formar os metais e os vegetais (Gênesis, I, 9 e seguintes).

Toda a matéria extremamente sutil contida no abismo Hydrogocus foi recolhida em um centro e começou a girar ao redor do centro do abismo: as partículas que deveriam compor o Sol foram reunidas ao redor de um só chefe e giram atualmente ao redor do abismo.

Os seres sensitivos foram depois produzidos nesse globo Hydrogocus e se multiplicaram, cada um segundo sua espécie (Gênesis, I, 20, 22).