5

Adumbratio Kabbalae Cristianae

DO ESTADO DE DESTITUIÇÃO SEGUINTE

O filósofo cristão explica que a ruptura e a queda dos vasos ocorreu quando a abundância da Luz dos objetos divinos superou a afinidade que as sete numerações inferiores tinham por ela, obrigando-as a se desviar da face do Infinito, cessando a contemplação e o amor.

Os espíritos inferiores que pertenciam ao Reino cessaram de participar do estado de atualidade e desceram ao estado de potencialidade chamado matéria, ou seja, a radiação que se estendia ao redor deles sob forma de esfera cessou, e eles restaram como simples centros ou pontos completamente nus.

Diz-se que esses vasos são caídos porque são projetados em uma esfera de luz própria, na qual são levados a se compreender e a se amar a si mesmos, de modo que essas mônadas materiais guardam uma certa luz própria (que poderia novamente emitir raios se excitada de certa maneira — para o que tendem as formas materiais e seminais tanto dos seres inanimados quanto das plantas e animais) e pelo menos uma certa tendência a essa radiação.

Observa-se a existência de um grande número de seres intermediários ou compostos, colocados uns entre as cascas e a luz, outros entre o espírito e a matéria, outros entre os próprios graus.

Pergunta-se sobre a Inteligência e a Sabedoria, consideradas posteriores à queda, e o filósofo cristão responde que, produzida a matéria conforme o modo exposto, os bons Anjos ou Inteligências e as Almas tiveram seu princípio orientado para as coisas inferiores (princípio feminino) voltado para a contemplação dessa matéria.

Pergunta-se se o filósofo cristão concorda com os doutores que afirmam que nesse momento nasceram os juízos, e ele responde afirmativamente, pois dessa queda nasce então, na causa primeira ou no primeiro Adão, a ocasião de punir.