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Isaac o sírio, Tratados Místicos

XLVIII SOBRE OS DIVERSOS ESTADOS DE LUZ E ESCURIDÃO AOS QUAIS A ALMA ESTÁ SUJEITA EM TODOS OS MOMENTOS E SOBRE O TREINAMENTO QUE ELA ADQUIRE NAS COISAS DA DIREITA E DA ESQUERDA

Olhemos para nós mesmos no momento do culto e da oração. Se possuímos contemplação a respeito das palavras dos Salmos e da oração, isso tem sua origem na verdadeira solidão.

Não nos perturbemos quando estivermos na escuridão; especialmente se não formos nós mesmos a causa disso. Pois ela é provocada pelo cuidado divino, por motivos que só Ele conhece. Nossa alma fica então sufocada e, por assim dizer, em meio a tempestades. Seja quando um homem se aproxima de um livro de culto — seja o que for a que ele se aproxime —, é escuridão sobre escuridão que ele encontra nisso, de modo que desiste de todo esforço. Quantas vezes nem mesmo lhe é permitido aproximar-se. Ele é totalmente incapaz de acreditar que um estado diferente virá sobre ele, de modo que volte a estar em paz. Essa hora está repleta de desespero e medo; e a esperança em Deus e o consolo da fé são totalmente apagados da alma, que está completamente cheia de dúvida e medo.

Aqueles que são tentados pela tempestade desse momento conhecem, por experiência própria, o estado diferente que se seguirá a ela. Deus jamais deixará a alma por um dia inteiro nesse estado; caso contrário, ela perderia a vida e toda a esperança cristã. Mas, gradualmente — por mais forte que seja essa escuridão —, surgirá dela uma virada para a vida. A ti, ó homem, dou este conselho: se não possuis força para dominar tua alma e prostrar-te em oração, envolve a cabeça em teu manto e deita-te até que a hora da escuridão tenha passado.

Não saias, porém, de tua cela. Por essa tentação são provados especialmente aqueles que estão dispostos a trilhar o caminho da disciplina mental e que, em sua jornada, correm em direção ao consolo que vem da fé.

Essa hora sombria, portanto, os atormenta, mais do que qualquer outra coisa, com a dúvida espiritual. Ela também é acompanhada por fortes insultos; às vezes, até mesmo pela dúvida sobre a ressurreição e outros pontos que não é necessário mencionar.

xTodas essas coisas nós experimentamos muitas vezes e registramos para o consolo de muitos. Aqueles que se ocupam apenas de trabalhos físicos estão totalmente afastados dessa luta. Eles são atacados pelo desânimo com o qual todo homem está familiarizado e que difere do estado mencionado e de outros semelhantes. A cura deste último — ou seja, seu consolo — tem sua origem na solidão. Pelo convívio social, o homem nunca obterá a luz do consolo, mas, com o passar do tempo, encontrará alívio. Posteriormente, porém, ela o atacará veementemente; ele precisará de um homem iluminado, experiente nessas coisas, por meio do qual possa ser esclarecido e encorajado de tempos em tempos, embora não constantemente. Bem-aventurado aquele que, nessas circunstâncias, suporta o confinamento em casa; aquele que, após essas provações, alcança o aposento amplo e forte, como dizem os Padres. Não cessará, porém, de imediato essa luta; nem a graça virá habitar na alma completamente de uma só vez, mas gradualmente. Uma coisa e outra: ora a tentação, ora o consolo. Parte disso permanecerá, até mesmo até a partida. Não esperamos aqui a libertação completa disso, nem a consolação completa.

Assim agradou a Deus que nossa vida temporal fosse disposta. E essas coisas são para aqueles que trilham o caminho.