ISAQUE O SÍRIO — TRATADOS MÍSTICOS
Traduzidos para o inglês por A. J. Wensinck; obra publicada em 1923 (livro raro)
Isaac of Nineveh : Mystic Treatises (XV)
XV NO CURSO DA CARREIRA SOLITÁRIA, SUCINTAMENTE E SEM PROLIXIDADE. E SOBRE A QUESTÃO DE COMO E EM QUE TEMPO SUAS VIRTUDES NASCEM UMA DA OUTRA
De forma lúcida e distinta, o caminho das virtudes se revela assim.
Das obras realizadas por obrigação, na solidão nasce um calor ardente e imensurável, que é gerado no coração por deliberações fervorosas, recém-nascidas no espírito.
As obras e a vigilância refinam a mente com seu calor e lhe conferem visão. E a visão dá origem às deliberações fervorosas mencionadas, devido à profundidade da visão psíquica que se chama contemplação.
A contemplação dá origem ao fervor; desse fervor nasce a visão concedida pela graça; e então começam os jorros de lágrimas. A princípio, são lágrimas intermitentes, o que significa que as lágrimas de um homem fluirão várias vezes ao dia. Em seguida, ele chegará ao (estado de) lágrimas ininterruptas. Por meio das lágrimas, a alma recebe deliberações pacíficas. Das deliberações pacíficas, ela eleva-se à serenidade da percepção. E, pela serenidade da percepção, o homem alcança a visão das coisas ocultas. Pois a pureza é alcançada pela ausência de conflito.
E, após isso, a mente alcançará aquilo que é denotado pelo símbolo do ribeiro no profeta Ezequiel, um símbolo que contém o modelo desses três estágios psíquicos que estão próximos das coisas divinas e dos quais o terceiro é o máximo que um homem pode alcançar.
O início de tudo isso é a boa vontade para com Deus e várias práticas em solidão, bem como aquela retidão que nasce do rigoroso afastamento do mundo.
Não é necessário enumerar as distinções entre as práticas, pois elas são conhecidas por todos. Mas, assim que alguém se dedica a elas, não é possível que se deteriore; sei, pelo contrário, que ele se beneficiará delas. São as seguintes: a prática da fome, da recitação, da vigília noturna, de acordo com a força de cada um; prostrações frequentes, várias vezes ao dia e muitas vezes durante a noite. Alguns realizarão trinta prostrações de uma só vez, farão a saudação (à cruz) e se afastarão dela. Alguns realizarão até um número maior. Outros prolongarão a oração por três horas e permanecerão em concentração enquanto prostrados, sem compulsão e sem distração.
Esses dois estados distintos demonstram a grande riqueza da graça, que atua de diversas maneiras em cada homem, de acordo com sua medida, seja multiplicando o número (de suas orações) em virtude de seu fervor, seja alcançando a quietude na alma, de modo a reduzir a uma única a grande quantidade de suas orações anteriores.
Quanto à questão da causa dessa outra oração e de sua duração sem coação, parece-me que não nos convém tratar de tais assuntos em detalhes, descrevendo sua natureza em palavras ou escritos, para que o leitor, incapaz de compreender nada disso, não julgue que se trata de algo insípido; ou, caso esteja familiarizado com essas coisas, não despreze aquele que não é capaz de ultrapassar os limites de certas coisas. De um lado, a reprovação; do outro, o riso seria a consequência; e assim eu me tornaria um escritor bárbaro para tais pessoas, de acordo com a palavra do apóstolo a respeito daquele que fala em profecias.
Mas aquele que deseja conhecer essas coisas deve saber que seu curso já foi descrito acima. Ele pode combinar as obras com deliberação, pela graça de nosso Senhor. E o que acontece na prática nesses estados, ele poderá experimentar pessoalmente.
Permaneça, portanto, em sua cela, e a cela lhe ensinará tudo.