Decálogo do Novo Testamento

Philokalia

  1. O único Senhor Deus é revelado na Trindade do Pai não gerado, do Filho eternamente gerado como Logos e do Espírito Santo que procede do Pai, permanecendo indiviso em natureza, vontade, glória, poder, energia e em todos os atributos da divindade.
  2. Somente Deus deve ser amado, adorado, lembrado e temido com toda a mente, coração e força, e seus mandamentos devem permanecer no coração para serem praticados, meditados e anunciados em todas as circunstâncias da vida.
  3. Nenhuma criatura celeste, angélica, demoníaca ou cósmica deve ser tomada como igual a Deus, pois céu, sol, lua, estrelas, ar, mar e terra são obras do único Criador, diante de quem convém arrepender-se continuamente e a quem se deve aderir pelo amor.
    • Deus concede reino celeste, existência sem dor, vida imortal e luz imperecível aos que o reverenciam, adoram, amam e guardam seus mandamentos.
    • Deus também é juiz justo e zeloso, que pune com castigo eterno aqueles que o desonram, desobedecem e desprezam seus mandamentos.
  4. A proibição de imagens não impede a veneração do ícone de Cristo encarnado, pois o Filho e Logos de Deus assumiu carne da Virgem, viveu entre os homens, sofreu, morreu, ressuscitou, ascendeu corporalmente aos céus e voltará corporalmente para julgar vivos e mortos.
    • O ícone de Cristo deve elevar o intelecto ao corpo venerável do Salvador, sentado à direita do Pai.
    • A veneração não se dirige à matéria como divindade, mas ao próprio Cristo representado.
  5. Os ícones dos santos devem ser venerados sem deificação, porque por meio deles o intelecto se eleva aos santos com afeição, honra e comunhão espiritual, do mesmo modo que Moisés fez imagens dos querubins sem divinizar a criação.
    • O Santo dos Santos figurava as realidades supracelestes.
    • O Lugar Santo figurava o mundo inteiro.
    • A honra dirigida aos ícones glorifica Deus, criador do mundo e restaurador da imagem humana.
  6. A cruz de Cristo deve ser venerada como grande sinal e troféu da vitória sobre o diabo, assim como também os ícones, santuários e relíquias dos santos devem ser honrados porque a graça divina permanece ligada aos que glorificaram a Deus.
    • A figura da cruz foi glorificada pelos profetas antes da crucificação.
    • O sinal da cruz precederá a vinda gloriosa de Cristo para julgar vivos e mortos.
    • As relíquias dos santos permanecem vinculadas à graça, assim como a divindade não se separou do corpo de Cristo em sua morte vivificante.
  7. O nome do Senhor não deve ser tomado em vão por juramento falso, medo humano, vergonha ou ganho pessoal, pois o falso juramento nega Deus e todo juramento deve ser evitado conforme o mandamento de Cristo.
    • A verdade constante nas palavras deve bastar como garantia.
    • Um juramento lícito já feito deve ser cumprido, mas acompanhado de arrependimento, misericórdia, súplica, luto e esforço corporal.
    • Um juramento ilícito não deve ser cumprido, para que o pecado não se agrave como no caso de Herodes.
  8. O dia do Senhor deve ser santificado por repouso das ocupações mundanas não essenciais, memória da ressurreição, exame dos mandamentos, correção de si, participação no templo e recepção do corpo e sangue de Cristo com fé sincera e consciência limpa.
    • O domingo é consagrado ao Senhor porque nele Cristo ressuscitou dos mortos e antecipou a ressurreição universal.
    • Os subordinados e conviventes também devem repousar para glorificar juntos o Redentor.
    • As grandes festas devem ser associadas ao dia do Senhor mediante as mesmas práticas e abstinências.
  9. Pai e mãe devem ser honrados depois de Deus, pois por meio deles Deus concedeu a vida, mas essa honra deve ceder quando os vínculos familiares impedem a fé verdadeira e a salvação.
    • O amor aos pais é legítimo quando fortalece o amor a Deus.
    • Quando os familiares se tornam obstáculo à fé salvadora, devem ser espiritualmente abandonados sem ódio carnal.
    • A palavra de Cristo exige preferir o seguimento da cruz a pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, irmãs e à própria vida.
  10. Os pais espirituais devem ser honrados ainda mais que os pais naturais, pois conduzem da simples existência à virtude, à saúde espiritual, ao conhecimento da verdade, ao renascimento batismal e à esperança da ressurreição e do Reino eterno.
    • A honra dada aos pais espirituais retorna a Cristo, ao Espírito Santo e ao Pai celeste.
    • Convém ter um pai espiritual por toda a vida, confessar-lhe pecados e maus pensamentos, receber dele cura e remissão.
    • A obediência aos pais espirituais preserva a alma, enquanto a contradição obstinada expulsa o Espírito de Deus.
  11. A impureza sexual deve ser evitada para que o corpo não se separe de Cristo e se una à prostituição, perdendo a herança divina e lançando-se ao inferno.
    • A virgindade torna a pessoa inteiramente de Deus e antecipa a vida angélica futura.
    • A castidade verdadeira em alma e corpo imita a pureza do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
    • A virgindade embeleza sensações, palavras e pensamentos com beleza incorruptível.
  12. O matrimônio é permitido a quem não escolheu nem prometeu a virgindade, mas deve ser vivido em santidade com uma só esposa e com plena abstinência de outras mulheres, inclusive no olhar e na imaginação.
    • O olhar concupiscente já constitui adultério no coração diante de Cristo.
    • A contemplação desordenada da beleza corporal conduz a atos impuros e até contra a natureza.
    • Cortadas as raízes amargas do desejo, colhem-se os frutos da castidade e da santidade sem as quais ninguém verá o Senhor.
  13. O homicídio deve ser evitado desde suas raízes interiores, pois ele nasce da ira, da injúria e da retaliação, enquanto Cristo ensina a não devolver golpe por golpe nem insulto por insulto.
    • A mansidão liberta tanto quem sofre a injustiça quanto quem a pratica do crime espiritual do homicídio.
    • O perdão recebido de Deus está ligado ao perdão concedido ao próximo.
    • A ira deve ser censurada desde seu início, para que pequenas faltas não conduzam a transgressões maiores.
  14. O roubo deve ser rejeitado porque despreza Deus, que conhece o oculto, e em seu lugar deve-se praticar a esmola secreta aos necessitados, recebendo de Deus recompensa centuplicada e vida eterna.
  15. A falsa acusação deve ser evitada para não tornar a alma semelhante ao diabo, acusador mentiroso, sendo preferível ocultar a falta do próximo quando isso não causar dano a outros.
  16. A cobiça de qualquer bem do próximo deve ser rejeitada, pois o desejo concebido na alma gera pecado, e o pecado consumado produz morte.
    • Não se deve cobiçar terra, dinheiro, glória ou qualquer posse alheia.
    • Deve-se dar a quem pede, socorrer quem necessita e não recusar quem deseja tomar emprestado.
    • Um objeto perdido deve ser guardado para seu dono, mesmo quando ele é inimigo, vencendo o mal com o bem.
  17. A observância desses mandamentos acumula na alma tesouros de santidade, agrada a Deus, recebe recompensa divina e conduz à herança das bênçãos eternas pela graça e compaixão de Jesus Cristo.