[IV, 22, 136] Se se pudesse imaginar alguém que oferecesse ao gnóstico escolher entre o conhecimento de Deus e a salvação eterna, e se se pudessem cindir as duas coisas idênticas, ele escolheria, sem hesitar, o conhecimento de Deus, estimando desejável por sua própria virtude aquela propriedade da fé que, pelo amor, sobe ao conhecimento…
[138] Tal homem já não é continente, mas alcançou um estado de apatia, esperando revestir a imagem divina. «Se fazes esmola», é dito, «que ninguém o saiba»; e «se jejuas, unge-te, para que somente Deus o saiba», e não um único ser humano. Nem mesmo aquele que usa de misericórdia deveria saber que a usa, porque, se o souber, por vezes a usará e por vezes não. E, quando fizer o bem por hábito, imitará a natureza do bem, e sua disposição será sua natureza e sua prática… E, se alguns odeiam o eleito, este conhece a ignorância deles e tem piedade de suas mentes por causa de sua loucura. [139] O próprio conhecimento ama e instrui o ignorante e toda a criação, para que honre Deus Onipotente. E, se um gnóstico ensina a amar Deus, possuirá a virtude como coisa que em nenhum caso perde, nem desperto nem sonhando… porque o hábito nunca deixa de ser eficaz… Seja como for que se deva chamar o conhecimento, hábito ou disposição, uma vez que os diversos sentimentos não têm acesso, o espírito, como hegemonia, permanece imutável, não sendo modificado pelas aparências, pelo fato de extrair, nos sonhos, ficções de seus movimentos diurnos. Por isso o Senhor ordena vigiar para que a alma nunca seja perturbada pela paixão, nem mesmo nos sonhos, e manter pura e imaculada a vida da noite como a do dia…
[142] A santidade, crê-se, é perfeita pureza de mente, de ações e pensamentos, e também de palavras; e, em seu grau máximo, impecabilidade até nos sonhos. [143] Suficiente purificação, crê-se, é o arrependimento completo e seguro, que ocorre quando, condenando-nos por nossos pensamentos anteriores, despojamos a mente tanto das coisas que nos agradam pelos sentidos quanto de nossas transgressões passadas.
Quanto à etimologia de conhecimento, seu sentido sutil deve ser derivado de estabilidade, porque a alma, que antes era levada de uma parte a outra, agora se fixa nos objetos. Do mesmo modo, a fé deve ser explicada etimologicamente como a estabilidade da alma naquilo que é.
[VI, 9, 74] Deve-se considerar o homem gnóstico e perfeito isento de toda paixão da alma. O conhecimento, com efeito, produz a práxis, e a práxis, o hábito ou disposição; e tal estado produz a apatia, não já a moderação da paixão; o desarraigamento total do desejo colhe como seu fruto a apatia. Mas o gnóstico não experimenta sequer aqueles afetos que costumam passar por bons, isto é, os elementos bons dos sentimentos ligados às paixões, como a alegria que é aliada do prazer… e o abatimento que é conatural à dor, e a cautela que é propensa ao medo. Ele nem sequer participa da excitação, como de algo próximo da ira, embora alguns afirmem que esses sentimentos já não são maus, mas bons. [75] Com efeito, é impossível que o homem aperfeiçoado pelo amor e que faz continuamente festa pela alegria sem limites da contemplação se deleite com as ocorrências afanosas. Que motivo restaria, pois, para voltar às boas coisas do mundo àquele que obteve «a luz inacessível»? Aquele que concede as recompensas torna bom com os atos aquilo que o gnóstico, por escolha gnóstica, apreendeu antecipadamente, graças ao amor e precisamente em virtude daquele amor gnóstico de que procedem a herança e a perfeita restituição.
Embora voltado para o Senhor pelo amor que lhe dedica, ainda que o tabernáculo seja visível sobre a terra, ele não se retira da vida. Isso não lhe é concedido. Mas retirou a alma das paixões, e isso, sim, lhe é concedido. Além disso, vive tendo matado seus desejos, e já não usa do corpo, mas concede a este o uso das coisas necessárias, para não dar motivo de dissolução.
[76] Então, que faria da fortaleza aquele que não pode estar em perigo, por não estar presente, mas todo junto ao objeto de seu amor? E que necessidade há de temperança naquele que dela não necessita? Ter desejos que exigem a temperança é, com efeito, próprio de quem ainda não é puro, mas sujeito à paixão. Ora, a fortaleza se exerce por motivo do medo e da covardia. Já não seria conveniente que o amigo de Deus, que Deus preordenou antes da fundação do mundo à adoção mais alta, caísse em prazeres ou temores, ocupando-se da repressão das paixões. Ousa-se dizer que, assim como ele é predestinado quanto ao que fará e obterá, também se predestinou em virtude do que soube e daquele que amou, não tendo um futuro indistinto, tal como é experimentado pela massa que o vai adivinhando, mas antes tendo apreendido pela fé gnóstica aquilo que aos outros está oculto. [77] Pelo amor, o futuro lhe é presente. Creu, pelas profecias e graças ao advento, em Deus, que não mente. E aquilo em que crê, ele o possui, e mantém firme a promessa.
E Aquele que prometeu é verdade. E, pela credibilidade Daquele que prometeu, o gnóstico apreendeu firmemente o fim da promessa com o conhecimento. E quem conhece a compreensão do futuro que está nas circunstâncias em que se encontra vai ao encontro do futuro por amor. De modo que, persuadido de obter as coisas realmente boas, não rezará para obter o que está aqui embaixo, mas para permanecer sempre ligado à fé que atinge o alvo e tem bom êxito. Além disso, rezará para que o maior número possível de pessoas se torne como ele, para a glória de Deus, que é aperfeiçoada pelo conhecimento. Aquele que se torna semelhante ao Salvador dedica-se também à salvação, e cumpre sem erro os mandamentos na medida em que a natureza humana é compatível com a imagem, isto é, adora Deus com os fatos e com o conhecimento da verdadeira justiça. [78] O Senhor não aguardará a voz de seu homem em oração. «Pede», diz Ele, «e farei; pensa, e darei».
É impossível que o mutável adquira firmeza e consistência no mutável. Mas, enquanto a faculdade dominante se encontra em perpétua mudança e, por isso, é instável, a força do hábito não é sustentada. Como pode possuir hábito, disposição e conhecimento científico aquele que é continuamente modificado por circunstâncias externas e incidentes? Além disso, os filósofos consideram as virtudes como hábitos, disposições e ciências.
Sendo o conhecimento não inato, mas adquirido, aprender seus rudimentos exige aplicação, exercício e progresso, e só assim permanece, tornando-se, pela prática incessante, hábito tornado infalível pelo amor, confirmado pelo hábito místico…
[10, 80] O gnóstico aplica-se aos temas que exercitam para o conhecimento, extraindo de cada ramo de estudo a contribuição particular para a verdade. Contempla as proporções harmônicas na música e na aritmética, notando o crescimento e o decréscimo dos números e suas relações recíprocas, e como a maior parte das coisas depende de certa proporção de números; estudando e praticando a geometria, que é essência abstrata, apreende a distância ininterrupta e a imutabilidade incorpórea. Com a astronomia, elevado mentalmente acima da terra… volta-se com a revolução das esferas… Partindo disso, Abraão subiu até o conhecimento de Deus que o havia criado…
[11, 84] Abraão dá o exemplo tanto na astronomia quanto na aritmética…
O número 300 é 3 vezes 100; 10 é número perfeito. 8 é o primeiro cubo, isto é, igualdade em todas as coordenadas: comprimento, largura e profundidade. «Os dias dos homens serão cento e vinte anos», diz-se, e 120 é a soma dos números de 1 a 15 adicionados um ao outro, e a Lua de quinze dias é cheia.
[85] Por outra ordem de considerações, 120 é um número triangular e é a igualdade de 64, que consiste em 1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, 15, que geram quadrados, e da desigualdade de 56, sete números pares… 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14, que geram números que não são quadrados.
Outro modo de indicar 120 é o dos quatro números: um triangular, 15; outro quadrado, 25; um terceiro pentagonal, 35; um quarto hexagonal, 45.
O 5 está sempre na mesma proporção, porque, nos triangulares, 15 vem da unidade 5; nos quadrados vem 25, e assim por diante. O 25… é símbolo da tribo de Levi, e o 35 depende da escala aritmética, geométrica e harmônica de dupla: 6, 8, 9, 12, que adicionados fazem 35. Em tais dias, dizem os Hebreus, formam-se os setemes. O 45 depende da escala de triplos: 6, 9, 12, 18, cuja adição forma 45; e igualmente nesses dias, dizem, formam-se as crianças de nove meses.
[86] Tal é o exemplo de Abraão em aritmética. E o tabernáculo… e a arca… são testemunhos da geometria mística… [87] Há quem diga que trezentos côvados são o símbolo do sinal do Senhor; cinquenta, da esperança e remissão pentecostal; e trinta ou, segundo a opinião de outros, doze, aludem à pregação, porque o Senhor pregou em seu trigésimo ano e os apóstolos eram doze. E o remate de um côvado é símbolo do progresso do justo rumo à mônada e à «unidade da fé»… Acrescentem-se os doze côvados conformes à revolução dos doze meses, no círculo do ano em que a natureza gera todas as coisas adaptando-se às quatro estações…
[88] Como exemplo musical, aduza-se David, que tocava e profetizava ao mesmo tempo, louvando melodiosamente Deus… A lira, em seu primeiro significado, talvez seja usada figurativamente pelo Salmista para designar o Senhor; em seu segundo significado, para designar aqueles que continuamente tangem as cordas de suas almas sob a condução do Corifeu, o Senhor. E, se os salvos são chamados lira, entender-se-á que o são em consequência de entoarem musicalmente a glória por inspiração do Verbo e pelo conhecimento de Deus, sendo tangidos pelo Verbo de modo a gerar fé…
[89] Mas a maior parte dos assinalados pelo Nome de Cristo, como os companheiros de Ulisses, usa da palavra sem perícia, ultrapassando não as sereias, mas o ritmo e a melodia, tapando os ouvidos com a ignorância…
[90] Assim também na astronomia, porque, tratando dos objetos celestes, da forma do universo e das revoluções astrais que levam a alma para mais perto do poder criador, ensina a prontidão para perceber as estações do ano, as mudanças do ar e o aparecimento das estrelas.
[12, 101] Àqueles que se arrependeram, mas não creram firmemente, Deus atende aos votos em virtude de suas súplicas. Mas àqueles que vivem imaculados e gnósticos Ele dá aquilo que apenas conceberam em pensamento… Não foi como um arquiteto que louva a obra por ele realizada que Deus, tendo feito a luz e vendo-a, disse que era boa; pois, sabendo de antemão como ela seria, louvou aquilo que estava feito, tendo Ele tornado potencialmente bom, pela primeira concepção sem começo, aquilo que estava destinado a ser bom em ato. Aquilo que tem futuro, desde antes Ele disse que era bom, pois sua frase ocultava a verdade por hipérbato.
[102] Por isso o gnóstico reza mentalmente a cada hora do dia, sendo aliado de Deus pelo amor. Primeiro pedirá perdão de seus pecados; depois pedirá não pecar mais; e, por fim, o poder de agir bem e de compreender toda a criação e administração divina, a fim de que, tornando-se puro de coração por meio do conhecimento obtido pelo Filho de Deus, possa ser iniciado à visão beatífica face a face, tendo ouvido a Escritura que diz: «Oração com jejum é coisa boa».
Jejum quer dizer abstinência de todos os males, na ação como na palavra, e no próprio pensamento. Vê-se, portanto, que a justiça é quadrada, igual por todos os lados, na palavra, no ato, na abstinência dos males, na beneficência, na perfeição gnóstica; por nenhuma parte e de nenhum modo se detendo, de sorte a parecer injusta ou desigual…
[103] O homem hábil e gnóstico revela-se em sua justiça já aqui embaixo; como Moisés glorificado diante da alma, o corpo traz a marca da alma justa. Assim como o mordente da tintura, permanecendo na lã, produz nela uma qualidade e uma diversidade em relação à lã restante, assim, na alma, a dor desapareceu, mas o bem permanece; o doce permanece, mas a abjeção é retirada. Estes últimos, com efeito, são os caracteres de toda alma, pelos quais se distingue a glorificada da condenada.
[104] Assim como em Moisés, graças à sua conduta justa e ao seu comércio contínuo com Deus, que lhe falava, difundiu-se uma tintura de glória sobre o rosto, assim uma potência divina de bondade, que se une à alma justa na contemplação, na profecia e no exercício do poder, imprime nela uma irradiação intelectual, semelhante ao raio solar, como sinal visível de justiça que une a alma à luz por meio de um amor ininterrupto que traz Deus e é trazido por Deus. Assim nasce no gnóstico a assimilação a Deus Salvador, na medida em que é dado à natureza humana, sendo ele feito perfeito «como o Pai nos céus»…
[14, 108] Aqueles que não permanecem na sétima morada, lugar de repouso, mas são promovidos, por meio da beneficência ativa da semelhança divina, à herança de beneficência que é o oitavo grau, dedicando-se à contemplação insaciável, repousam sobre a santa colina de Deus, como diz David, na Igreja lá em cima, no alto, onde são acolhidos os filósofos de Deus, que são em verdade israelitas, puros de coração, nos quais não há engano.
[VII, 3, 13] O gnóstico forma-se e cria; além disso, como Deus, adorna aqueles que o escutam, assumindo quanto é possível a moderação que, nascida da prática, tende à apatia e, por fim, Àquele de quem a natureza possui a apatia, e sobretudo discorrendo sem trégua com o Senhor e tendo comunhão com Ele. Mansidão, filantropia e grande piedade são regras da assimilação a Deus. [14] Essas virtudes são «um sacrifício agradável à vida de Deus», e a Escritura afirma que «o coração humilde», com justo conhecimento, «é o holocausto de Deus», sendo todo homem introduzido à santidade, iluminado em virtude da união indissolúvel.
Com efeito, tanto o Evangelho como o Apóstolo exortam a levar-se em cativeiro e a trucidar-se, extinguindo «o homem velho corrompido pelas luxúrias» e levantando o homem novo da morte, «da velha conversação», abandonando as paixões e soltando-se do pecado.
Eis o que a Lei ordenava, ao mandar que o pecador fosse separado e levado da morte à vida, à impassibilidade que nasce da fé; os mestres da Lei não o entenderam, pois consideravam a lei contenciosa, dando assim ensejo àqueles que tentam vilipendiar a Lei. Por isso não sacrificamos a Deus, que, não tendo necessidade de nada, fornece tudo aos homens, mas antes glorificamos Aquele que se entregou a si mesmo em sacrifício por nós, sacrificando-nos por nossa vez; de quem não tem necessidade de nada Àquele que não tem necessidade de nada, do impassível ao Impassível. Porque Deus se alegra somente em nossa salvação…
[15] Mas aqueles que não compreenderam a autonomia da alma e a impossibilidade de ela ser tratada como escrava no que diz respeito à escolha da vida, sentindo repugnância por aquilo que é cometido por grave injustiça, não creem que Deus exista… [16] O gnóstico é piedoso, cuida primeiro de si, depois de seus próximos, para que se tornem ótimos. Pois, assim como um filho agrada ao pai mostrando-se bom e semelhante a ele, do mesmo modo age o súdito com o chefe. Crer e obedecer estão em nosso poder.
[VII, 6, 32] Respirar juntamente se diz propriamente da Igreja, porque o sacrifício da Igreja é o Verbo que exala como incenso das almas santas; o sacrifício é a mente inteira desvelada diante de Deus. Celebravam como santo o antiquíssimo altar de Delos, do qual — e somente dele — Pitágoras se aproximou, dizem, porque jamais fora maculado por abate e morte.
E não acreditarão quando se diz que a alma justa é o altar verdadeiramente sagrado e que o incenso com que fumega é a oração?…
[7, 35] Nós, gnósticos, fazemos festa durante toda a nossa vida, persuadidos de que Deus está presente de todos os lados, de tal modo que cultivamos nossos campos louvando; velejamos pelo mar elevando hinos; em toda relação nossa mantemo-nos segundo a norma. O gnóstico é, portanto, estreito aliado de Deus, sendo ao mesmo tempo grave e alegre: grave pela inclinação de sua alma a Deus, e alegre em consideração às bênçãos concedidas por Deus… [36] Ele é o homem verdadeiramente régio, o sumo sacerdote de Deus… Por isso nunca se rende à massa que domina os teatros, e nem mesmo em sonho concede entrada às coisas ditas, feitas ou vistas em vista de prazeres sedutores; portanto, nem aos prazeres da vista, nem aos outros que se encontram em outra espécie de fruição… Sempre referindo a Deus o grave gozo de toda coisa, oferece as primícias do alimento, da bebida, dos unguentos ao Doador de tudo, reconhecendo a ação de graças a Ele no dom e no uso deles, em graça da mediação que lhe foi concedida. Raramente vai aos banquetes comuns, salvo se for levado pelo anúncio de seu caráter amistoso e harmonioso. Está persuadido de que Deus sabe e percebe todas as coisas, não só as palavras, mas também os pensamentos, pois também nossa audição, que age pelos canais do corpo, apreende não por poder corporal, mas por uma percepção psíquica e pela inteligência que distingue os sons significativos…
[40] Alguns atribuem horas precisas à oração, como a terceira, a sexta e a nona, mas o gnóstico reza durante toda a vida… Mas a distribuição das horas em três partes, honradas por outras tantas orações, é familiar àqueles que conhecem a bendita trindade das santas moradas…
[41] Assim como Deus pode fazer tudo o que quer, o gnóstico recebe tudo o que pede. Deus sabe quem é digno ou não das coisas boas, razão pela qual dá a cada um aquilo que lhe convém… O louvor e o pedido da conversão dos próximos é ofício do gnóstico, assim como rezou o Senhor… Mas, se toda ocasião de conversar com Deus se torna oração, nenhuma ocasião de aproximar-se de Deus deveria ser deixada de lado. Sem dúvida, a santidade do gnóstico juntamente com a divina providência mostra, na confissão voluntária, a perfeita benevolência de Deus. Com efeito, a santidade do gnóstico e a recíproca benevolência amistosa de Deus são um movimento correspondente da providência…
[44] Por isso o gnóstico não deseja nada que esteja ausente, satisfeito com aquilo que está presente… Sendo magnânimo e possuindo, pelo conhecimento, aquilo que é preciosíssimo e ótimo, solícito em dedicar-se à contemplação, abriga na alma a energia permanente dos objetos de sua contemplação, isto é, a perspicaz acuidade do conhecer.
[VII, 10, 57] A primeira conversão salutar é do paganismo à fé, e a segunda, da fé ao conhecimento. E esta culmina no amor e entrega o amante ao amado e o cognoscente ao conhecido. E quem chegou a isso já alcançou a condição de «igual aos anjos». E, depois da máxima excelência na carne, dirige seu voo à aula ancestral através da héptade sagrada até a morada do Senhor, para ser uma luz constante, eterna, inteiramente e em toda parte imutável…
[11, 60] O desejo fundido com a investigação surge à medida que a fé cresce; assim, o gnóstico prova a vontade de Deus, porque não são os ouvidos, mas a alma, que se presta às coisas significadas por aquilo que é dito. Por isso, apreendendo as essências e os objetos por meio das palavras, reconduz sua alma ao essencial, aprendendo, no modo especial em que são ditos ao gnóstico, os mandamentos «Não cometerás adultério», «Não matarás», e não no modo em que são entendidos pelos outros.