O conhecimento — gnosis —, falando em geral, é uma perfeição do homem como homem, consumada pela familiaridade com as coisas divinas, em caráter, vida e palavra, concordantes e conformes a si mesmos e ao Verbo divino — pois por ele a fé é aperfeiçoada, na medida em que é somente por ele que o crente se torna perfeito.
A fé é um bem interno que, sem buscar a Deus, confessa Sua existência e O glorifica como existente — e partindo dessa fé, desenvolvido por ela, pela graça de Deus, o conhecimento a respeito d'Ele deve ser adquirido tanto quanto possível.
O conhecimento — gnosis — difere da sabedoria — sofia — que é resultado do ensino: pois na medida em que algo é conhecimento, é certamente sabedoria; mas na medida em que algo é sabedoria, não é necessariamente conhecimento.
Não é a dúvida em relação a Deus, mas o crer, que é o fundamento do conhecimento; e Cristo é tanto o fundamento quanto a superestrutura, por quem são tanto o começo quanto os fins.
Os pontos extremos — o começo e o fim, a fé e o amor — não são ensinados; mas o conhecimento, transmitido como depósito pela graça de Deus, é confiado aos que se mostram dignos dele; e dele o valor do amor irradia de luz em luz.
“Ao que tem será dado”: à fé, o conhecimento; ao conhecimento, o amor; ao amor, a herança.