O guia da alma, permanecendo inalterado, não admite alteração das aparências nem nas visões de sonho — e por isso o Senhor ordena “vigiar”, para que a alma nunca seja perturbada por paixão, nem mesmo em sonhos, mantendo pura a vida da noite como se fosse passada de dia.
A variedade de disposição nasce do apego desordenado às coisas materiais.
A noite foi chamada, ao que parece, de Eufrone — pois então a alma, libertada das percepções dos sentidos, volta-se sobre si mesma e tem um apreço mais verdadeiro da inteligência — Fronesis; e por isso os mistérios são em sua maior parte celebrados à noite, indicando o afastamento da alma do corpo.
Paulo: “Não durmamos, pois, como os demais; mas vigiemos e sejamos sóbrios. Pois os que dormem, dormem à noite; e os que se embriagam, embriagam-se à noite. Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo a couraça da fé e do amor, e como elmo a esperança da salvação.”
Heraclito: “O homem toca a noite em si mesmo quando está morto e sua luz apagada; e vivo, quando dorme, toca o morto; e acordado, quando fecha os olhos, toca o adormecido.”
Paulo: “Já é hora de acordar do sono. Pois agora a nossa salvação está mais perto do que quando cremos. A noite está adiantada, o dia está próximo. Lancemos, pois, fora as obras das trevas, e vestimos as armas da luz.”
O filho é designado figurativamente pelo dia e pela luz; as promessas, metaforicamente pela armadura da luz.