A lei não causou o pecado, mas o revelou — e não pode ser má aquela que é dada como pedagogo — paidagogos — para
Cristo, corrigindo pelo temor na forma de disciplina para a obtenção da perfeição que está em Cristo.
Certas heresias, apelando ao apóstolo Paulo que diz “pela lei é o conhecimento do pecado”, afirmam que a lei não é boa — mas não o compreendem: o apóstolo disse que pela lei o conhecimento do pecado foi manifestado, não que dele derivou sua existência.
A lei, ao ordenar o que deve ser feito, repreendeu o que não deveria ser feito; e cabe ao bem ensinar o que é salutar, apontar o que é deletério, aconselhar a prática de um e ordenar o afastamento do outro.
“Não quero a morte do pecador, mas o seu arrependimento” — e o mandamento produz arrependimento, por deter o que não deve ser feito e por ordenar boas obras.
“E quem está próximo do Senhor está cheio de açoites” — quem se aproxima do conhecimento tem o benefício dos perigos, temores, tribulações e aflições, por causa de seu desejo pela verdade.
“O
filho que é instruído torna-se sábio, e um filho inteligente é salvo do fogo. E um filho inteligente receberá os
mandamentos.”
O apóstolo Barnabé, tendo dito “Ai dos que são sábios em seus próprios conceitos, espertos a seus próprios olhos”, acrescentou: “Tornemo-nos espirituais, um templo perfeito a Deus; pratiquemos, na medida em que em nós está, o temor de Deus, e nos esforcemos por guardar Seus mandamentos, para que nos alegremos em Seus julgamentos.”
Daí o “temor de Deus” ser divinamente dito como o princípio da sabedoria.