A fé, que os gregos desprezam por julgá-la fútil e bárbara, é uma preconcepção voluntária — o assentimento da piedade —, o fundamento da escolha racional e o início da ação, cuja prática direta se torna conhecimento repousado sobre base segura.
“Meu justo viverá pela fé”, disse o profeta; e outro profeta: “Se não crerdes, tampouco entendereis.”
A alma não pode admitir a contemplação transcendente de tais temas enquanto a descrença sobre o que há de ser aprendido luta em seu interior.
O apóstolo Paulo: a fé é “a substância das coisas esperadas, a evidência das coisas não vistas” — e “por ela os anciãos obtiveram bom testemunho. Mas sem fé é impossível agradar a Deus.”
Outros definiram a fé como um assentimento unificador a um objeto invisível — e a prova de uma coisa desconhecida é um assentimento evidente.
Sendo a fé uma escolha desejante de algo, o desejo é nesse caso intelectual; e sendo a escolha o início da ação, a fé é descoberta como o início da ação e o fundamento da escolha racional.
Seguir voluntariamente o que é útil é o primeiro princípio do entendimento; a escolha inabalável dá considerável impulso na direção do conhecimento.
Os filósofos definem o conhecimento como um hábito que não pode ser derrubado pela razão — e não há outra condição verdadeira tal, exceto a piedade, da qual somente o Verbo é mestre.
Teofrasto diz que a sensação é a raiz da fé — pois dela os princípios rudimentares se estendem à razão que está em nós e ao entendimento.
Quem crê nas Escrituras divinas com juízo seguro recebe na voz de Deus — que outorgou a Escritura — uma demonstração que não pode ser refutada; portanto a fé não é estabelecida pela demonstração.
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As canções das Sereias, exibindo um poder acima do humano, fascinavam os que se aproximavam, conciliando-os quase contra a vontade à recepção do que era dito.