Árvore da Vida

“Instruções Espirituais — Diálogos como Motovilov”, trad. de Helena Livramento

A fim de que Adão e Eva pudessem comodamente manter neles as suas propriedades imortais, perfeitas e divinas, vindas do sopro da vida, Deus plantou, no meio do paraíso, a árvore da vida em cujos frutos encerrou toda a substância e a plenitude dos dons de seu divino sopro. Se Adão e Eva não tivessem pecado teriam podido, eles e seus descendentes, comendo os frutos dessa árvore, manter neles a força vivificante da graça divina, bem como a plenitude imortal, eternamente renovada das forças físicas, psíquicas e espirituais, um não envelhecimento perpétuo, um estado de beatitude que atualmente a nossa imaginação tem dificuldade de representar.

Tendo porém saboreado o fruto da árvore da ciência do bem e do mal, antes da hora e contrariamente às ordens de Deus, conheceram a diferença entre o bem e o mal, e tornaram-se presa dos desastres que se abateram sobre eles depois que infligiram a ordem divina. Perderam o dom precioso da graça do Espírito Santo e até a vinda de Jesus Cristo, Homem Deus, “não havia ainda Espírito [rio mundo], porque Jesus não fora ainda glorificado” (Jo 7,39)