HUMILDADE ABANDONO

Humildade, abandono, nadificação: condição do se tornar Deus

Excertos do livro “Voici maître Eckhart


Hadewijch — Carta 19

Quando a alma não tem mais nada senão Deus, quando ela não tem mais querer que Sua vontade simples, que ela está nadificada e quer o que Deus quer com sua vontade, e quando ela é absorvida e tornada nada — então ele é elevado da terra e atrai tudo tudo a ele: a alma se torna com ele totalmente isso mesmo que é.

Mechthilde de Magdeburg — A fonte cascateante

Quando o alto Senhor e pobre servente se abração estreitamente e são unidos como a água e o vinho, então ela se nadifica e se desfaz dela mesma, como impotente.

Hadewijch II — Mgd. 36

O amor nu que não desperdiça nada

em sua morte selvagem,

separado de todo acidente

encontra sua pureza essencial.

No abandono nu do amor

nenhum bem criado não subsiste:

amor despe de toda forma

aquele que acolhe em sua simplicidade.

Livres de todo modo,

estrangeiros a toda imagem:

tal vida levam aqui em baixo

os pobres em espírito.

Não é de todo se exilar,

de mendigar seu pão e o resto:

os pobres em espírito devem estar sem ideias

na vasta simplicidade…

Marguerite Porete — Espelho

Ora escutais e ouvis bem, ouvintes deste livro, o verdadeiro entendimento do que este livro diz em tantos lugares, que a Alma nadificada não tem vontade, não pode ter, nem pode querer ter e que em isso a vontade divina se encontra perfeitamente realizada; e que até este ponto a Alma não tem sua conta de Divino Amor e o divino Amor não tem sua conta de Alma, até que a Alma esteja em Deus e Deus na Alma, por conta própria neste ser de assento divino; e então a Alma alcança sua inteira suficiência.