MECHTHILD DE MAGDEBURG

Matilde de Magdeburgo — Mechthilde de Magdeburg (1207-1282)

AMY M. HOLLYWOOD. THE SOUL AS VIRGIN WIFE: MEISTER ECKHART AND THE BEGUINE MYSTICS MECHTHILD OF MAGDEBURG AND MARGUERITE PORETE. CHICAGO, ILLINOIS AUGUST, 1991

CAPÍTULO II: A ALMA COMO DONA DE CASA: A LUZ FLUINDA DA DIVINDADE DE MECHTHILD DE MAGDEBURGO

A compreensão de A Luz Fluindo da Divindade como um diário ou autobiografia velada esconde o caráter literário das descrições da alma e de suas experiências, uma vez que as categorias convencionais pelas quais um texto é definido afetam significativamente os significados por ele gerados.

O amor como base do divino, da alma e de sua união

O poder do amor é o que impulsiona a narrativa da história da salvação, e a figura de Cristo serve para mediar o amor de Deus à humanidade fraca e pecadora, sendo por meio da identificação com Jesus Cristo que Mechthild chega a entender sua própria vida mística e missão profética.

O corpo sofredor e o Cristo sofredor

Dada a concepção de Mechthild sobre a natureza da alma humana, o lugar do corpo e dos sentidos humanos torna-se muito problemático, pois ela deixa claro que a corporeidade da humanidade é um obstáculo, em vez de uma ajuda, no caminho para a união com Deus.

O local da pecaminosidade: do corpo à vontade

No livro VII, Mechthild localiza explicitamente a pecaminosidade na vontade, que peca, e uma boa vontade compensa as inadequações e fraquezas do corpo, discordando do ensinamento cristão comum de que é humano pecar ao apontar para o exemplo de Jesus Cristo.

A alma bem ordenada

Com o deslocamento do corpo como local da pecaminosidade, há uma mudança correspondente em direção à preocupação com a vontade e seu papel no verdadeiro seguimento de Cristo, sendo o tema implícito que une várias vertentes da obra de Mechthild.

O trabalho da alma

Existe um aspecto decididamente ético no texto de Mechthild, pois ela lamenta não apenas por desejar e querer contrário à vontade de Deus, mas também por sua incapacidade de fazer todo o bem que poderia fazer por ele, de modo que a vida ativa é vista como tendo suas raízes e impulso na contemplativa.