Peratas, setianos e naassenos apontavam mais do que desenvolviam as suas ideias.
O mundo particular, to idikon, indica o cosmos sensível, hílico, receptáculo do gênito, enquanto o gênito, to genneton, afeta diretamente o divino engendrado no mundo.
Ambos se confundem praticamente, como o continente ou receptáculo se confunde com o conteúdo mais significado, a simiente divina.
O gênito é concebido e engendrado no mundo sensível como germen disseminado de cima para o seu desenvolvimento à mercê das leis da matéria e da alma.
O autogenes nasceu do Ingênito com perfeita independência de meios estranhos, como espontânea projeção de sua economia internamente idealizada.
O autogenes compendia as perfecciones do Filho, criador e salvador, em vésperas da criação do mundo e da implantação da Igreja divina.
Bastaria analisar o autogenes para descobrir nele o Cristo histórico, que será uma projeção sensível do Cristo verdadeiro.
Os ofitas de Irineu denominam—no simplesmente Cristo.
As famílias heterodoxas estudaram o Cristo cada qual a seu modo.
As páginas de
Hipólito sobre os naassenos constituem um tratado dos Nomes de Cristo mais rico do que os capítulos de São
Cipriano e outros eclesiásticos.
O comentário sistemático do hino a Átis, que encerra a Prédica dos naassenos, figura entre os desiderata abertos para a ciência da gnose.
O comentário serviria para assinalar paralelos e apurar exegeses desconcertantes que flutuam imprecisas nos escritos hipolitianos, de
Epifânio e Clemente Alexandrino.
O comentário se apoiaria nos nomes naassenos de Cristo e se abriria à doutrina de outros gnósticos.
Enriqueceria os aspectos salvíficos do Adamante, mediador entre o
Pai e os membros da Igreja terrena.
É incerto se iluminaria o campo da preexistência de Cristo.
As páginas atuais naassenas contribuem pouco para o análise de suas dynameis constitutivas, destacando virtudes e aspectos sem distingui—los tecnicamente.
Não bastam, consequentemente, para restituir a série de éons que integram o organismo misterioso do Filho antes de sua revelação ao mundo.
A insistência sobre a atividade iluminativa do mediador descobre a orquestração dos corifeus do século II sobre a gnose do indivíduo por Cristo, com observações de Simonetti.
É preciso voltar à origem do Cristo a partir da tríada superior para colher os únicos aspectos viáveis de sua preexistência.
Cristo é fruto de uma trindade e, como Filho do
Pai, distingue—se do Deus supremo como parto de sua primeira ideia sobre a economia da saúde.
Distingue—se do Filho a título de emitido, diferençando—se como o Logos prolaticio se diferencia do inmanente.
Distingue—se da Mãe ou
Espírito Santo a título de emitido, como o
pneuma que sustenta o Logos prolaticio se distingue do Pneuma paterno de onde saiu.
O
Pai amorfo adquire a sua Forma pessoal no Filho e a dá a conhecer fora de si graças à projeção do Filho no
pneuma emitido.
Cristo denuncia a trindade que o deu à luz: o
Pai que o concebeu, o Filho que se revelou nele e o
Espírito Santo de quem tomou carne no divino.
Convém prevenir que a tríada que deu origem ao Cristo preexistente não é uma trindade de pessoas.
O
Pai e o Filho são pessoalmente distintos, mas o
Espírito Santo ou Primeira Fêmea não o é.
O esquema implícito recorda o dos Oráculos caldaicos:
Pai—Dynamis—Nous.
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Desses três provém uma díada formada por Segundo Nus e Segunda Dynamis, correspondente a Cristo e Sofia, pais imediatos da economia, conforme Festugière, Theiler e Waszink.
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O fragmento 8 de Des Places descreve essa díada com a missão de dar coesão ao mundo inteligível e introduzir a sensação no mundo inferior.
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O esquema caldeo distribui—se entre a Tríade suprema com o
Pai, Primeira Dynamis e Nus; a Díada média com o Segundo Nus e Segunda Dynamis; o seio de Deus; o reino inteligível e o mundo sensível.
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Essa interpretação aproxima—se da de Krämer e afasta—se de Bousset.
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O paralelo com os gnósticos distribui o
Pai,
Espírito Santo como Primeira Mulher, o Filho como Adã andrógino na Tríade suprema, e Prunicos como Segunda Mulher e Cristo como Adã celeste na Díada média.
Na tríada superior, o
Espírito Santo é impessoal como seio de Deus ou essência do
Pai, ao passo que o
Pai e o Filho são pessoais.
A tríada superior profere o Filho dividindo—o em dois: o Cristo masculino, síntesis dos éons, e a Mãe, princípio feminino dos homens de luz chamados a fazer o gênito.
A tríada de peratas e setianos converte—se assim em uma êxada resumível em tríada superior, díada média e mundo inferior gênito.
A preexistência de Cristo reduz—se a duas fases, sendo a primeira de interioridade, como Filho ou Nus primeiro, em quem o
Pai concibe a futura economia.
A segunda fase é de revelação fora de Deus como Cristo, Intelecto e Forma subsistente do universo, mediador entre o
Pai e o mundo.
A primeira fase acentua a dignidade do Filho, em quem o
Pai sintetiza o seu Pensamento global sobre a economia.
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O
Pai entrega ao Filho as dynameis e perfeições indispensáveis para realizá—la de acordo com um plano definido.
A história da humana saúde desenvolve o que se perfilou de golpe no Filho como Forma pessoal da criação e dispensação futuras.
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Nem os peratas, setianos, naassenos ou ofitas se detiveram a analisar o Pensamiento que cristalizou no Filho, sendo necessário recorrer a outras famílias, vide indicações em Irineu.
A segunda fase assinala o passo inicial para a mediação.
O Cristo apenas difere do Unigênito por sua maneira de ser: antes no seio do
Pai, agora também fora Dele.
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Se no interior era andrógino e juntava as perfeições masculina e feminina do
pneuma, na revelação retém a dimensão masculina como Intelecto e abandona à Mãe a dimensão feminina para que ela o engendre no mundo sensível.
O análise de Cristo em sua fase de mediação não encontra lugar nas notícias exclusivas de setianos, peratas e ofitas.
A atividade do Cristo preexistente vai sempre implícita.
Esquema análogo se adverte no Himno de la perla, a saber:
Pai—Mãe—Filho.
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O Filho aparece com um irmão que desce ao Egito, conforme passagens nos Actas de Tomé.
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À dualidade entre o irmão maior e o menor corresponde o binômio Salvador—Sofia que não aparece no Hino.
A tríada superior adquire na Triforme Protennoia variações que difuminam as fronteiras dos três espaços governados por o Logos.
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Ambos os escritos dão relevo à Virgem masculina, expressão da fecundidade do
Pai e da perfeição do Espírito.
Se por um lado adquire dimensão masculina pela Mãe, como paradigma da Mãe dos viventes anuncia o Espírito feminino, Sabedoria do mundo e origem da Igreja terrena.
A Exegese sobre o alma e a Interpretação da gnose calam sobre a tríada superior e desenvolvem a história do divino feminino no mundo ou acentuam a divisão entre Adã e Eva.
O acréscimo desse esquema ao dos anteriores tratados restitui a pêntada clássica dos reinos divino e criado.
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A pêntada organiza—se com o
Pai—Mãe—Filho de um lado, e Salvador—alma ou Sofia de outro.
O esquema anterior é verdadeiro, mas não o único, indicando os naassenos outro no
salmo.
Norma era engendradora do universo, o Intelecto primogênito, ho prototokos noos.
A segunda substância que seguia o primogênito era o caos difuso, to chythen chaos.
A terceira em ordem era a psique, que tomou para o seu trabalho a dupla norma.
Revestida com a forma de cervo, elaphou, a psique fatiga—se dominada em seu empenho pela morte.
Umas vezes a psique contempla a luz com domínio basileion echousa, outras cai em miséria e chora.
Jesus disse então para o
Pai olhar como ela vai errando, fora do sopro paterno, na terra em busca de males.
A psique trata de fugir do caos amargo e não sabe como atravessá—lo, hopos dieleusetai.
Jesus pede para ser enviado pelo
Pai.
Em posse dos selos, Jesus afirma que baixará, atravessará os éons, dará a conhecer os mistérios, revelará as formas dos deuses e os segredos do caminho santo evocando a gnose.
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Hipólito registra o
salmo na Refutatio, com referências a Dölger, Simonetti, Tröger e Beyschlag.
O
salmo discorre sobre o esquema Nus—Psyche—Chaos, ou Luz—Alma—Trevas, com paralelos em Krämer.
Colocada entre o Primogênito, lei da economia, e o caos, assento da morte, a Psique um tempo contemplou a Luz do Intelecto.
A Psique foi arrastada ao amor da terra segundo mito geral entre os gentios, perdendo—se sem acertar a fuga para a Luz.
O diálogo de Jesus com o
Pai introduz—se no esquema devido à situação lamentable da psique.
A aprovação paterna deve ter seguido o diálogo, resultando no envio de Jesus para liberar a psique.
O
salmo não declara as relações de Jesus com o Nus primogênito, nem da psique com os destinatários da gnose.
A própria pessoa do Nus descenderá aos membros da Igreja perdida no caos para liberá—los da ignorância.
Os naassenos mantêm o esquema Luz—Psique—Trevas sem sacrificar o de ingênito—autogenes—gênito, harmonizando ambos.
O primeiro atende ao processo de Cristo e sublinha o duplo estádio do Cristo autogenes antes da criação e do Cristo gênito após a diáspora.
O segundo olha para a sorte da Igreja na criação.
O esquema global apresenta tabelas comparativas.
A situação dos elementos em I é apenas prévia ao desorden da psique e posterior à ação salvífica de Cristo.
A situação em II representa a conjuntura histórica em vésperas da saúde.
A coexistência dos dois esquemas não pertence apenas aos naassenos.
Os setianos denunciam—na em forma que recorda os basilidianos: Luz—Espírito—Trevas.
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A Luz equivale ao Filho, as Trevas ao caos e o Espírito ao meson ou intermédio, conforme passagens na Refutatio comentadas por Bousset, Krämer e Meloni.
Pistis Sophia e os Libros de Jehu (P.S. e L.J.)
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Os ofitas de San Irineu guardam muitos pontos de contato com os sectarios da Pistis Sophia.
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Cabe estudar a preexistência de Cristo em Pistis Sophia e nos Libros de Jeú para descobrir o mistério que os ofitas resumem nas relações entre a tríada e a díada.
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Isso faz—se sem o compromisso de vincular as mesmas ideias aos sectários de Irineu e aos dos códices egípcios.
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Esses documentos foram analisados por outros, singularmente Schmidt, com páginas sobre o Salvador preexistente.
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O autor contenta—se com breves considerações.
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A segunda é a região da direita, espaço também de luz, mas intermédia.
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A dextera luminis figura nos Actas de Tomé, estendendo—se entre os maniqueus ocidentais conforme Actas de Arquelau, Santo
Agostinho e estudos de Decret, Bornkamm e Schlier.
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A terceira é a região da esquerda ou região de kerasmos, inferior, dominada pelo
diabo.
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São referidos o capítulo trinta e três, o simbolismo da direita e esquerda em Schmidt, Kroll, Lobeck, Schrage e Dibelius, e passagens de Irineu sobre o príncipe da esquerda em Valentim.
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Trata—se das mesmas três partes — ingênita, autogenes, gênita — encontradas em peratas e naassenos, sob outros nomes.
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Registra—se uma diferença literariamente notável entre os sistemas.
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Os sectários de
Hipólito extremam a sobriedade para as regiões superiores, enquanto Pistis Sophia e os Libros de Jeú trazem a atenção para elas mediante infinitas divisões.
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A região suprema correspondente à tríada ofítica divide—se em dois estratos fundamentais, choremata, com multidões de lugares e ordens, taxeis.
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O primeiro chorema responde ao Inefável absoluto, fechado sobre si em transcendência e silêncio.
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O segundo chorema, ainda na região suprema, encobre o posto do Filho Unigênito e denomina—se Primer Misterio.
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O Primer Misterio possui duas vertientes, diferentemente do Inefável.
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Uma vertente é o Primum Mysterium introspiciens, que mira o
Pai como Intelecto pessoal orientado a Deus.
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A outra vertente é o Primum Mysterium prospiciens, que mira para fora como Intelecto orientado para a economia.
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O Primum Mysterium é o grande personagem da região suprema.
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O trânsito da região suprema para a média realiza—se mediante a probole do Primum Mysterium do interior para o exterior de Deus.
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A região intermédia corresponde ao Filho prolaticio, Cristo subsistente, mediador entre o
Pai e o kerasmos.
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O mesmo que antes descansava como Unigênito com preeminência do introspectivo revela—se agora como Cristo com eminência do prospectivo.
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Se houvesse uma chave para ler a dimensão centrífuga dos topos e taxeis do Intermédio, haveria modo de estudar as perfeições de Cristo e a sua missão.
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O mesmo se diz dos Libros de Jeú que completam zonas da teologia da Pistis Sophia para a região intermédia assimilável ao Cristo.
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Duvida—se que os atuais Libros de Jeú, Pistis Sophia e o anônimo de Bruce permitam dar com a chave.
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A leitura deixa a impressão de que o desenvolvimento do reino intermédio obedece a fins pouco soteriológicos ou cristológicos.
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O sistema adivinável nos códices Askew e Bruce orienta—se para a exaltação dos céus em fase escatológica, ao revés do
Apócrifo de João ou de Ptolomeu.
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Os textos multiplicam topos, taxeis e séries de virtudes fazendo desfilar a variedade de formas que espera os devotos no mais além.
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Descorrem o véu de uma estranha liturgia onde o cristológico praticamente se dilui, junto com a mediação simples do Filho e a ideia do Deus
Pai.
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O próprio Salvador indica algumas vezes o seu origem, embora faltem no primeiro livro de Jeú as folhas atinentes às relações de Jesus com o
Pai, conforme Schmidt.
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Essa indicação basta para justificar o esquema anterior.
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Schmidt resume que o
Pai atraiu todas as ideias com exceção da menor, na qual Jesus resplandeceu e se desprendeu do
Pai como primeira probole e imagem.
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A cristologia é considerada mais alta do que na Pistis Sophia, sendo Jesus o ser supremo imanente desde o princípio, cuja existência individual se deu pela Ennoia, mediando o processo cósmico.
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O problema inicial de Cristo está na Ennoia ou primeiro Pensamento com que Deus rompeu a sua quietude, não na existência ab aeterno.
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A primeira Ennoia determinou com a sua aparição a do Intelecto, princípio e mediador pessoal da futura saúde.
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Os Libros de Jeú orquestraram com toques pessoais este primeiro passo comum.
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Subrinham que a essência de Deus
Pai perseverou inacessível sem menoscabo de sua transcendência.
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A economia positiva desde a concepção do Filho até a synteleia dos predestinados vem a ser a expressão da munificência do
Pai, sem comprometer a sua existência soberana.
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Um só raio infinitesimal orientado por Deus para fora basta para construir os estratos de Luz e colmar a história da saúde humana.
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O raio voltará em sentido contrário para o ponto de origem no seu dia, incorporando os resplanderes à unidade da ideia de que partiu.
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Os textos multiplicaram as riquezas nos vários estratos contidos na ideia infinitesimal para ressaltar a majestade de Dios.
Basilides
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Sobre Basílides chegaram notícias dispares por San Irineu, Clemente,
Hipólito e Hegemonio.
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As de Hegemonio nos Actas de Arquelau e as de Clemente não tocan a preexistência diretamente, ao contrário das de Irineu e
Hipólito, com referências a Bousset e Hendrix.
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Irineu se inspira provavelmente no Syntagma de San Justino.
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O Basílides ireneano discurria sobre um esquema relativamente simples.
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Deus inaugurou o universo criado mediante o Filho, havido em ordem à sua manifestação aos homens.
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O universo compõe—se de céu e terra, sendo o céu formado por 365 ordens de
anjos governados pelo demiurgo, e a terra contendo a igreja de homens.
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Importa assinalar o Natus como mediador entre Deus e o universo.
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Três apelativos apresentam—se em série lineal, como de pais para filhos: Nus—Logos—Phronesis.
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Os dois últimos, Dynamis e Sophia, apresentam—se como éons procedentes do último anterior, Phronesis.
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Essa disposição faz pensar em uma diferença entre ambas as séries.
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Os três primeiros denunciariam o Filho Unigênito no seio do Innatus.
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A segunda série indicaria o Primogênito, nascido do
Pai de acordo com duas perfeições chamadas a intervir fora.
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O binômio Dynamis—Sophia recorda dois testemunhos clássicos.
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O segundo testemunho é Lucas 1,35.
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A passagem refere que o
Espírito Santo descerá e o Poder do Altíssimo fará sombra.
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O esquema basilidiano de Irineu estrutura—se hierarquicamente.
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Apresenta o Innatus com o Pater; o Unigenitus com Nus, Logos e Phronesis; o Natus com o Primogenitus, Dynamis e Sophia; além dos 365 céus, terra, ecclesia,
psyche e hyle.
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Irineu relata que Basílides estendeu a sua doutrina mostrando Nus nascido de Innato Patre, de onde nasceu Logos, de quem veio Phronesis, gerando Sophia e Dynamis, criadores do primeiro céu, repetindo—se o processo até 365 céus, justificando os dias do ano, conforme Krämer e Hendrix.
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Convém destacar os estratos superiores no que concerne à preexistência de Cristo.
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O
Pai situa—se acima, e abaixo dele os dois estádios do Filho, dentro como Unigenitus e fora como Primogenitus.
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O Cristo teve uma vida resumível em três fases no seio de Deus antes de se revelar como Virtude e Sabedoria.
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O Filho já entrañava um quefazer salvífico a título de Intelecto concebido por Deus.
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O Nus era a Forma pessoal em que Deus intuía a criação, além de ser Intelecto ao serviço dos homens.
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A primeira missão permanece imutável, embora haja de atuar—se na final consumação.
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A segunda missão muda quando o
Pai move o Nus em ordem ao cumprimento da dispensação.
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Configura—se a emissão do Logos e de Phronesis como manifestações internas orientadas ao universo.
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A história em três etapas do Filho coincide com a do mundo e da Igreja a que serve.
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A Igreja intuída no Nus prepara—se com o Logos e se consuma com a Phronesis, a ponto de revelar—se no Primogênito.
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As etapas vão implícitas nos epítetos trigenethlos e trigenis, com analogias em estudos de Baynes e Böhlig sobre as épocas do luminar no Apocalipse de Adã.
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Nenhuma das perfeições do Unigénito se explica por relação pessoal necessária ao
Pai.
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Nem o Nus, o Logos ou a Phronesis miram necessariamente ao
Pai, mas sim ao universo e aos futuros escolhidos.
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O mesmo se diga das denominações Dynamis e Sophia.
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As duas denominações supõem o nascimento do Filho extra Patrem.
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Deus não poderia criar o universo com as suas formas por sua única vontade soberana.
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A presença do Filho é requerida a fim de conformar a matéria, sendo Ele a Forma de Deus e da criação.
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A assistência do Verbo e a sua subsistência fora de si são requeridas além da mera presença.
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Requer—se um novo passo de eficácia como Sabedoria além da assistência ao
Pai como Creador.
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A animadversão dos arcontes para os devotos e a liberação destes explicam—se atribuindo a Sophia a maternidade dos germes supraangélicos.
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Irineu relata que o
Pai enviou o seu primogênito Nus, Cristo, para a liberdade dos crentes frente aos fabricadores do mundo.
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Sophia equivaleria ao
Espírito Santo em tal caso, como ocorre entre outros gnósticos.
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A preexistência de Cristo em Basílides põe de relevo a sua missão pessoal salvífica e criadora.
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O Basílides ou basilidianos de
Hipólito partem de outro esquema.
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A primeira fase é a eternidade do Deus solitário.
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Deus, simplicíssimo e indefinível, foi sempre o que foi antes de querer revelar—se fora, com paralelos em Krämer e
Quispel.
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A segunda fase iniciou—se quando Deus lançou uma simiente cósmica a partir de sua misteriosa vontade.
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A fase traduz miticamente o que outros concebiam como Idea ou Pensamento inicial, durando o tempo da livre decisão divina.
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A terceira fase é o desenvolvimento e estratificação do universo a partir do semen mundi.
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O conteúdo do esperma vai saindo aos poucos por ordem de dignidade: o
Filho de Deus, o Espírito intermédio, a substância arcôntica e a matéria.
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A germinação do Filho desenvolve—se em três etapas com base em suas três dimensões ou filiedades.
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A primeira filiedade, puríssima, abandona o semen mundi antes de qualquer elemento e se situa abaixo de Deus.
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A segunda filiedade, não tão pura, sai depois e sobe com a ajuda do
Espírito Santo até se colocar abaixo da primeira.
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A terceira filiedade, menos pura, permanece longo tempo na matéria à espera de quem la redima.
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O
Espírito Santo situa—se entre a segunda e a terceira filiedade como fronteira entre o reino da Luz e a região do Arconte ou Psyche.
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Os neopitagóricos situavam no círculo infralunar a fronteira que separa os deuses dos homens.
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Basílides levanta a fronteira muito mais alto, acima dos sete céus, com base em um esquema oriental confirmado pela
Paráfrase de Sem.
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O esquema discorre em torno de três raízes: Luz,
pneuma e trevas, conforme Wisse.
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A região definitiva das filiedades é la Luz.
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Os três estados não dissimulam a sua identidade, representando o Filho como Unigênito, o Cristo Salvador e a igreja dos filhos naturais.
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A primeira filiedade é o Intelecto pessoal, mediador indispensável situado abaixo do
Pai.
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A segunda filiedade é o Primogênito, engendrado extra sinum Dei, mediador para a criação e a saúde.
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Ocupa o posto outorgado pelos ofitas em Irineu ao Cristo superior, Christus allevatitius, abaixo do seio de Deus e acima da Mãe do mundo, com paralelos na Sofia Iesu Christi.
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A terceira filiedade constitui a igreja dos filhos naturais disseminados à espera de redenção pela segunda filiedade.
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Os basilidianos de
Hipólito não descrevem as duas primeiras filiedades que tocam a preexistência.
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O Unigênito não intervém diretamente na criação ou salvação do mundo.
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O Primogênito atua como Logos e Salvador através do demiurgo animal e dos arcontes.
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Essa última circunstância merece singular consideração dos basilidianos.
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Algo é deixado traslucir por caminhos indiretos sobre o Cristo preexistente.
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A segunda filiedade vale—se do
Espírito Santo,
pneuma methorion, para atravessar a fronteira que separa o divino do criado.
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As relações entre Cristo e o
Espírito Santo antes da criação assemelham—se às de Sumo Sacerdote e Diácono da economia.
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O
Espírito Santo servirá como Diácono tanto à segunda filiedade miticamente, quanto à terceira historicamente.