Nem todos os gnósticos davam importância à pomba, e muitos sequer a mencionam, como os naassenos, peratas, setianos, Justino gnóstico, simonianos, basilidianos e docetas.
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Cerinto conheceu a pomba, e os ofitas, através da Pistis Sophia, também a mencionam, embora Ireneu os resuma omitindo a pomba.
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A pomba é mencionada nos Atos de Tomé, onde se encontra a invocação: “Vem, sagrada pomba, que geraste os dois pombinhos”.
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A expressão “sagrada pomba que geraste os dois pombinhos” é explicada pelo esquema ofítico, onde a Primeira Fêmea (
Espírito Santo) gera dois gêmeos: Cristo (perfeito, masculino) e Sofia Prunicos (imperfeito, feminino).
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O parentesco entre ofitas e valentinianos permite encontrar em Tolomeu e em Marcos elementos que explicam a pomba e os dois pombinhos, com Marcos demonstrando que o número da pomba (801) é igual a A + Ω, síntese do Pleroma.
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A epíclese dos Atos de Tomé dirige-se à pomba mãe (Primeira Fêmea ou
Espírito Santo), da qual nascem como gêmeos o Cristo superior e a Sofia segunda (
Espírito Santo filha), enviados na plenitude dos tempos a Jesus no batismo do Jordão.
4. Conclusão
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Marción ignorou o mistério do Jordão, enquanto as grandes famílias gnósticas (ofitas, basilidianos e valentinianos) lhe atribuíram excepcional importância.
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Os gnósticos dão poucas notícias sobre o texto canónico empregado, mas a restituição da cena do batismo de Jesus nos seus elementos prováveis passa pelo estudo do batismo de João.
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O Jordão representa, para os naassenos, o magno Jordão que flui do céu à terra e reflui por obra do Salvador, e os valentinianos distinguem entre o batismo de João (penitência) e a redenção trazida por Jesus (perfeição).
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A Heracleão se deve a notícia do lugar (Betânia), e aos basilidianos a data provável do batismo.
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Os hereges mencionam três batismos (água, fogo e Espírito) e tradições literárias comuns a hereges e eclesiásticos ecoavam epifanias como o fogo e a luz, que são analisadas separadamente.
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Os gnósticos praticamente deixaram cair o motivo da voz celeste, concentrando-se no mistério da pomba, cujo simbolismo, levado através das famílias basilidiana, ofítica e valentiniana, descobre panoramas soteriológicos.