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O Éon 30, Sophia, tem o mesmo desejo — Intenção — dos demais Eones, mas de forma desordenada já que não tão moderada, e seu impulso a leva a querer compreender a grandeza infinita do Pai, e essa desordem é uma alteração profunda, uma “paixão”: desordem e sofrimento, que a impulsionava cada vez mais adiante, de tal maneira que ia assimilar-se com a suavidade do Pai, a dissolver-se no Pleroma.
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Mas o Limite (um Éon especial, emitido sem companheira pelo Monogenos) a salvou. Essa Potência afirmou ao conjunto e o conservou fora da Grandeza Inexpressável, (Hipólito mostra a capacidade engendradora do Pai observada por Sophia e que ela quis imitar-lhe por si só, ignorava que isto era privativo do Pai, Princípio e Raiz do todo).
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Sophia é então, retida, afirmada, convertida e persuadida de que o Pai é incompreensível. Razoavelmente abandona sua Enthymesis e a paixão consecutiva, pois foi salva, justificada e separada pelo Limite — Cruz.
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A Intenção é crucificada e separada de Sophia, finalmente restaurada em sua syzygia. O separado é substância espiritual, pois é o impulso de um Éon, mas informe e sem espécie, fruto somente do feminino (para Hipólito, Sophia emitiu a substância sem forma nem organização, um aborto).
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Também Sophia é Terra prometida, a Jerusalém celeste onde entram os “filhos de Israel”, ou seja, os eleitos da Gnose.
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Apareceu, pois, a ignorância turbando ao Pleroma, a dor de Sophia, o rogo dos demais Eones e a emissão do Limite. Este também recebe, como dito, o nome de Cruz, Redentor, o que paga o resgate, o que libera, o que absolve, delimita, guia e reintegra. Cruz-Limite, tem sobretudo a dupla virtude eficaz da Cruz: afirma e delimita ou purifica, ao consumir o elemento Hylico e reunir o purificado.
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O Monogenos emite uma nova parelha, para que não se repita outra paixão semelhante por parte dos demais Eones: Cristo e o Espírito Santo.
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O primeiro instruirá ao Pleroma, igual como o Cristo terrestre. Assim revela A Gnose, ensina a índole da syzygia e sobretudo participa da “gnose do Pai”, ou seja, que o Pai é incompreensível, inacessível, e que ninguém o pode ver ou entender, senão por meio do Unigênito”, em uma palavra, a mesma gnose que convenceu a Sophia.
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E por outra parte, a transcendência incompreensível do Pai explica a não perdurabilidade dos Eones e o compreensível do Pai, o Filho, a causa de seu nascimento e formação (em Hipólito são os Eones os que rogam ao Pai a emissão da nova díada, para separar ao aborto e consolar a Sophia).
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O Espírito Santo vai ter uma função de nivelação, unidade e harmonia, por isso, de tranquilidade e gozo na ação de graças. Igualdade que está referida aos sexos.
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O conjunto consolidado em repouso perfeito, canta seus hinos de júbilo ao Pré-Pai (Hipólito fala também desta paz e alegria). E isto na unidade do Espírito — franco clima de gnose —.
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Então quando cada um dos Eones pondo o que possui de mais esquisito, como uma só vontade e para a glória do Pai, emitem um novo ser, o “Fruto Perfeito”, Jesus (em Hipólito sucede algo semelhante, mas glorificando ao Pai por meio do Filho) cujos nomes são também Salvador, Cristo e Logos e do nome de seu Pai, Todo. Ele, em honra dos Eones, emite aos anjos salvadores. Sua função fora do Pleroma será fundamental.