Constatação de que a literatura gnóstica do século II, especialmente a
valentiniana, desenvolveu sua própria doutrina sacramental, integrando elementos batismal, crismal, eucarístico e esponsal, e reconhecimento de que esse sistema complexamente estruturado não surgiu de forma isolada, mas resultou da recepção seletiva de tradições cristãs pré-existentes, reinterpretadas à luz de uma cosmologia dualista e de uma antropologia tripartida que distinguia psíquicos, pneumáticos e hílíticos, oferecendo aos grupos
valentinianos um conjunto ritual que reivindicava origem apostólica e autoridade superior à da prática católica.