A biografia oficial de Erik Peterson foi escrita por Franco Bolgiani em seu ensaio sobre a transição da teologia liberal para a escatologia apocalíptica no pensamento e na obra de Peterson.
Erik Peterson nasceu em Hamburgo em 1890, defendeu sua dissertação sobre Heis Theos em 1920, foi professor em Bonn ao lado de Karl Barth e outros, converteu-se ao catolicismo romano em 1930 e ensinou em Roma até sua morte em 1960.
A vida lendária de Peterson, narrada por ele mesmo e por colegas, confere uma dimensão mítica à existência trágica deste gênio religioso demoníaco que de fato resistiu.
Devido à ascendência sueca de seu avô, o jovem Erik era cheio de nacionalismo alemão.
Peterson voluntariou-se para o exército na Primeira Guerra Mundial, mas serviu apenas como guarda de fronteira devido à sua inaptidão.
Em 1918, suas visões mudaram completamente, aproximando-se do comunismo e enfatizando que o cristianismo primitivo era uma estase.
Participou do renascimento da teologia protestante e contribuiu para o periódico da teologia dialética Zwischen den Zeiten.
Peterson descobriu seu desacordo fundamental com Barth e
Bultmann no ensaio O que é teologia? e alertou Barth sobre sua falta de comunhão com
Bultmann.
Embora divergissem na teologia, concordavam na política, com as palestras de Peterson sobre monoteísmo e nacionalismo constituindo ataques velados à ideologia prevalecente.
Após a conversão, contrariando as expectativas de que se tornaria monge, casou-se e teve cinco filhos.
Os salários do Vaticano, calculados para celibatários, tornaram-se uma fonte de humilhação e desespero financeiro.
Após a guerra, Peterson expressava abertamente sua antipatia pelo papa, levando colegas a evitá-lo para prevenir escândalos.
No final da vida, sentia-se deslocado na Igreja, sonhando que devia escolher entre o caminho católico ortodoxo e o caminho gnóstico representado por Gilles
Quispel.
Todas as questões eruditas deste homem atormentado eram problemas existenciais.
Sua obra deve ser vista à luz da tradição filosófica alemã influenciada por Arthur Schopenhauer.
A influência de Schopenhauer permitiu interpretar a música como revelação profunda e não levar a ciência natural a sério.
Para Schopenhauer, a consciência cria o mundo e a vida cria a consciência, sendo o principium individuationis a origem de todo mal.
Deste ponto de vista, o cristianismo é bom na medida em que é ascético e nega o mundo, embora as religiões indianas sejam consideradas superiores por sua filosofia de aniquilação do mundo.
Friedrich Nietzsche e seu amigo Franz Overbeck aplicaram essa visão à tragédia grega e ao cristianismo escatológico, respectivamente.
Franz Overbeck, professor em Basileia, atacou a teologia moderna como helenização secularizada, defendendo que o cristianismo primitivo era radicalmente hostil à cultura e preservado apenas no monasticismo.
Erwin Rohde reconheceu imediatamente a influência de Schopenhauer na predileção de Overbeck pelo ascetismo.
Overbeck criticou Nietzsche por não perceber que o cristianismo é essencialmente ascético e relacionado ao budismo.
C.A. Bernoulli editou postumamente a obra Cristianismo e Cultura de Overbeck, criticando o Protestantismo Cultural de Harnack.
O sucesso do livro deveu-se ao momento histórico do fim da síntese entre cultura e religião na Alemanha de Bismarck.
A geração perdida da Primeira Guerra Mundial, incluindo Barth, Heidegger e Peterson, voltou-se para Overbeck.
A visão da história da Igreja como secularização da pureza primitiva não era nova, tendo sido inventada por Matthias Flacius e aplicada por
Gottfried Arnold.
Esses jovens irados não perceberam que o apocalipticismo rejeita este mundo, mas prevê a salvação final da criação e da humanidade.
Apenas o gnosticismo rejeita a criação, e esses estudiosos viram o cristianismo primitivo através de óculos filosóficos.
Sob a influência de Overbeck, Karl Barth revisou completamente seu comentário sobre a Carta aos Romanos.
Barth colocou o agnóstico Overbeck ao lado de profetas da fé, pois este sustentava que a cultura e a teologia não se reconciliam com o cristianismo autêntico.
Barth aprendeu com Overbeck e indiretamente com Schopenhauer que a existência como criatura é culpada e que o evento de Cristo é a aniquilação do mundo.
Barth cometeu genocídio disciplinar pelo excesso de palavras.
Overbeck contribuiu para o renascimento da exegese pneumática, elogiando a interpretação alegórica como meio de salvar o cristianismo.
Provavelmente Overbeck não falava sério, acreditando que o homem moderno não podia se identificar com o cristianismo primitivo.
Wilhelm Vischer levou essas observações a sério e publicou livros notáveis sobre o testemunho de Cristo no
Antigo Testamento.
Leonhard Goppelt opôs a
tipologia hebraica à alegoria grega em sua obra Typos.
Henri de Lubac, conhecendo essas obras, escreveu História e Espírito para reabilitar a exegese de
Orígenes e iniciou a renovação da Igreja Católica.
Heidegger, familiarizado com Overbeck, influenciou Karl Löwith a ver em Overbeck a conclusão lógica do caminho da filosofia alemã rumo ao niilismo.
Peterson, influenciado por Overbeck, sempre opinou que mundo e cultura eram opostos ao cristianismo e que o Reino de Deus é o fim de todas as coisas.
Para Peterson, o mundo é uma ilusão confrontada com a realidade de Deus.
Em 1926, Peterson já aceitava a perspectiva escatológica e a interpretação alegórica das Escrituras.
Sua teologia caracterizou-se por uma mente aberta para Israel, defendendo que a Igreja consiste de gentios e judeus desde o início.
Isso preludiou sua redescoberta do cristianismo judaico, então considerado um fantasma inexistente.
Em O Problema do Nacionalismo, defendeu que a ressurreição superou os
anjos das nações, não deixando espaço para o culto nacional.
A vida de Peterson mostra que houve católicos alemães que resistiram e que essa resistência ajudou a descobrir o caráter judeu do cristianismo.
Sinagoga e Igreja pertencem uma à outra até o Último Dia, e Israel permanece o povo eleito.
Os povos cristãos que perdem a fé caem em uma barbárie impossível para um judeu, e todo Israel aceitará Cristo no final.
Peterson valorizava o celibato voluntário como expressão existencial da esfera pneumática contra a apreciação judaica carnal da riqueza.
No cristianismo escatológico, Peterson descobriu um remédio político contra os males de seu tempo, usando o Apocalipse contra o culto ao líder.
A sabedoria extramundana tornou-se uma arma tópica contra o absolutismo estatal.
Peterson foi corajoso, perdeu sua cátedra em Bonn e não encontrou outra de igual valor.
Seu engajamento político abriu seus olhos para o aspecto esquecido do cristianismo como religião do sofrimento inocente.
O sangue dos mártires é o sangue do próprio Cristo, e o cristão participa dessa paixão universal.
Sua maior contribuição foi o indiciamento da teologia política, argumentando contra Carl Schmidt que o dogma trinitário não deixa espaço para tal teologia.
O livro O Monoteísmo como Problema Político permanece um monumento de erudição, estabelecendo a relação entre a teologia política de Eusébio e sua cristologia deficiente.
O reverso da teologia política para Peterson era o ascetismo e a resistência, motivados pelo sofrimento com Cristo.
Peterson identificou-se com o cristianismo escatológico e aprendeu com Overbeck que este é necessariamente ascético.
A luta contra a concupiscência era vista não apenas como santificação individual, mas como participação num processo cósmico de destruição do mundo.
Peterson viu que os cristãos judeus não desapareceram após 70 d.C. e que os escritos Pseudo-clementinos tinham valor histórico.
Proclamou que o dualismo gnóstico estava enraizado no judaísmo, especialmente na doutrina das duas inclinações.
Pensava que o ascetismo cristão era de origem judaica, mesmo antes da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto.
Foi o primeiro a descobrir a importância do Encratismo como distinto do Gnosticismo.
O impacto de Peterson pode ser discernido em estudiosos como
Daniélou, Kretschmar e
Quispel.
Franz Cumont mostrou que filósofos gregos localizavam rios do submundo na atmosfera celeste e que alguns cristãos aceitaram isso.
Peterson traçou a origem do batismo no Lago Aquerúsio a uma fonte judaica, o Apocalipse de Moisés.
Identificou o Lago Aquerúsio com o rio que corre do templo em Ezequiel 47 e o rio da água da vida no Apocalipse.
Encontrou esse conceito judaico entre os mandeus, que ensinavam que a água viva vem de sob o trono de Deus.
A localização do Aqueronte e do Estige no alto deve-se à influência helenística sobre fontes cristãs e judaicas.
A tese de Albrecht Dieterich sobre a relação entre a água fria das placas órficas e o batismo cristão encontrou confirmação.
O batismo no rio da morte para a vida eterna remete a Tétis batizando Aquiles no Estige.
O Adão Secreto dos mandeanos ecoa Ezequiel 1:26, e o batismo maniqueísta pode ter a mesma origem judaica e helenística.
O batismo celestial após a morte em escritos gnósticos de Nag Hammadi deve ter origem judaica e alexandrina.
O batismo cristão tinha uma pré-história helênica, misteriosófica e apocalíptica de imersão na morte e na vida.
Quispel sugere que a imersão de João Batista era puramente escatológica, mas helenistas podem ter usado a ideia pagã de Vida a partir da morte para formular o batismo paulino.
O Judaísmo e o cristianismo primitivo estavam abertos às religiões de mistério dos gregos.
Segundo
Hipólito, os elquesaítas tratavam a raiva canina, uma metáfora para o adultério, através do batismo com roupas.
O batismo era concebido por esse grupo como a extinção do instinto sexual e da concupiscência.
Essa interpretação ascética do sacramento seria o conceito primitivo, obscurecido pelo cristianismo gentio e restaurado por Santo
Agostinho.
Isso parece contradizer a visão das Clementinas de que a concupiscência é boa para multiplicar a humanidade.
Os Atos de Paulo, de data antiga e relacionados ao cristianismo judaico, pressupõem os Atos de Pedro e de Tomé.
A crucificação de Pedro de cabeça para baixo simboliza a crucificação do mundo do nascimento e da concupiscência.
Peterson admitiu a proximidade com a visão budista, mas manteve que o ascetismo assim concebido era um meio de realizar a vinda escatológica do Reino.
O renascimento desfaz o nascimento, extinguindo o fogo da velha natividade através da água.
Quispel sugere que passagens sobre o nascimento como culpa hereditária podem refletir o tradutor Rufinus, enquanto o original grego se referia ao horóscopo.
O Encratismo não se limitava a hereges, mas era um movimento difundido dentro da Igreja Católica primitiva, como mostra o Physiologus.
A maior contribuição de Peterson foi permitir discernir o Encratismo como uma corrente poderosa sem o preconceito dos caçadores de heresias.
Peterson interessou-se cedo por Kierkegaard, considerando-o um pietista e encratista que poderia ser reivindicado pela posição católica.
Os pietistas desenvolveram a teoria da androginia, que poderia justificar o casamento como realização da totalidade.
Em O Riso de Sara, Peterson considera a mulher como corpo sem acesso direto a Deus, enquanto a virgem transcende a dialética dos sexos.
Franco Bolgiani adquiriu a biblioteca de Peterson e publicou estudos fundamentais sobre a história do Encratismo primitivo.
O Encratismo, caracterizado pela rejeição do vinho, carne e casamento, deve ser considerado uma corrente independente com raízes judaico-cristãs, e não identificado com o Gnosticismo.
A Igreja de língua siríaca nunca condenou
Taciano e sempre manteve um sabor encratita.
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As origens desse ascetismo eram escatológicas e cristológicas: a ressurreição aboliu o casamento e os cristãos já viviam o fim dos tempos.
Havia também uma motivação protológica: o pecado original foi a cópula, e as mães deveriam parar de “alimentar a morte”.
Esses Encratitas de Alexandria conheciam e usavam o
Evangelho de Tomé e o
Evangelho segundo os Egípcios.
O
Evangelho dos Egípcios ensina que Thanatos é consequência de Eros e que
Jesus veio redimir a humanidade da sede de viver.
Quando o crente supera a divisão interna e restaura a androginia original, a morte deixa de existir.
Pensamentos que lembram o budismo indiano foram expressos cedo na história do cristianismo alexandrino.
Os antecedentes dessas visões encontram-se na tradição helênica de Heráclito e na dialética de genesis e phthora.
Platão, no Banquete e no Timeu, forneceu a base para a busca da totalidade e a ideia de que homens covardes reencarnam como mulheres.
A visão encratista de que a mulher deve tornar-se homem para entrar no Reino dos Céus origina-se dessas ideias e foi aceita por
Orígenes.
O judaísmo alexandrino já havia integrado essas percepções antes de Filo, que falava de Adão como andrógino ou incorpóreo.
O autor do Poimandres derivou sua visão do Anthropos andrógino desses judeus helenizados de Alexandria.
O
Evangelho dos Egípcios é Encratista e não Gnóstico, pois admite a criação, a encarnação e a ressurreição do corpo.
O novo fragmento dos Atos de André conta a história de uma virgem e seu irmão soldado que se converte, considerando o casamento como fornicação.
A crucificação invertida de Pedro nos Atos de Pedro simboliza a anulação do mundo do nascimento e da morte.
As Sentenças de Sextus e a Exegese sobre a Alma são escritos Encratitas, com a alma descrita como virginal que se tornou fêmea ao cair no corpo.
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Gregório de Nissa e provavelmente
Basílio de Cesareia foram influenciados pelo Encratismo aramaico sírio e pelo movimento messaliano.
Jean Meyendorff apontou que, através de
Basílio, esse tipo de espiritualidade tornou-se um elemento persistente da Ortodoxia grega e russa.
É necessário estudar se os oponentes nas Cartas Pastorais eram Encratitas judaicos ou da Diáspora familiarizados com visões gregas.
A protologia encratita deve ser vista como uma racionalização de primeiro plano para um ascetismo judaico-cristão já existente.
O cristianismo egípcio foi fundado por cristãos judaicos da Palestina, e a motivação apocalíptica do ascetismo é a primitiva.
A história do cristianismo de Edessa não pode ser escrita sem mencionar o Encratismo e o movimento messaliano.
O
Evangelho de Tomé, escrito em Edessa por volta de 140, é encrático, e Bardesanes pode ter reagido contra essa tendência.
Macário, representante do Encratismo siríaco, usou o
Evangelho de Tomé e influenciou a espiritualidade cristã posterior.
Os estágios dessa tradição incluem o
Evangelho de Tomé, o Diatessaron de
Taciano, as Odes de Salomão e os Atos de Tomé.
O Livro de Tomé o Contendor e o Diálogo do Salvador também são encráticos e pertencem a essa tradição.
O Liber Graduum reflete um estágio antigo do movimento messaliano e a doutrina do pecado hereditário.
A espiritualidade de
Macário, fruto dessa linhagem, influenciou o cristianismo russo e o pietismo ocidental.
Não há evidência direta de Marcionismo ou Gnosticismo em Edessa antes de Efrém, o Sírio.
Sugestões de origem judaica para o Encratismo incluem o yetzer hara farisaico e práticas essênias.
O termo monachos remonta ao hebraico jahid, indicando um homem santo e solteiro de mente única.
A alegação de que os elquesaítas eram Encratitas é improvável, pois as Clementinas valorizam o casamento.
Mani provavelmente extrapolou a ética maniqueísta para a experiência religiosa de seu pai.
O cristianismo aramaico de Edessa baseia-se em fundamentos judaicos, como evidenciado pela omissão da instituição da eucaristia na Liturgia de Addai e Mari.
Essa liturgia reflete a prática da igreja primitiva de Jerusalém, onde a refeição era uma antecipação alegre do Reino e não apenas uma memória.
Os Nazarenos de Jerusalém trouxeram sua versão das Boas Novas para Edessa, onde os cristãos ainda se chamam Nazarenos.
O celibato incondicional foi provavelmente introduzido em Edessa por
Taciano e Encratitas anteriores, influenciados por Alexandria.
O Encratismo egípcio foi importado para a Mesopotâmia numa data muito antiga, facilitado pelas relações diretas entre Alexandria e Edessa.
O maniqueísmo torna-se compreensível neste contexto, embora não seja exclusivamente Encratita, pois a maioria dos adeptos era casada.
Mani reagiu contra o meio judaico-cristão, atribuindo a concupiscência ao reino das trevas, algo que nenhum Encratita afirmava.
O conceito de dualitudo entre a alma e seu gêmeo originou-se no pitagorismo e foi integrado ao cristianismo aramaico antes de
Mani.
O sofrimento cósmico em
Mani foi inspirado pela interpolação
valentiniana nos Atos de João e não tem a ver com o Encratismo como tal.
A ideia de que a fêmea deve tornar-se macho vem de Platão e Júlio
Cassiano, mas o
logion 22 de Tomé fala de uma androginia que reconcilia os dois polos.
Paul-Hubert Poirier mostrou que o Hino da Pérola reflete o ambiente parta, mas isso não prova a origem iraniana das ideias.
O manto ou o Self que vem ao encontro do príncipe é masculino, como o
anjo da guarda judaico-cristão, e não feminino como a daena iraniana.
A ideia do manto celeste e da casa no céu tem paralelos em Paulo e na tradição judaica, não necessitando de origem persa.
A conjunção entre alma e espírito no Hino da Pérola é característica de
Taciano e mostra influência encratita.
O Hino mostra familiaridade com a versão judaico-cristã da parábola da pérola e com o Corpus Paulinum.
O cristianismo latino na África antes de
Tertuliano era pluriforme, incluindo cristãos judaicos, gnósticos e encratitas.
O escrito De Centesima reflete visões encratitas importadas de Alexandria para Cartago.
Os Encratitas eram originalmente uma facção dentro da Igreja, e Perpétua teve uma visão encratita de se tornar homem.
Tertuliano e mulheres “virgens” em Cartago mostram influências de conceitos encratitas e dos Atos de Paulo.
Lactâncio, embora não fosse Encratita, descreveu a continência como o estado ideal e usou o símbolo do andrógino fênix.
Henry Chadwick argumentou que Prisciliano de Ávila não era maniqueu, mas um Encratita que defendia a abolição da escravatura e a libertação das mulheres.
Prisciliano estava familiarizado com os Atos apócrifos e possivelmente com o
Evangelho de Tomé, identificando Judas com Tomé.
A peregrina Egeria, possivelmente da Galícia, mostra interesses que a ligam ao movimento de Prisciliano e aos messalianos.
Egeria interessava-se por textos apócrifos e ascetas, e sua viagem à Mesopotâmia pode ter sido motivada pelo desejo de conhecer os messalianos.
Existem ligações impressionantes entre o Priscilianismo e o Messalianismo, ambos acusados de tendências semelhantes.
Os Encratitas sempre foram peregrinos, e os priscilianistas podem ter transmitido a peregrinatio para a Irlanda.
P.F. Beatrice relacionou a doutrina do pecado hereditário de
Agostinho ao Encratismo herético.
Júlio
Cassiano foi o primeiro a ensinar que as crianças são manchadas pelo pecado original, uma visão talvez comum entre Encratitas.
Mani apelava ao batismo infantil para provar que a concupiscência é a raiz de todos os males, criticando os que a consideravam boa.
O Código Maniqueu de Colônia confirma que
Mani cresceu entre batistas judaico-cristãos.
Esses batistas praticavam o batismo infantil, possivelmente devido à crença no pecado hereditário, que
Agostinho pode ter restaurado.
Tertuliano já ensinava o pecado hereditário e a impureza da alma antes do renascimento, sugerindo que a visão existia no cristianismo africano.
Se as origens do cristianismo africano são judaicas, o conceito de pecado hereditário pode remontar ao cristianismo palestino primitivo.
Pesquisas recentes confirmaram que o cristianismo siríaco em Edessa era encratita e não gnóstico.