No primeiro Momento — o Momento inicial — a Luz e a Obscuridade permaneciam separadas, cada uma em seu domínio próprio; no terceiro Momento — o Momento final — elas serão de novo disjuntas e integralmente distintas; no intervalo, o Momento mediano ou intermediário — o tempo presente da evolução universal e da história humana — a dualidade se rompe, as duas Substâncias se confrontam e se mesclam, e uma porção da Luz, da Alma de Deus, absorvida pelas Trevas e engolida na Matéria, forma apenas uma amálgama monstruosa e confusa.
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A pureza é ameaçada de contaminação; o absoluto é comprometido pelo relativo.
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O mundo atual resulta de uma Mistura — misto de bem e de mal, de clareza e de sombra, de verdade e de erro — e nada nele é puro ou completo.
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Essa condição de Mistura aplica-se igualmente à presente obra: ela não poderia ser de outra forma.
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Uma grande dívida é reconhecida em relação a Yves Bonnefoy, que junto com Raymond Queneau foi dos primeiros a encorajar a reunião e publicação dos trabalhos antigos, organizados em duas massas — uma relativa à Gnose, outra ao maniqueísmo —, e cuja insistência amigável prevaleceu sobre a indecisão quanto ao projeto.
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Yves Bonnefoy — poeta e crítico francês que incentivou a publicação e orientou as escolhas das peças a reunir.
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Raymond Queneau — escritor e editor francês, cofundador da OuLiPo, também mencionado como incentivador do projeto.
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Louis Évrard — colaborador que dedicou cuidado à composição e revisão do manuscrito, à disposição das partes entre si e à transcrição ou tradução dos textos gregos e latinos antes apenas citados.
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Os serviços das Éditions Flammarion são igualmente reconhecidos pela ajuda eficaz e indispensável na confecção dos índices e na correção das provas.