Marcião não possui “gênese transcendental”, nem drama divino pré-cósmico, nem mitologia dos mundos superiores, nem especulação em geral, nem consubstancialidade de alma e Deus — e nem sequer o conceito de uma gnose salvadora (ele é pistikos, não gnostikos); ainda assim, sua contraposição — em vigor intransigente — do
Pai desconhecido e outro-mundano e do Criador desprezível, e a recusa rebeliosamente ascética de se conformar a uma natureza inteiramente ímpia, são de tão inconfundível cunho gnóstico que deve ser considerado produto do espírito gnóstico — um excêntrico gnóstico, se se quiser