Figueira infrutífera

Marcion — FIGUEIRA INFRUTÍFERA

Antonio Orbe, Parábolas Evangélicas em São Irineu

Entre as notícias exclusivas de São Lucas, Irineu resume em último lugar: …a figueira no meio da vinha, que não dava fruto (Lc 13,6-9). Poderíamos encontrar muitas outras passagens que se encontram apenas em Lucas, das quais também Marcion e Valentim fazem uso. (Contra as Heresias)

A cláusula final leva a crer que Marcion também mantinha a parábola da figueira. Não é assim.

O herege suprimiu Lc 13,1-9: a morte dos galileus por Pilatos, a dos 18 esmagados pela Torre de Siloé e a parábola indicada. Não resta nenhum vestígio em Tertuliano (Adv. Marc. IV 29). Segundo Epifânio, muito explícito, o evangelho marcionita revelava um corte a partir de Lc 13,1: «Chegaram alguns anunciando-lhe a respeito dos galileus…», até a parte dos mortos na torre de Siloé (v. 4); e desde (v. 5) «se não fizerem penitência…», até a parábola da figueira, sobre a qual o lavrador (o geourgos) disse: «cavo e deito estrume, e se não der (fruto), corta-a».

Marcion suprimia igualmente Lc 20,9-18. O motivo para omitir ambas as parábolas salta aos olhos. O dono da figueira (e da vinha onde ela se encontrava) não poderia ser outro senão Yahvé. O lavrador (ou viticultor), Cristo. O herege se opunha a relacionar ambos; sobretudo, para o bem de Israel, simbolizado na figueira. Seria contrariar seus princípios mais sagrados.