É impossível provar que Jakob Boehme (1575-1624) teve ou não algum conhecimento da Cabala: para ele, a Divindade é Ungrund (sem seu
Filho, sua imagem é sinistra (é a do
Diabo), é em Cristo apenas que as Trevas originais se tornam Deus), o corpo é “desejo congelado”, Deus tem duas expressões (uma assustadora, a divindade do
Antigo Testamento que é apenas justa; e o verdadeiro Deus, que é o Deus do amor, não da justiça – o deus do
Antigo Testamento é na verdade o
Diabo), sua cosmologia tem três princípios (Trevas, Luz e sua mistura), a criação do mundo procede em duas etapas (através de dois demiurgos: o primeiro, chamado Verbum fiat, é uma entidade saturniana; o outro, criador do mundo visível e da Alma do Mundo, é o deus irado do
Antigo Testamento), e a cosmologia de dois estágios pressupõe uma antropologia de dois estágios (“Adão é criado com dois corpos. Um é um corpo de luz, imagem perfeita da forma humana representada desde toda a eternidade pela Sabedoria e outrora possuída por
Lúcifer. O outro é um corpo de trevas. Ele se assemelha ao espírito deste mundo, o espírito do macrocosmo.”).