Devido à incoerência e às contradições de
Marcion, seu sistema oferece múltiplas possibilidades de expansão que seus discípulos exploraram, e todos eles parecem trair
Marcion na medida em que qualificam o Deus bom como arche — “primeiro princípio” —, ao passo que na intenção de
Marcion ele era princípio de nada, pelo menos de nada neste mundo.
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Entre os discípulos de
Marcion o mais importante foi Apeles, que elaborou sua própria doutrina e a pregou em Alexandria, escrevendo em trinta e oito livros os Silogismos — obra destinada a refutar pelo racionalismo obstinado todas as fábulas do
Antigo Testamento.
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O cristão Ródão denunciou a falta de argumentação coerente de Apeles, mas aparentemente não estava preparado para enfrentar um oponente mais sutil
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Contra
Marcion, Apeles negou a existência de dois princípios e enfatizou a monarquia de Deus; atribuiu a criação do mundo a um
anjo chamado Senhor — que não era o Demiurgo marcionita
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Em fúria anti-judaica, Apeles fez o próprio
Anjo do Mal — praeses mali — ser o Espírito enganoso que é o deus do
Antigo Testamento e dos cristãos judeus
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Em conformidade com a doutrina corrente do veículo astral da alma, Apeles fez o corpo de Cristo consistir de puros elementos estelares
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Apeles enviou em missão a Roma sua profetisa Filumene, cujas revelações ele registrou numa obra chamada Phaneroseis
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De Paulo a
Marcion e a Apeles, a Lei foi julgada em termos progressivamente mais severos; Apeles continuou a pregação marcionita num espírito mais radicalmente anti-judaico e menos anticósmico, pois este mundo não era a criação do Mal