A gnose nasorea recebe o nome de nasirutha; é um ensinamento esotérico sistemático e baseado na identificação especulativa com Adão, uma Gnose dentro de uma gnose, um gnosticismo completo, cujas ideias centrais expressas por símbolos ou em linguagem indireta negativa refletem uma profunda intuição do mundo e do homem no Infinito.
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Primeira noção principal: o Ser Supremo sem formas, o Não-Ser, designado como Vida, Grande Vida, Grande Imanência, expresso às vezes por contradições aparentes em sua denominação; é descrito também como mikraiia, “alheio”, remoto, incompreensível, inefável
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As duas primeiras folhas da Ginza descrevem em termos negativos o Rei da Luz; carece de sexo ou atributos humanos e ao citá-lo não se diz Ele, mas Eles — Hiia —, um abstrato plural em mandeo
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Segunda noção principal: emanacionismo e queda; o Ser — o Não-Ser manifestável e Ser — surge do Não-Ser; a criação superior é obra de suas emanações; dele surge em primeira instância o Resplendor, Pensamento ou Luz Ativa — Ziwa, Mana, Yawar Ziwa —, posteriormente a Luz ou Mãe — nhura —; deles o mundo etéreo e os seres espirituais que o habitam, os uthras, e o Homem Primordial, Adam Qadmaia ou Kasia ou Secreto, que é a ideia de cosmos sob forma humana
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A Adam Qadmia se opõe como cópia Adam Pagria, o homem físico, cujo primeiro representante foi o Adão bíblico; ele é obra fracassada de Pthahil e foi Adakas — contração de Adam Kasia — quem se encarregou de completar essa imperfeita criatura, acrescentando-lhe o espírito — mana —, com o que este ficou prisioneiro da matéria inferior
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Terceira noção principal: dualismo; na construção humana de Pthahil patentiza-se um dualismo entre o Si-Mesmo e o não Si-Mesmo, em forma simbólica a que acostuma todo tipo de gnosticismo; entre os nasoreanos essa referência tem um momento antecedente no mito, nas “Águas Escuras”, primeiro sinal visível do mal
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O mal é o acompanhante inevitável da matéria, que aparece como necessário resultado da primeira expressão da Unidade em pluralidade; ao dividir-se o Uno em suas formas espirituais superiores, em Resplendor e Luz, o mal se faz presente
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Nessa doutrina metafísica a possibilidade do mal é já colocada no Não-Ser manifestável como potência que se faz virtual no homem; o Não-Ser não manifestável é a potência enquanto possibilidade de ser pura e simples em seu fundo insondável; o Não-Ser manifestável é virtualidade ou possibilidade germinal do Ser ou Manifestação
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O símbolo da queda, que no gnosticismo ocidental introduzia a ruptura ontológica no Pleroma em seu último grau de emanação, aqui se faz presente no mais prístino fracionamento da Unidade, numa figura que aspira ao maior rigor da forma metafísica
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Quarta noção principal: Salvador e Retorno; Adakas-Zaiwa e sua esposa Anana-Ziwa engendram três pares de gêmeos e posteriormente a tríade exemplar Hibil, Shitil e Anush-Hibil, chamado Hibil-Yawar, Hibil-Mana e Hibil-'uthra, que será o espírito salvador; desce ao mundo da escuridão e salva as “almas” aprisionadas
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Em momento final, a “alma” reencontrada ou re-conhecida integra-se a seu arquétipo eterno no Mushnia Kushta, e o vestido será um só Vestido, ou seja, mana será como em sua origem Mana, ou em outras palavras, o Infinito ou Si-Mesmo proclamado