Plotino

Francisco García Bazán. GNOSIS: la esencia del dualismo. Madrid: Editorial Trotta, 1997.

A interpretação tradicional de que o ataque de Plotino nos tratados Enéadas era dirigido contra os cristãos foi rejeitada por alguns intérpretes, e um tratamento metodologicamente claro é necessário para superar a impasse histórica sobre a identificação dos gnósticos que ele conheceu.

A unidade do grande tratado e o contexto do alegado antignóstico A compreensão do alegado contra os gnósticos exige considerar que as Enéadas não refletem diretamente a ordem de redação de Plotino, mas o resultado da atividade editora de Porfírio, que subdividiu ou reuniu escritos que constituíam uma unidade original.

Enéada III,8: Sobre a natureza, a contemplação e o Um O tratado Enn. III,8 delineia o programa sobre o último nível da alma universal (natureza), seu modo de produção (contemplação), e sobre o Princípio (o Um) que sustenta a operatividade contemplativa do Espírito e da Alma.

Enéada V,8: Sobre a beleza espiritual No tratado Enn. V,8 demonstra-se que, assim como o mundo é uma existência sábia, ele é também uma realidade bela, havendo uma hierarquia nas manifestações da beleza paralela ao ordenamento ascendente dos logoi.

Enéada V,5: Sobre o conhecimento e a verdade Pelo conhecimento real (gnosis) e não pela opinião pode-se chegar ao Espírito, pois o critério de verdade no âmbito gnoseológico é o da imediatez, que se dá plenamente na segunda hipóstase onde sujeito e objeto de conhecimento constituem uma unidade.

Enéada II,9: O ataque direto aos gnósticos valentinianos Os capítulos 10, 11 e 12 de Enn. II,9 revelam elementos específicos do mito valentiniano, permitindo identificar os gnósticos combatidos por Plotino com o valentinismo romano (Ptolomeu e Teodoto) e justificar a tese de que é necessário delimitar este setor específico.

Indícios e confirmações do alegado contra os gnósticos As relações de Plotino com os gnósticos valentinianos de Roma podem ser divididas em cinco grandes etapas ao longo das Enéadas, desde uma franca convivência inicial até uma ruptura explícita.

O testemunho de Porfírio (V.P. XVI) e a conclusão sobre a polêmica O testemunho de Porfírio em V.P. XVI ratifica a origem cristã dos gnósticos, confirma sua inspiração especulativa de corte platônico e o uso de literatura gnóstica profusa, sem contradizer o que foi estabelecido pelas Enéadas.