PÉROLAS A PORCOS

Pérolas a porcos… (Mt VII,6)

Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem. (Mt 7:6)

Clemente de Alexandria

Tertuliano

Hipólito

Didache

Orígenes

Jerônimo

Obras de San Jerónimo, II, Comentario a Mateo y otros escritos, Biblioteca de Autores Cristianos (BAC), Madrid, 2002, 769 p., edición bilingüe promovida por la Orden de San Jerónimo, introducciones, traducción y notas de Virgíliio Bejarano.

Contribuição e tradução de Antonio Carneiro do “Comentário à Mateus”, Livro I (1, 1 — 10, 42), página 73

Capítulo 7 — 13. … e que não tem que dar o santo aos cães

Não deis o santo aos cães (7, 6). O santo é o pão dos filhos; logo não devemos tomar o pão dos filhos e dá-lo aos cães. Nem lanceis vossas pérolas aos porcos. O porco não admite adorno, se revolve no lamaçal de lodo e segundo os provérbios de Salomão (11, 22), “se tiver um aro de ouro, ficará mais feio”.

Alguns querem que os cães sejam entendidos como aqueles que depois de sua crença em Cristo retornam ao vômito (2 Pd 2, 22) de seus pecados e porcos aqueles que todavia não acreditaram no evangelho e se revolvem na lama (2 Pd 2, 22, vide nota 2) da incredulidade e nos vícios. Não convém, portanto, confiar de imediato em tais homens a pérola do evangelho, para que não pisoteiem e, reconvertidos ao mal, comecem a destruí-los.

Gnosticismo

Roberto Pla

EVANGELHO DE TOMÉ 93

As duas espécies animais, os “cachorros” e os “porcos”, servem para designar “em figura”, tanto as paixões da alma que mascaram a contemplação da verdade, como a quem por ignorância não discerne o sagrado, nem reconhece a existência da pérola em si mesmos, e em consequência, confunde, mistura, o santo com o profano e nega ou prostitui a verdade da Palavra.

Claro que esta explicação nem sempre se admitiu assim, com uma visão não condicionada, senão que com um partidismo peculiar da irreflexão humana, se designaram estas “figuras” animais aos que não participavam do mesmo conceito do sagrado, nem da mesma opinião a respeito da “pérola” desconhecida. Assim foi como os “pagãos” veterotestamentários, os não israelitas, foram qualificados de “cachorros”, indignos de comer os alimentos sagrados no Templo, e comaprados com os “porcos”, a espécie animal cuja carne não se podia comer por estar qualificada de impura nos textos.

Em reciprocidade de injustiça, os herdeiros “manifestos” do doce Jesus, não encontraram obstáculo para qualificar de “cachorros” durante muitos séculos aos Judeus não conversos ao novo signo externo do ensinamento de Cristo, e para designar o nome de “marranos” aos conversos fingidos por temor, ou não provados.

Antonio Orbe

René Guénon