Uma exposição clara dessa perspectiva crítica cristã encontrava-se nos textos de Jean
, cardeal da Igreja Católica e professor em Paris.
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O autor Jean
Daniélou ressalta que não se trata de depreciar os exemplos de vida interior e desapego das religiões não cristãs.
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O texto de Jean
Daniélou prossegue com considerações específicas sobre o valor e os limites das sabedorias orientais.
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A China, com as doutrinas de Confúcio, trouxe admiráveis regras de sabedoria para as relações humanas.
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A Índia oferece o exemplo de um povo que sempre viu no ascetismo e na contemplação o ideal mais elevado.
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A leitura de seus mestres, do autor do Bhagavad Gita a Aurobindo, transmite a sensação da irrealidade dos bens mundanos e da soberana realidade do mundo invisível.
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É compreensível que, no mundo ocidental moderno, voltado apenas para o domínio das energias cósmicas e influenciado pela ilusão marxista de transformação humana pela mudança material, a sabedoria da Índia atraia almas sedentas de silêncio e vida interior.
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O fato reside em que isso pressupõe a capacidade humana de atingir Deus por forças próprias, o que o cristianismo nega categoricamente pela realidade do pecado original, que consiste em uma separação inabalável pelo homem sozinho.
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A segunda razão apoia-se no fato de o Deus cristão ser absolutamente inacessível, sendo Ele o único capaz de introduzir o homem na participação de Sua natureza sobrenatural.
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No hinduísmo ou no neoplatonismo, a alma é considerada divina por natureza, necessitando apenas afastar-se do alheio para encontrar Deus em si mesma.
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O primeiro artigo da fé cristã afirma a doutrina do Deus Criador, isto é, a distinção radical entre Deus e o homem, tornando a elevação humana inacessível a qualquer ascetismo humano.
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Para o cristianismo, os salvos são os que creem, independentemente do nível de vida interior; uma criança ou um trabalhador sobrecarregado, se tiverem fé, são superiores aos maiores ascetas.
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A eventual existência de grandes personalidades religiosas fora do cristianismo não possui consequência; o que importa é a obediência às palavras de Jesus Cristo.
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Comparadas ao cristianismo, as religiões pagãs parecem antiquadas e distorcidas, embora contenham elementos valiosos cujo desaparecimento preocupava Simone Weil.
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Simone Weil escreveu que o desaparecimento das outras tradições seria uma perda irreparável, acusando os missionários de causarem a extinção de muitas delas.
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Contra essa acusação, invoca-se o conceito de missão expresso por Pio XII na encíclica Divini Praecones, afirmando que a Igreja liberta as doutrinas pagãs do erro, completando-as e coroando-as com a sabedoria cristã.
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A fórmula de Pio XII resume a atitude cristã de purificar os valores pagãos do erro, destruindo a corrupção, especialmente a idolatria.