A transcrição integral do discurso de Gurdjieff estabelece que o programa do Instituto, o poder do Instituto, o objetivo do Instituto, as possibilidades do Instituto podem ser expressos em poucas palavras: o Instituto pode ajudar alguém a ser capaz de ser um cristão. Simples! Isso é tudo! Ele só pode fazer isso se um homem tiver esse desejo, e um homem só terá esse desejo se tiver um lugar onde o desejo constante esteja presente. Antes de ser capaz, é preciso desejar. Assim, há três períodos: desejar, ser capaz e ser. O Instituto é o meio. Fora do Instituto é possível desejar e ser; mas aqui, ser capaz. A maioria dos presentes aqui se diz cristã. Praticamente todos são cristãos entre aspas. Examinemos essa questão como homens adultos. — Dr. X., o senhor é cristão? O que o senhor acha, deve-se amar o próximo ou odiá-lo? Quem pode amar como um cristão? Segue-se que ser cristão é impossível. O cristianismo inclui muitas coisas; pegamos apenas uma delas, para servir de exemplo. O senhor pode amar ou odiar alguém sob comando? No entanto, o cristianismo diz precisamente isto, amar a todos os homens. Mas isso é impossível. Ao mesmo tempo, é bem verdade que é necessário amar. Primeiro é preciso ser capaz, só então se pode amar. Infelizmente, com o tempo, os cristãos modernos adotaram a segunda metade, amar, e perderam de vista a primeira, a religião que deveria tê-la precedido. Seria muito tolo da parte de Deus exigir do homem o que ele não pode dar. Metade do mundo é cristã, a outra metade tem outras religiões. Para mim, um homem sensato, isso não faz diferença; elas são o mesmo que os cristãos. Portanto, é possível dizer que o mundo inteiro é cristão, a diferença está apenas no nome. E tem sido cristão não apenas por um ano, mas por milhares de anos. Havia cristãos muito antes do advento do cristianismo. Então o bom senso me diz: — Por tantos anos os homens têm sido cristãos — como podem ser tão tolos a ponto de exigir o impossível? Mas não é assim. As coisas nem sempre foram como são agora. Só recentemente as pessoas esqueceram a primeira metade e, por causa disso, perderam a capacidade de ser capazes. E assim tornou-se de fato impossível. Que cada um se pergunte, de forma simples e aberta, se pode amar a todos os homens. Se tomou uma xícara de café, ama; se não, não ama. Como isso pode ser chamado de cristianismo? No passado, nem todos os homens eram chamados de cristãos. Alguns membros da mesma família eram chamados de cristãos, outros de pré-cristãos, e ainda outros eram chamados de não-cristãos. Portanto, em uma mesma família poderia haver o primeiro, o segundo e o terceiro. Mas agora todos se dizem cristãos. É ingênuo, desonesto, imprudente e desprezível usar esse nome sem justificativa. Um cristão é um homem que é capaz de cumprir os Mandamentos. Um homem que é capaz de fazer tudo o que se exige de um cristão, tanto com sua mente quanto com sua essência, é chamado de cristão sem aspas. Um homem que, em sua mente, deseja fazer tudo o que se exige de um cristão, mas só pode fazê-lo com sua mente e não com sua essência, é chamado de pré-cristão. E um homem que não pode fazer nada, nem mesmo com sua mente, é chamado de não-cristão. Tente entender o que quero transmitir com tudo isso. Que seu entendimento seja mais profundo e mais amplo.