A extensão temporal dos textos abrange quase doze séculos sob a autoria de diversos escritores e circunstâncias variadas.
A introdução geral destina-se ao exame de duas questões amplas e de caráter teórico.
A primeira questão conceitual refere-se ao próprio termo apocalipsismo e aos critérios para julgar quais obras pertencem a essa categoria.
A segunda indagação avalia a utilidade e a abrangência da noção de espiritualidade apocalíptica ao longo dos séculos.
A escassez de trabalhos prévios nessa área reduz as presentes observações a guias para investigações futuras, sem pretensão de conclusões fixas.
O propósito das seleções concentra-se na apresentação das evidências para um público amplo a fim de estimular novos debates.
O Conceito de Apocalipsismo
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O entendimento etimológico do apocalipsismo liga-se à palavra grega para revelação, denotando uma mensagem divina sobre o fim iminente do mundo ou de sua forma presente.
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A imprecisão terminológica decorre das relações complexas com vocábulos afins como escatologia, profecia, milenarismo, milenarismo quiliástico e messianismo.
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A exigência de explicações preliminares sobre o uso dos termos atua como um dever mínimo dos autores, dispensando o acordo universal.
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A ausência dessas definições ou a interpretação baseada em ideias preconcebidas geram confusões desnecessárias na literatura.
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O apocalipsismo define-se estritamente como uma forma particular de escatologia, espécie de um gênero mais amplo voltado para o fim da história como estrutura de significado.
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A amplitude do conceito de profecia engloba o apocalipsismo, definindo o profeta como uma pessoa inspirada que se crê enviada por seu deus com uma mensagem.
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O traço distintivo do apocalipsismo face à escatologia geral reside fundamentalmente no senso de proximidade do fim.
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A singularidade do apocalipcista como um tipo específico de profeta decorre tanto da especificação de sua mensagem quanto de seu caráter culto, escrito ou escribal.
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O milenarismo refere-se em termos gerais às crenças em uma futura sociedade terrestre de caráter mais perfeito.
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A importância dessas expectativas quiliásticas não esgota o conteúdo da mensagem apocalíptica, concentrando-se prioritariamente em seu polo otimista.
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A atividade do Cristo que retorna e de outros agentes divinos insere elementos de messianismo no apocalipsismo.
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O tamanho dos problemas nominalistas diminuiria caso houvesse um consenso mínimo entre os estudiosos sobre o núcleo do apocalipsismo.
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A controvérsia sobre a melhor forma de compreender o conteúdo apocalíptico persiste na pesquisa anglo-saxã, mesmo em obras que não adotam formalmente o gênero de um apocalipse.
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A maioria das tentativas de listar os componentes essenciais do apocalipsismo baseou-se nos apocalipses judeus do período entre 200 a.C. e 100 d.C..
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A ampliação da definição para abranger as crenças cristãs e judias tardias sobre o fim iminente acentua as dificuldades de uma fórmula única.
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A substituição de listas rígidas baseadas apenas em exemplos judeus primitivos por uma estrutura de temas inter-relacionados mostra-se mais adequada para abranger séculos de tradição.
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O estágio inicial dessa tarefa metodológica evidencia-se pelas observações preliminares apresentadas pelo autor.
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Os interesses centrais do apocalipsismo situam-se na relação entre o tempo e a eternidade, entre a vida humana na história e o plano eterno do reino celestial de Deus.
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Revelação de uma mensagem do reino celestial por meio do livro do vidente apocalíptico.
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Proclamação de um drama histórico em três atos: provação presente, julgamento iminente e salvação futura.
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A inserção implícita ou explícita desse padrão triplo opera dentro de uma visão da estrutura total da história, expressa em vaticínios sobre as eras do mundo ou a sucessão de impérios.
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A superação iminente da morte constitui uma certeza fundamental para o pensador apocalíptico.
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A presença variável desses temas nos apocalipses judeus do período formativo entre 200 a.C. e 100 d.C. moldou o desenvolvimento do apocalipsismo cristão por séculos.
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O apocalipsismo cristão manifestou motivos semelhantes mesmo após o declínio do gênero formal do apocalipse por volta do ano 300 d.C..
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Busca por uma visão universal da história concebida como uma estrutura divinamente ordenada.
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Pessimismo profundo sobre o presente, interpretado como um tempo de crise, degeneração moral, perseguição dos bons e triunfo dos ímpios.
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Otimismo fundado na crença em um julgamento divino iminente para a punição dos maus e a vindicação dos justos.
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A concepção da vindicação assumiu formas variadas, frequentemente milenaristas, sem se limitar a esse modelo.
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A transcendência da morte permaneceu vinculada às esperanças futuras do apocalipsismo desde as suas origens históricas.
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O desdobramento da literatura apocalíptica judia no cristianismo tardio gerou uma dupla descendência expressa em textos apocalípticos e em uma rica literatura visionária sobre o destino da alma após a morte.
Espiritualidade Apocalíptica
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A emergência de uma tradição de espiritualidade apocalíptica secular fundamenta-se na permanência desses grandes temas ao longo dos séculos.
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Reconhecimento das diferenças de substância e nuance contra a rigidez de isolar uma mentalidade apocalíptica única.
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Validação da espiritualidade apocalíptica como uma das vertentes importantes na história da busca cristã por Deus.
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A caracterização da literatura apocalíptica como um instrumento de consolação para aqueles que enfrentam crises e perseguições religiosas constitui um lugar-comum.
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A ligação entre atitudes apocalípticas e crises profundas — desde a perseguição dos judeus sob Antíoco IV
Epifânio até as guerras modernas — foi descrita por Amos N. Wilder.
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Definição da retórica apocalíptica por Amos N. Wilder como a dramatização da hierofania grupal em situações de descontinuidade e caos.
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Atribuição de sentido renovado ao processo histórico no momento de maior anomia por meio de uma revelação extática.
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A exortação à firmeza na hora da provação baseia-se na promessa de que Deus virá em breve para recompensar os justos e punir os inimigos.
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A afirmação de Walter Schmithals corrobora que o apocalipsismo supera a mera reação às estruturas causais da realidade existente.
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Rejeição da ideia de causalidade mecânica: a perdição sob Antíoco
Epifânio não causou o apocalipsismo judeu, assim como a crise da Igreja no século doze não causou as ideias de
Joaquim de Fiore.
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O senso de crise presente atua mais propriamente como ocasião ou contexto do que como força motivadora nesses movimentos históricos.
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O surgimento de estágios importantes da tradição apocalíptica processou-se fora de situações de descontinuidade grave ou de anomia social generalizada.
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A divergência entre as percepções individuais de crise e os julgamentos gerais de uma época ou visões posteriores de historiadores relativiza o peso desse fator.
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O apocalipcista define-se melhor como alguém que está à procura da crise e não como quem apenas reage a ela de modo passivo.
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A mentalidade apocalíptica constitui uma modalidade de pré-compreensão e não um simples mecanismo de resposta.
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A sensibilidade apurada diante das transformações gera nos apocalipcistas a necessidade de uma estrutura religiosa capaz de absorver e conferir sentido às ansiedades da existência.
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Essa demanda existencial impulsiona a modelagem da história e das vidas desses indivíduos em formas distintas e reconhecíveis.
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A complexidade dos propósitos de difusão das mensagens apocalípticas ultrapassa a categoria exclusiva da consolação.
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A preocupação com o sentido e a estrutura da história confere amplas implicações políticas ao apocalipsismo no sentido原da governança do Estado.
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A proposta apresentada na obra Visions of the End sugere a divisão do discurso apocalíptico medieval entre os modos a priori e a posteriori, dotados de funções positivas e negativas.
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O modo a priori utiliza o drama apocalíptico herdado e suas figuras simbólicas para conferir significado aos eventos correntes.
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A aplicação positiva do modo a priori ocorre no suporte às estruturas da sociedade cristã ameaçada, enquanto a aplicação negativa incita a resistência a governantes vistos como agentes do mal.
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As etapas primitivas do apocalipsismo assumiram majoritariamente o caráter a priori negativo devido às origens sob dominação estrangeira e perseguição romana.
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A conversão do Império Romano ao cristianismo revelou os usos positivos e de sustentação do apocalipsismo, frequentemente negligenciados por observadores.
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Continuidade do uso negativo para fomentar revoluções, como nos Taboritas da Boêmia do século quinze, ou para a resistência passiva dos Fraticelli no século catorze.
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Emprego frequente para encorajar o apoio à sociedade cristã contra inimigos externos, como o Islã e os mongóis, ou internos, como heréticos e governantes ímpios.
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A atribuição da vitória final a Deus não impedia a convocação do fiel para pegar em armas e lutar ao lado da divindade no drama do fim.
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As funções a posteriori manifestaram-se após o século quarto por meio de ampliações no cenário tradicional para abrigar reflexões sobre grandes mudanças na sociedade cristã.
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A conversão do Império Romano e a ascensão do papado à liderança religiosa universal constituem os dois maiores exemplos do modo a posteriori.
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Inexistência de indícios textuais para essas figuras nas Escrituras ou na tradição cristã primitiva.
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Criação desses novos papéis como resposta de autores apocalípticos a mudanças que só podiam ser assimiladas via projeção transcendental no fim dos tempos.
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A concepção do Império Romano Cristão como força de retenção do Anticristo e do imperador como autoridade divina máxima tornava impensável a ausência deles nos últimos eventos.
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A relevância do ofício papal impunha de igual modo a necessidade de atribuição de um papel nos tempos finais.
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Os usos a posteriori do apocalipsismo operavam no sentido de apoiar as próprias instituições que passavam pelo processo de apocalitização.
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A atribuição do papel de Anticristo ou de seus predecessores a vários imperadores e reis cristãos encontra precedentes na Bíblia.
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O Último Imperador corporificava uma figura messiânica positiva, concebido como guerreiro e flagelo para exercer vingança sangrenta sobre os inimigos e purificar a Igreja.
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O papel apocalíptico do papado apresentou maior ambiguidade na Baixa Idade Média.
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Disseminação de esperanças quanto ao surgimento de uma série de papas santos, denominados pastores angelici.
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Expressão de crença na dignidade do ofício papal associada à crítica aos pontífices correntes que não correspondiam às exigências do cargo.
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A identificação de papas contemporâneos malfazejos ou heréticos com o próprio Anticristo amparou-se na noção escriturística do falso mestre assentado no Templo.
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O apocalipsismo serviu a uma multiplicidade de propósitos, atuando tanto na crítica quanto na defesa das potências deste mundo.
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Os textos apocalípticos convidam o leitor a uma escolha clara entre o bem e o mal, justificando o forte componente moralista dessas obras.
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O tratado de Lactâncio sobre as últimas coisas no sétimo livro de suas Instituições Divinas configura-se tanto como descrição do fim quanto como análise da vida virtuosa.
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Pensadores como
Joaquim de Fiore e Savonarola sentiram-se compelidos a anunciar o fim iminente como uma última advertência para que os pecadores abandonassem seus caminhos.
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O moralismo por vezes enfadonho dos autores apocalípticos ligava-se à convicção de que os atos finais da história excluiriam zonas cinzentas.
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A contrapartida do moralismo expressa-se na ênfase conferida ao valor da paciência e da resistência sob a provação e o sofrimento.
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Presença dessa dimensão em todas as seleções, brilhando com nitidez nas cartas do monge Adso e dos Franciscanos Espirituais.
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Relato comovente de Ângelo de Clareno sobre os quarenta anos de provações sofridos com seus companheiros como lição de paciência.
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A Carta aos Filhos de Carlos II, de Pedro de João Olivi, estrutura-se como uma fuga teológica cuidadosa sobre o tema da resistência.
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A confiança do fiel no fim iminente é sustentada por três vias principais em meio à perseguição.
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A primeira via consiste na segurança básica decorrente do senso de pertencimento à história e da capacidade de situar o presente no plano eterno de Deus.
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A segunda via reside na capacidade de suportar o mal presente pela certeza de que o tempo de sua duração será curto.
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A terceira via define a esperança que preenche o fiel de alegria pela certeza de que a vindicação será definitiva, consumando a história e superando a morte.
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A necessidade de concordâncias fictícias com origens e fins para dotar de sentido a duração da vida humana foi defendida por Frank Kermode em The Sense of an Ending.
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A vinculação da vida individual e coletiva a um início e a um fim atua como um mecanismo para superar o denominado terror da história de Mircea Eliade.
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A capacidade do apocalipse de ser desconfirmado sem ser descreditado fundamenta sua sobrevivência sob disfarces na contemporaneidade.
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A permanência e a premência das ansiedades humanas aliviadas pelo apocalipsismo impedem que falhas temporárias destruam o seu poder de atração.
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A atribuição de um significado particular ao momento presente supera em importância a segurança histórica geral dada pelo apocalipsismo.
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O pensamento do apocalipcista qualifica-se como intensamente histórico segundo as palavras de W. Schmithals.
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A relação dessa hora com o fim iminente e com a transformação do mundo confere aos crentes a coragem para suportar os breves males enfrentados.
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A percepção da iminência variou consideravelmente entre os autores da coletânea.
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A presença dessa distinção nos autores antigos atesta-se no texto de
Joaquim de Fiore sobre a figura do dragão de sete cabeças.
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O tempo do fim podia ser concebido como curto ou longo, abrangendo tanto a hora da provação quanto o milênio terrestre de vitória posterior.
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O traço distintivo do apocalipcista tradicional residia na convicção de que o presente integrava o tempo final em que a história alcançaria seu propósito.
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A abertura das cortinas e o início do espetáculo simbolizam o senso de urgência desse pensamento.
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A expectativa ardente da vindicação apoiava-se em uma esperança superior a qualquer sofrimento terreno.
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A perspectiva sobre a vida humana dada pelo apocalipse estabelece que a morte física não constitui um desastre definitivo segundo John Collins.
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A esperança na transcendência da morte entrelaçou aspectos individuais e coletivos de modo indissociável para os autores apocalípticos.
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A convocação individual para a decisão na hora crítica fundamentava a recompensa, sem que o apocalipcista caísse no solipsismo.
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A transformação do homem e de sua sociedade legou uma das contribuições mais preciosas do apocalipsismo ao pensamento ocidental.
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A interpretação da espiritualidade apocalíptica como mera realização de desejos ou projeção de necessidades humanas surge como leitura possível.
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As recuperações teológicas contemporâneas de Pannenberg, Moltmann ou
Rahner também rejeitam o retorno a predições ingênuas ou padrões históricos ultrapassados.
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O acordo em torno da superação dos padrões literais ingênuos do passado recebe a anuência do autor da obra.
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A destruição precipitada do apocalipsismo literal corre o risco de impedir a compreensão do significado religioso dessa longa tradição.
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O apelo de Paul Ricoeur por uma segunda ingenuidade alcançada via interpretação crítica dos símbolos apresenta-se como caminho promissor.
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A expectativa do organizador reside no auxílio que os textos apresentados possam dar para a realização dessa tarefa exegética.
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O uso das Escrituras nos tratados e cartas manifesta considerável liberdade na citação dos textos sagrados.
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A permanência de um fim além do fim serve de transição para os agradecimentos institucionais e intelectuais do autor.