também se vinculava à convicção de que Deus era criador e provedor da natureza, no interior de uma tradição pietista e mística que reconhecia a natureza como livro divino.
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Swedenborg afirmou ter tido “nenhuma outra fé além daquela segundo a qual Deus era o criador e provedor da natureza, e havia dado aos homens razão, boas propensões e outros dons”.
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Esse traço provém da piedade encontrada em Johannes Arndt e em outros livros edificantes de misticismo pietista.
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Na piedade de Johannes Arndt aparece o antigo ensinamento de Raimund von Sabunde e Jacob
Boehme sobre os dois livros da ressurreição.
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Essa doutrina inauguraria uma nova era de contemplação religiosa da natureza.
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Além do livro escrito da revelação divina, a Bíblia, haveria um segundo livro divino, a natureza.
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A natureza também é revelação de Deus, realização visível e representação do amor e da sabedoria divinos.
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Essa ideia tornou-se a base religiosa da ciência moderna.
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Johannes Kepler justificou a troca da carreira clerical pela nomeação como matemático e astrônomo afirmando servir à glória de Deus tanto ao proclamar sua fama pelo livro da natureza quanto pela Bíblia.
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Jan Swammerdam compreendeu suas pesquisas científicas como sacerdócio sagrado e intitulou seu estudo sobre o mundo maravilhoso dos insetos Biblia naturae, publicado em 1737.
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A ideia da tarefa sacerdotal do cientista reaparece em grandes fisiólogos da época, como Hermann Boerhaave, e em matemáticos importantes, como Newton e Leibniz.
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O cientista interpreta as maravilhas de Deus no livro da natureza e proclama a honra de Deus ao estabelecer as ordens misteriosas do universo e de seus movimentos.
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Não apenas o céu dos anjos e dos santos glorifica a honra eterna de Deus, mas também o céu das estrelas, os planetas, a terra e todas as criaturas.
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Os animais e até os insetos descritos por Swammerdam revelam que mesmo uma pulga pode manifestar o esplendor de Deus.
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Os maiores médicos do período também compreendiam a investigação do organismo humano como ofício sagrado para a glorificação de Deus.
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Lorenz Heister, médico alemão célebre do século XVIII e autor do Compendium der Anatomie, publicado em 1717, foi frequentemente citado por
Swedenborg em suas obras principais.
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Lorenz Heister escreveu: “O propósito da anatomia é múltiplo, mas seu propósito principal é o conhecimento e a admiração das obras maravilhosas do Ser supremo no corpo do homem e de outras criaturas.”
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Lorenz Heister acrescentou que a contemplação do organismo altamente artístico e da forma, ligação, comunicação, efeito e eficácia de cada uma de suas partes prova não apenas a existência, mas também a imensa e estupenda sabedoria de Deus.
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A anatomia, para Lorenz Heister, convida à oração e à reverência, escarnece de todos os ateus e deve ter como propósito principal a glorificação de Deus.
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Nesse sentido, a anatomia pode ser chamada de ciência filosófica, física e teológica, de grande benefício para todos os verdadeiros amantes da sabedoria e da teologia.