Metafísica da Vida

BENZ, Ernst. Emanuel Swedenborg: visionary savant in the age of reason. West Chester, Pa: Swedenborg Foundation, 2002.

A visão de Swedenborg sobre os mundos inferior e superior baseia-se numa filosofia metafísica da vida derivada de alguns princípios simples, nos quais a vida é a ideia dominante.

Esta percepção é significativa para a visão de Swedenborg sobre a religião e sobre a natureza, sendo a religião para ele uma simples dependência de Deus.

Esta ideia também está na base de sua visão do pecado, que ocorre quando uma criatura atribui sua vida e atividade a si mesma.

Swedenborg deduziu a ideia básica de sua metafísica da história da Criação no Antigo Testamento, onde o sopro de Deus em Adão confirma que só Deus é vida.

A vida em si mesma é, portanto, criada da parte de Deus, não da criação, e tudo o que pode ser e é criado é apenas um órgão para o propósito de receber esta vida.

Um duplo aspecto e mistério inerem a esta vida da humanidade: por um lado, ela é constituída de tal forma que uma pessoa a percebe como sua própria.

Dois aspectos devem ser distinguidos: toda a vida é de Deus, que a derrama sobre bons e maus, mas o que importa é como a pessoa reage a esta influência (influxo).

Swedenborg tentou descrever mais precisamente a maneira especial pela qual a vida divina foi ativada na humanidade, onde o amor atua como o impulso determinante da vida.

A unidade da vida é o segundo tema fundamental da metafísica de Swedenborg, fundamentada pelo fato de que toda a vida deriva de Deus.

A ideia de que todas as coisas inferiores são um vaso de coisas superiores também se aplica à relação entre a criação e o Criador.

O órgão real de realização no qual a vida pessoal e espiritual de Deus assumiu sua forma mais elevada é o ser humano.

Swedenborg desenvolveu ainda mais esta ideia sob o impacto direto de sua visão de Cristo, onde a humanidade é baseada na natureza de Deus.

Esta concepção significa uma ruptura completa com a visão de mundo do Iluminismo, que havia racionalizado totalmente a ideia de Deus e rejeitado as características humanas e físicas de Deus.

A ideia do significado arquetípico da humanidade para todo o ser espiritual levou Swedenborg a uma concepção inicialmente notável: a de que as criaturas espirituais se agrupam em comunidades que assumem uma forma humana.

O “Humano Universal” não é idêntico ao próprio Deus, mas é o corpo de Deus, a forma na qual os seres espirituais redimidos estão unidos.

A humanidade não é uma seção arbitrária e coincidente nas formas multifárias do universo, mas simplesmente a forma arquetípica da vida.

Isto é verdadeiro não apenas para as pessoas na terra, mas também para todo o universo, pois a humanidade desta terra é apenas uma forma especial da representação da criação.

A precedência absoluta da humanidade no universo é expressa nesses pensamentos de Swedenborg: o universo é uma imagem de Deus e, como Deus é humano em sua essência mais íntima, o universo reflete o Deus-homem.

O caráter arquetípico da humanidade deve ser entendido de modo que o próprio arquétipo possua o poder de ter uma influência formativa sobre as formas inferiores de vida.