Crítica

BENZ, Ernst. Emanuel Swedenborg: visionary savant in the age of reason. West Chester, Pa: Swedenborg Foundation, 2002.

Swedenborg considerou a história da Igreja Cristã como a história de seu declínio, uma ideia retirada dos espiritualistas alemães e ingleses, sendo sua crítica especialmente radical ao afirmar que o declínio já havia começado na era mais antiga da Igreja Cristã.

A crítica de Swedenborg à Igreja do Novo Testamento não é menos severa do que à do Antigo Testamento, isentando de declínio apenas a congregação apostólica composta pelos discípulos chamados pelo próprio Senhor.

Uma causa adicional do declínio está no mal-entendido da verdadeira essência de Deus, onde os erros que levam à doutrina da personalidade trina de Deus e das duas naturezas de Cristo já surgiram na antiga Igreja Cristã.

Swedenborg não está sozinho em sua atitude crítica em relação ao dogma, mas estabelece um precedente ao basear sua crítica em visões, e não em argumentos históricos, como fizeram Toland e Locke.

O que distingue Swedenborg de Whiston e de outros críticos da doutrina eclesiástica da Trindade é o fato de ele não apenas usar argumentos históricos, mas também se referir às suas visões em sua crítica ao dogma.

Embora sua crítica ao dogma trinitário concernisse a todas as Igrejas Cristãs, Swedenborg submeteu as crenças doutrinárias das grandes confissões históricas a uma extensa crítica, principalmente à Igreja Católica Romana e à Igreja Luterana da Suécia.

A crítica real de Swedenborg diz respeito à Igreja Luterana Sueca e está dirigida ao coração de sua doutrina: a justificação pela fé.

A teologia de Swedenborg está contida nesta cadeia de raciocínio: não há amor a Deus sem amor ao próximo e, portanto, não há fé sem boas obras.

A visão mais impressionante sobre a doutrina da justificação ocorreu em 1764, onde Swedenborg vê seu próprio destino como profeta e o destino dos inimigos de seu ensino.

Esta visão mostra que Swedenborg estava essencialmente se esforçando para uma renovação do evangelho, identificando claramente esta como a principal tarefa de sua missão religiosa.

O resumo impressionante da crítica de Swedenborg à vida eclesiástica contemporânea é encontrado em Apocalipse Revelado, onde o Juízo Final sobre as confissões e o estabelecimento da Nova Igreja são revelados nas palavras, figuras e eventos do Livro do Apocalipse.

Swedenborg conduz conversas no mundo espiritual com os grandes reformadores do século XVI (Lutero, Melanchthon, Calvino), contendo notícias inesperadas de seu desenvolvimento posterior.