Correspondências

BENZ, Ernst. Emanuel Swedenborg: visionary savant in the age of reason. West Chester, Pa: Swedenborg Foundation, 2002.

Swedenborg está preocupado com a teologia metafísica que revela a verdadeira natureza das coisas contida como um “sentido interior” nas palavras externas da Escritura.

A doutrina das correspondências já está expressa em sua forma mais geral na obra Economia do Reino Animal (1740) e resumida no manuscrito Uma Chave Hieroglífica para Arcanos Naturais e Espirtais (1741).

O protótipo histórico para esta doutrina das correspondências é o antigo neoplatonismo, e Swedenborg também parece ter sido influenciado pela ideia de signatura rerum de Jacob Boehme.

O entendimento de Swedenborg sobre as correspondências entre tudo no mundo tornou-se um princípio básico de sua epistemologia, transformando todo o mundo visível natural de maneira maravilhosa.

Como a referência aos hieróglifos indica, as correspondências se aplicam não apenas às coisas em si, mas também à sua significação, e as palavras eram carregadas com um conteúdo representativo.

O ponto crucial é que Swedenborg estava desenvolvendo sua doutrina das correspondências quatro ou cinco anos antes de sua visão de vocação e relacionando-a desde o início com a Sagrada Escritura.

Nenhum esclarecimento vem até sua visão de vocação, concedida a ele em Londres em abril de 1745, onde ele recebe a comissão para divulgar o sentido interior da Sagrada Escritura.

Após sua visão de vocação, a doutrina das correspondências torna-se uma doutrina da palavra divina, que aparece como a representação visível da verdade divina.

Swedenborg deu expressão sistemática a essas ideias especialmente em suas obras Doutrina da Sagrada Escritura (1763) e Verdadeira Religião Cristã (1771).

Swedenborg se esforça para elaborar em detalhe uma espécie de enciclopédia de correspondências, determinando um significado espiritual definitivo único para cada animal, cor e figura que ocorre na Bíblia.

Swedenborg considerava o pensamento em termos de correspondências como a forma arquetípica do pensamento e relacionava a origem das religiões a ele.

O conhecimento original do caráter simbólico de todas as formas terrenas ainda está subjacente a toda idolatria, e a palavra antiga estava originalmente escondida em cada religião.

A doutrina das correspondências também induziu Swedenborg a classificar os livros da Bíblia, distinguindo entre as escrituras do Antigo Testamento e os evangelhos e as obras de São Paulo e os outros apóstolos.

Swedenborg finalmente explica a origem de inúmeras heresias na Igreja Cristã por meio de sua doutrina das correspondências.

Os erros vêm quando os mestres da palavra, predispados por sua arrogância intelectual, não podem distinguir entre verdade escondida e não escondida, aparente e autêntica.

Quem permanece em sua religião e acredita no Senhor, mantém a palavra sagrada e vive de acordo com os Dez Mandamentos, não jura falsidade.

O mesmo esquema de correspondências usado na exegese da Sagrada Escritura também dominou as visões de Swedenborg.

Swedenborg considera a doutrina das correspondências como o princípio universal, com cuja ajuda ele elucida a unidade interior da vida divina.