O sacrifício da Eucaristia foi chamado não sangrento.
Segundo o Evangelho, o sacrifício não sangrento (chamado sacrifício de religião) teve lugar na véspera do sacrifício sangrento (dito sacrifício de redenção).
Este sacrifício da Eucaristia tem seu modelo segundo uma tradição sacerdotal que viria de Melquisedeque.
Melquisedeque
O Livro dos segredos de Enoque é um texto apócrifo, também conhecido como Enoque II, que termina justamente com a “História de Melquisedeque”; seu nascimento por uma virgem (Sophonim) se assemelha com o de Jesus; ele leva o selo do sacerdócio em seu peito, o marido de Sophonim o reveste de vestimentas sacerdotais e lhe dá os pães consagrados; ele confirma este sinais de eleição consumindo os pães; quarenta dias após o nascimento o arcanjo Miguel vem buscá-lo e o leva ao Céu a fim de poupá-lo do dilúvio iminente que acaba com tudo sobre a terra; uma ascensão, liberado de todo condicionamento humano, que o eleva oa Paráiso, à condição predestina da por Deus: “chefe dos sacerdotes em uma outra raça”.
Na Epístola aos Hebreus várias referências (vide Melquisedeque); suas referências atestam uma via sacerdotal fora da linhagem levítica.
O uso eucarístico do sacrifício do pão e do vinho, já presente na consagração de Melquisedeque, prefigura a constituição da missa cristã, que tem como núcleo central a transformação destas duas espécies.
Melquisedeque é Rei de Salem (Rei da Paz), mas também Rei de Justiça segundo seu nome “malki tsedeq” (vide Guenon Melkitsedeq).
O nome “shemesh tsedaquah” também tem relações estreitas com Melquisedeque, e aparece em Malaquias III, 20; significando “Sol de Justiça” ou melhor da Retidão ou da integridade (helios dikaiosynes, sol justitiae), conheceu um favor extraordinário na tradição cristã, como título do Cristo.
Superior a Abraão no Antigo Testamento, posto que o abençoa; enquanto este último lhe paga o dízimo. O Deus Altíssimo (el-elyon), o Deus de Melquisedeque, é superior ao Todo-poderoso (shaddai), Deus de Abraão.