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A doutrina da Ungrund é desenvolvida principalmente em De Signatura Rerum e Mysterium Magnum para responder ao mistério da liberdade, à origem do mal e ao combate da luz com as trevas.
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Em citação direta,
Boehme define Deus fora da natureza como um Nada, um olho insondável da eternidade, que é uma vontade indeterminada e um desejo de manifestação.
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A Ungrund é o Nada, o olho insondável da eternidade e, ao mesmo tempo, uma vontade sem fundo, sendo a “fome do Algo” e a “Liberdade”.
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A liberdade é a contraparte da natureza, que emana dela, e o Nada não pode nem quer ser um Nada.
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Em citação direta,
Boehme descreve que a liberdade reside nas trevas e é a causa da luz, havendo dois princípios: um na liberdade e luz, outro na dor e sofrimento das trevas.
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Boehme é o fundador de um voluntarismo metafísico, para quem a vontade (liberdade) é o princípio de todas as coisas, residindo nas profundezas da divindade e antes dela.
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A Ungrund divina, o Nada, está além do Bem e do Mal, sendo a condição para Deus se engendrar a partir dela, uma ideia profunda da mística alemã que distingue a Divindade de Deus.
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O Nada é mais profundo que o Algo, as trevas são mais profundas que a luz, e a liberdade é mais profunda que a natureza.
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A liberdade não é a natureza, não foi criada, e Deus é descrito como uma vontade da Ungrund que se engendra na sabedoria eterna.
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A liberdade tem suas raízes no Nada, possui em si mesma o juízo do Bem e do Mal, a cólera e o amor de Deus, as trevas e a luz.
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O caos é a raiz da natureza, significando a liberdade, a vontade irracional, sendo a liberdade o próprio Deus no começo de todas as coisas.
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Boehme foi o primeiro a fazer da liberdade o fundamento primeiro do Ser, mais profundo e primário que o próprio Deus.
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O mistério primeiro do Ser é uma iluminação repentina da liberdade tenebrosa, uma solidificação do mundo a partir dela.
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Em citação direta,
Boehme afirma que o fogo frio das trevas se acende, e que tudo seria Nada e Indeterminado se não fosse o fogo.
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O Nada tem a paixão do Algo, uma paixão que dá a si mesma o começo eterno, sendo a doutrina da liberdade uma doutrina metafísica da Ungrund do Ser.
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O mal provém da má imaginação, e a queda da criatura não se decide no mundo humano, mas no mundo angélico, com a queda de Lúcifer.
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Em citação direta,
Boehme descreve a queda de Lúcifer como o abandono do repouso por uma vontade livre que se contemplou no espelho da natureza, animando-se em direção às propriedades do Centrum.
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O pecado original e o mal são catástrofes cósmicas, resultado do conflito de propriedades opostas, com o mal tendo um sentido positivo como sombra do bem.
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Deus mostra dois rostos (amor e cólera), e em citação direta, afirma-se que o Deus do mundo claro e do mundo tenebroso não são dois Deuses, mas um único Deus que é o Mal e o Bem.
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O amor de Deus, em um ambiente tenebroso, transforma-se em cólera, e a vida é fogo que se manifesta de duas maneiras: no amor e na cólera.
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A redenção é concebida cosmogonicamente como uma continuação da criação do mundo, com Cristo transformando a cólera em delícias divinas.
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Schelling, em suas Pesquisas sobre a essência da liberdade humana, aproxima-se de
Boehme, vendo o nascimento da luz a partir da obscuridade e desenvolvendo seu voluntarismo.
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Schelling reconheceu que o panteísmo é incompatível com a liberdade, e que o mal tem seus fundamentos na liberdade potencial da Ungrund.
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Em citação direta, Schelling afirma que o esforço fundamental da teosofia de
Boehme é conceber a produção de todas as coisas a partir de Deus como um desenrolar real.
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A doutrina da Ungrund isenta Deus da responsabilidade pelo mal e, ao mesmo tempo, introduz um princípio tenebroso na própria divindade.
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O mal tem uma missão positiva, pois a luz divina só pode se manifestar pela contrapartida das trevas, sendo o Ser uma vitória sobre o Não-Ser.
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As ideias de
Boehme sobre a liberdade e a Ungrund permanecem antinômicas, movendo-se na lâmina de uma faca e sendo fonte da filosofia trágica da liberdade.
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Berdiaeff saúda em
Boehme o fundador da filosofia da liberdade, a verdadeira filosofia cristã, que se opõe ao otimismo racionalista de
Tomás de Aquino.
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Com
Boehme, começa uma nova era no pensamento cristão, influenciando o dinamismo da filosofia alemã (Fichte, Hegel, Schopenhauer) e o romantismo.
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O pensamento germânico, ao contrário do latino, concebe a razão confrontada com as trevas do irracional, devendo levar a luz a elas.
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A doutrina da Ungrund explica a potência criadora do Novo, a dinâmica criadora, e
Berdiaeff defende que é necessário desenvolver essa doutrina distinguindo o abismo divino da liberdade divina do abismo méontico e da liberdade méontica.